sábado, 9 de maio de 2009

Antigo Casarão da Reffesa agora pertence ao município, afirma secretário de Cultura






Uma conquista das mais importantes. É com este sentimento de entusiasmo que todos os integrantes da Secretaria de Cultura, Turismo e Desporte(Seculte) do município de Aurora vêm avaliando a recente aquisição através da Prefeitura, de um verdadeiro monumento histórico de Aurora. Trata-se do antigo casarão da Reffesa, conhecida no passado como a ‘residência do agente’. Uma bela construção que bem relembra o período neoclássico, bem como a época áurea do município, quando Aurora era recordista na produção do "ouro branco" o algodão", diz o secretário da pasta José Cícero.
O velho casarão, agora completamente revitalizado irá abrigar a sede da Seculte e ainda servirá como um espaço cultural contendo sala de exposição, apresentações artísticas e oficinas de artes e ofícios.
Localizado estrategicamente no coração da cidade bem ao lado da estação ferroviária, o prédio do início dos anos 20 após as obras de reforma conferiu uma nova vida ao espaço urbanístico da cidade de Aldemir Martins e Serra Azul. “Estaremos trabalhando a partir de agora no processo de tombamento e aquisição do sobrado do fundador de Aurora - Cel. Xavier”. Uma construção ainda mais antiga, que remonta os idos de 1831, localizado ao lado da igreja matriz. Esta semana concluiremos a reforma da Estação Ferroviária que sediará a biblioteca central e Ilha digital, além de espaço para exposição temporária, museu, cine clube e um centro de gastronomia tradicional da terra. Um local de visitação pública, como no passado, enfatiza o secretário.
Dentro dos próximos dias a Prefeitura estará realizando a solenidade de inauguração dos novos empreendimentos culturais de Aurora. A instalação do museu do engenho de cana a céu aberto no entorno dos dois prédios, também é intenção da Seculte. O prefeito Adailton Macêdo assim como o seu vice Antonio Landim não escondem a vontade de promover uma política de cultura voltada para o incetivo e o resgate dos valores da terra. Na próxima semana o secretário estara viajando à Fortaleza quando juntamente com o Dr. Paulo Quezado e o próprio prefeito visitará alguns órgão estaduais no sentido de reivindicar novas conquistas para a Aurora nas áreas de cultura, turismo e esporte.
Da: Redação do blog: JC e de Aurora
In Revista Aurora

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A Gripe A e o Desequilíbrio Ambiental

Por José Cícero
Por uma razão ainda desconhecida a natureza tem se apresentado em períodos distintos da história humana como um autêntico instrumento de contenção e controle, por assim dizer, do crescimento populacional, que no momento, beira a casa de pouco mais de 6 bilhões e meio de pessoas. Um número certamente preocupante se levarmos em conta os atuais padrões de consumo dos nossos recursos naturais. Por conta disso a natureza já começa a dá os primeiros sinais do seu iminente esgotamento progressivo.
De modo que, nunca é demais recordar os diversos tipos de tragédias e catástrofes naturais já ocorridas ao longo da história planetária. Das mais remotas, podemos citar o soterramento há mais de dois mil anos da cidade italiana de Pompéia pelo vulcão Vesúvio, o desaparecimento do continente de Atlântida engolida pelo mar revolto, segundo os relatos de Platão nos distantes primórdios da era cristã. Ainda, a misteriosa extinção dos dinossauros, bem como calamidades mais recentes como a 'peste negra', a gripe espanhola que no século XIX arrasaram populações inteiras em diferentes rincões do mundo, notadamente na Europa que teve ''um terço'' dos seus habitantes ceifados por esta pandemia mortífera. Tudo está profundamente ligado diretamente com a questão ambiental.
Agora no momento hodierno, assistimos fenômenos como o Tsunami asiático que deixou um rastro de morte e destruição no litoral da Indonésia e outros países da Ásia; o Furacão Catrina que varreu por completo a cidade de Nova Orleans nos EUA. Como também tufões e terremotos a se espalhar por várias partes do planeta, além de outros fenômenos inusitados decorrrentes do descontrole climático, tais como: secas em regiões tropicais historicamente sempre úmidas, como na região amazônica, pantanal e nos municípios gaúchos. Inudações destutivas de Norte a Nodeste do Brasil, além acontecimentos cada vez mais recorrentes, advindos do aquecimento global. A saber: o derretimento cada vez mais rápido das calotas polares elevando o nível do mar; o acirramento do efeito estufa, o aumento da desertificação, o célere processo da escassez de água doce em inúmeras partes do Globo, o assoreamento dos rios, a extinção acelerada de espécies animais e vegetais, tudo decorrente das várias formas de poluição do meio ambiente. Sem esquecermos o surgimento de novas doenças cada vez mais implacáveis contra os seres humanos, tais como a própria Aids, o vírus Ebola, a gripe aviária, a super bactéria, bem como a permanênicido do Cancêr(a desafiar a ciência dos homens) e a se multiplicar pelo mundo inteiro. Neste momento, a preocupação mais imediata é a chamada''gripe suína ou A'' causada pelo vírus H1N1, verificado pela primeira vez nos EUA e México que já começa a se expandir em escala planetária.
O mundo moderno agora é uma aldeia. É como vivessemos todos juntos num verdadeiro caldeirão, respirando o mesmo ar, compartilhando o mesmo espaço geográfico e, em contato com quase todas as realidades globais a um só tempor.
Médicos, infectologistas da própria Organização Mundial de Saúde(OMS) alertam para o perigo iminente de um surto pandêmico da influenza A que pode matar até 50 milhões de pessoas.
Uma pandemia talvez sem nenhum paralelo na história humana.
O avanço tecnológico tornara o mundo quase uma aldeia, de tal maneira que para o vírus mutante da influenza, irradiar para quase todo o planeta seria apenas uma questão de dias. Diferentemente de como ocorria no passado quando as populações eram mais estáveis. De resto é bom que se diga também, que nem sempre a comunidade cientifíca internacional pode nos dizer o real acerca de prognósticos como este. Assim, é absolutamente possível que apenas as meia-verdades estejam sendo ditas para nós no que se refere ao verdadeiro perigo potencial que representa tal gripe provocada pelo vírus da gripe suína H1N1.
Já no Brasil diante de um ministério da saúde no mais das vezes leniente, a população e o Governo precisam desde já, arregaçar as mangas e ir se preparando para o que pode vir por aí. Caso nada seja feito em tempo, tanto no aspecto educativo(conscientização) quanto no sentido da prevenção/preparação.
Por: José Cícero
Da Redação da Revista Aurora
Aurora-CE

quarta-feira, 6 de maio de 2009

AURORA: Prefeito Decreta Estado de Calamidade Pública



AURORA: Estragos provocados pelas chuvas levam prefeito Adailton Macedo decretar estado de calamidade pública.
Chuvas torrenciais. Açudes cheios, sangrando, alguns ao ponto de quase 'estourar'. O rio Salgado, maior atrativo natural do município, também recebendo uma das suas cheias mais consideráveis, visto ser ele, o principal manancial por cuja calha se dá toda a vazão das águas que ora estão banhando a extensa região do Cariri. Este é o atual perfil da quadra invernosa até agora já registrada em todo o município de Aurora e no seu entorno. A produção agrícola deste ano também já pode está comprometida pelo execesso de chuva. Esta, pelo menos é a opinião mais recorrente da maioria dos rurícolas locais.
Estragos nas estradas vicinais:
A grande quantidade das chuvas já registradas em Aurora vem provocando uma série de estragos em todas as estradas vicinais, além de sérios transtornos e prejuizos financeiros à população, notadamente da zona rural. O que praticamente inviabilizou o acesso de várias comunidades a sede municipal. Por conta disso, desde o dia 29 de abril que as aulas no município estão paralisadas até o 18 de maio, caso a incidência das chuvas diminuam o necessário para que a Prefeitura possa recuperar as estradas e o transporte estudantil deva ser normalizado. Do contrário, segundo a Secretaria de Educação, a questão ficará ainda mais complicada, visto que o estado das estradas que ligam a sede de Aurora aos distritos de Ingazeiras e Santa Vitória, assim como a Soledade, São Miguel, Terra Vermelha dentre outros estão a cada dia mais precários, ou seja, praticamente intransitável.
Difícil acesso das comunidades rurais a sede do município:
As chuvas também impossibilitaram o acesso aos vizinhos municípios de Missão Velha, Lavras da Mangabeira e Caririaçu. Pequenas pontes, pontilhões, barragens e passagens molhadas estão sendo destruídas pelas forças das enxurradas o que vem piorando ainda mais o tráfico natural de veículos e de pedestres. Além dos estudantes e agricultores, os aposentados também estão encontrando dificuldades para chegar a cidade e retirar seus proventos bancários.
Vítima fatal por afogamento:
Nos últimos dias a violência das águas dos riachos(afluentes do Salgado) foi tanta, que vitimou por afogamento o jovem agricultor Vicente Júnior, que ao tentar salvar uma das suas vacas acabou sendo carregando pela correnteza. Só vindo a ser encontrado dias depois, mesmo com a ajuda e os esforços de moradores e o corpo de bombeiros de Juazeiro do Norte.
Prefeito Adailton Macêdo Descreta Estado de Calamidade Pública:
Diante deste quadro, o prefeito Adailton Macedo decidiu decretar no último dia 04 ‘estado de calamidade pública e situação de emergência’ em todo o município. Por outro lado, a secretaria de Obras continua com máquinas e caminhões tentando minimizar o problema, mas a situação ainda mantêm incontrolável e imprevisível em face dentre outras coisas, da grande dimensão territorial do município, as poucas condições que a gestão pública possui para resolver o problema, como também a previsão de novas precipitações pluviométricas, afirma o secretário Antonio Macedo.
Decreto:
O prefeito Adailton, após assinar o Decreto viajou às pressas à capital cearense e de lá para Brasília no sentido de viabilizar recursos emergenciais para solucionar o quanto antes, a problemática porque passa o seu município. No entanto, conforme o secretário de Agricultura, José Dácio, até o momento cerca de 784,7 mm de chuva já foram registrados em todo o perímetro aurorense. Uma marca, segundo ele, muito significativa em comparação como o mesmo período dos anos anteriores. O mês de abril, foi de longe o mais chuvoso com cerca de 369,5 mm e as chuvas pelo jeito devem continuar em toda região caririense, conforme informações meteriológicas.
Temor da População:
A população do bairro São Benedito localizado às margens do rio Salgado, assim como os agricultores ribeirinhos estão apreensivos com a possibilidade de mais uma cheia. Todos ainda recordam os imensos estragos ocorridos em 2004, por sinal uma das mais graves cheias que o Salgado já sofrera deixando um rastro de destruição e desabrigando um grande número de pessoas em toda região, especialmente em Aurora(Ingazeiras), Icó e Lavras da Mangabeira. O açude Cachoeira, um dos maiores da região do alto Salgado, com capacidade de acumulação da ordem de 3,5 milhões de metros cúbicos de água já se encontra sangrando com uma lâmina de água bastante razoável.
Belezas e atrativos naturais do rio Salgado:
Mesmo diante de tantas preocupações, alguns lugares do rio tem sido motivo de visitação pública, a exemplo da ponte sobre o Salgado localizada na entrada da cidade. Durante todo o dia a população comparece ao local para contemplar a correnteza das águas vindas da suas nascentes na serra do Crato, assim como de toda a região correndo em direção ao Jaguaribe e de lá para o oceano. “É sem sombra de dúvida um atrativo dos mais deslumbrantes, assistirmos a natureza em toda a sua plenitude”, afirma o professor José Cícero, secretário de Cultura, Turismo e Desporto de Aurora. Prossegue ele, “cerca de 42 km do Salgado está situado dentro do território aurorense... Isso é uma grande dádiva da naturez".
"Poucos são os municípios do Brasil, como pouquíssimas são as cidades no mundo que dispõem deste verdadeiro privilégio ambiental. O rio é por assim dizer, um autêntico refrigério para nossa alma, nosso ar-condicionado natural, um colírio para nossos olhos, um caminho a nos apontar, tanto o céu, quando o mundo todo. Nosso cartão-portal... Penso que isso nos renova, nos impõe um momento de profunda reflexão, enquanto seres vivos e aumenta ainda mais o grau das nossas responsabilidades com a preservação ambiental, a biodiversidade, os recursos naturais e a vida como um todo”, finalizou.
Da redação do Blog da Aurora e do JC

terça-feira, 5 de maio de 2009

Crônica: Viagem de Trem...

Até meus vinte e poucos anos, se não me falha a memória, circulava no Ceará o trem de passageiros. Este percorria o trecho de Crato a Fortaleza, e vice- versa, passando por Aurora, minha cidade natal. Este percurso nós os fizemos por diversas ocasiões, principalmente quando da saída e do retorno das férias escolares, pois estudávamos em Fortaleza. E quando havia festa em Aurora era o nosso principal meio de transporte. Neste dia era lotação certa.
Os horários variavam muito. De início o trem saía pela madrugada, de Crato com destino à Capital Cearense. Depois mudou. Passou a pegar o trilho por volta das treze ou quatorze horas. Se eu não me engano, este foi o último horário estabelecido pela REFFESA para este percurso. Com certeza, também foi o melhor para nós que sempre nos deslocávamos para os festejos em Aurora. Daí, pegávamos o retorno pela madrugada, vindo de Fortaleza, por volta das cinco horas da manhã, já nos “finalmente” da festa.
De Crato até Aurora interpunham-se as estações de Juazeiro do Norte, Missão Velha e Ingazeiras. Dentre estas havia algumas paradas obrigatórias. Destas lembro-me somente da parada de Várzea Redonda, a qual fica entre Aurora e Ingazeiras, justamente porque embarquei lá por muitas vezes.
O transporte ferroviário era, naquele tempo, o mais em conta. Mesmo assim, para economizar e gastar no próprio refeitório do trem, em algumas ocasiões, driblávamos o cobrador, e não pagávamos a passagem, ou liquidávamos de uns e outros não, pois era muito fácil fazer isto. Noutra eu conto como fazíamos para despistá-lo. Além do mais a viagem era uma maravilha. Trafegávamos sempre em família e, freqüentemente íamos no restaurante tomando uma cervejinha, beliscando alguma coisa, conversando e, dependendo da sorte, “ficando” como se fala hoje em dia.
Este local chamado restaurante era um vagão preparado para este fim. Tinha garçom, geladeiras, cadeiras, etc., prontinho para curtirmos aquela aventura com tranqüilidade. Sacolejava muito e eventualmente tínhamos que nos agarrar ao que estava sobre a mesa. A gente já era tão conhecido, que tinha “cadeira cativa”. O bom é que, aqui e acolá, sobrava uma garota e a gente “lavava a égua”. Bebíamos e comíamos, ao mesmo tempo, até chegar à estação final.
Geralmente embarcávamos em Juazeiro do Norte. Outras vezes, em Aurora. A primeira estação, quando tomávamos o trem de ferro na Terra do Padre Cícero, era Missão Velha. Ali começávamos as comilanças. Saboreávamos a melhor macaxeira do Ceará. As pessoas comentavam que esta era cultivada dentro do cemitério local motivo daquele sabor inigualável.
Entre Missão Velha e Ingazeiras, já próximo desta, ocorria um fato curioso e pitoresco. Havia um garoto que, trajando-se de Chefe de Estação, a caráter mesmo, logo que notava a aproximação do comboio, vindo de qualquer direção e em qualquer horário, tocava um sino, semelhante ao que se fazia nas estações ferroviárias quando da partida e da chegada dos trens.
Outro fato que merece registro era o momento que o trem passava nas demais estações de seu percurso. Nas cidades pequenas como Cedro, Piquet Carneiro, Capistrano, Lavras da Mangabeira, e todas as demais do mesmo porte, esta ocasião era muito festejada. Todos se reuniam para prestigiar. Eu mesmo não perdia uma passagem de trem. Era muito divertida esta ocasião.
Este meio de transporte jamais deveria ter sido desativado no Nordeste Brasileiro. Era de baixo custo e de alto impacto sócio-econômico. Muitos o usavam para transportar pequenos animais, quantidades inexpressivas de mercadorias. Lembro-me que na estação de Juazeiro do Norte tinha até uma pequena feira livre nas chegadas e partidas dos trens de passageiros. Era um verdadeiro Mercado Persa. Ali se encontrava de tudo. Podia-se procurar que se encontrava até bainha prá foice. “Do penico à bomba atômica” esta seria e expressão mais apropriada para este evento.
No entra-e-sai, e desce e sobe das várias estações, fazíamos novas amizades e revíamos velhos amigos e companheiros. Além de alavancar o comércio com suas trocas e vendas de mercadorias as mais diversas e extravagantes possíveis, o trem de ferro sobre os trilhos de aço, num vai-e-vem apressado e impaciente, também construía muitos amores e paixões, e alavancava muitas esperanças e desilusões.
José Arimatéia de Macêdo -
Médico: (filho d'Aurora)
Gurupi-TO
2 comentários
José Cícero CE • Gostei imensamente do artigo em epígrafe abordando a viagem no velho Trem da nossa Aurora e Cariri que não volta mais. Ainda, pelo toque reminiscentista da matéria e, muito especialmente, por sê-lo de autoria de um aurorense de boa cepa. Parabéns e muito obrigado pelo texto a nos envolver em lirismo e recordações. Uma pena que os políticos que acabaram o nosso trem ainda estejam forte, na ativa e mantendo outros compromissos, que não o dos transportes por excelência popular com os ferroviários(sic).
Prof. José Cícero/Aurora - CE.
sheila SP • Muito interessnte este texto, mexe muito com minhas lembranças. tantas saudades, lembranças e historias para contar, mas é uma pena que hoje no estado de são paulo o trem de passageiro não circula mais. O trem me levava para a cidade de são paulo quando criança, me levou para marília no tempo de faculdade, mas hoje só as boas lembranças é que continuam a correr pelos trilhos na memória. Grande abraço, beijos!
Fonte: site Fava Contadas

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Globalização da Miséria*

A alta tecnologia de ponta vem devorando os postos de trabalho dos operários probos e honestos.
“As empresas estão investindo maciçamente na alta tecnologia de ponta, pois, assim, elas aumentam a margem de lucro, ao tempo em ficam mais enxutas e modernas para enfrentarem a globalização” Todo este palavreado não passa de um eufemismo enganador e cruel, o que está acontecendo de verdade é uma política empresarial globalizada norteada na concentração de capitais e na demissão involuntária, Os operários estão sendo colocados no olho da rua por conta de uma crueldade empresarial de cortar coração, pois senão vejamos: nas pranchetas dos construtores desta política excludente do capitalismo selvagem já estão programados os postos de trabalhos de hoje ou ontem? ocupados pelos trabalhadores e que serão substituídos ou tungados pelas novas tecnologias. Essa massa operária é jogada no olho da rua como animais, assim como os escravos na época do período colonial. E o pior, enquanto o operário pensa que seu posto de trabalho foi extinto por uma fatalidade, por uma evolução dos tempos, pela modernidade, outros milhares de trabalhadores já estão tendo nas mesmas “pranchetas” a exclusão premeditada da substituição do atual trabalhador pela alta tecnologia de ponta. Mas por que isto acontece ? - Porque vivemos no terminal de um capitalismo excludente, selvagem, opressor onde o capital se concentra na maioria da “minoria privilegiada” que não pensa no bem- estar social, na tecelagem humana, no bem estar da coletividade,mas apenas nas suas margens de lucro que devem aumentar diariamente, se a margem não aumenta, o corte de pessoal faz aumentar. É uma equação financeira que conspira contra o trabalhador, o operário honesto. De tanto trabalhar para a empresa, de tanto viver a empresa, coitado! esquece de si mesmo e quando for pensar em sua vida já está no olho da rua. O Que fazer com essa massa operária que está sendo expulsa dos seus postos de trabalho, simplesmente porque ele não existe ou deixará de existir em pouco tempo. O Estado tem uma política de integração de emprego para estes excluídos pela força bestial de um capitalismo devorador de operários probos e honestos? Ou se vai colocar a culpa na fatalidade? - Destino!?
Por: Luiz Domingos
Professor e poeta
Membro da Ordem Sta. Cruz (dos Penitentes)
Consultor da Revista Aurora

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sábado, 2 de maio de 2009

Gripe Suína: Os Vírus evoluem e nós os seres humanos?!


1- vírus da gripe espanhola, 2- Pessoas temerosas, 3- vírus da gripe suína
A
humanidade planetária encontra-se por demais apreensiva e em estado de alerta geral. E, digamos que tem razão de sobra para isso. Tudo por conta da possível ameaça cada dia mais iminente de uma pandemia mundial ocasionada pelo temível vírus mutante H1N1 da chamada gripe suína capaz de atingir seres humanos e se propagar de pessoa para pessoa. Segundo informações de especialistas o referido vírus sofrera mutação no organismo dos suínos, reaparecendo entre nós ainda mais forte e, até agora sem nenhum controle preventivo por parte da medicina.
Pandemia Planetária
Do ponto de vista histórico, este risco não está descartável, posto que muitas outras epidemias já ocorreram pela história afora deixando um rastro de destruição e calamidade das mais horrendas. Dentre estas verdadeiras catástrofes "naturais" registradas, podemos citar a da gripe espanhola que varreu a Europa após a 1ª grande guerra matando de 20 a 40 milhões de almas no velho continente, bem como em outras partes do mundo. Ocasião em que até mesmo um presidente brasileiro(Rodrigues Alves) também sucumbiu ao vírus da gripe espanhola de 1918.
Poder Mortífero dos vírus mutantes
Infectologistas e os próprios representantes da Organização Mundial de Saúde(OMS) alertam para o grande poder de mortandade do vírus da gripe suína(H1N1) que, potencializado pelos efeitos da modernidade tecnológica, da globalização e do intenso tráfico e mobilidade de pessoas ao redor do planeta poderá intensificar ainda mais seu poder de alastramento. Por tudo isso não é nenhuma retórica se afirmar que o mundo contemporâneo a cada dia se torna menor o que favorece e muito o aparecimento de organismos mutante e deletérios a saúde da humanidade e em escala de ataque pandêmico. Todo o intenso processo de deslocamento de pessoas, animais e mercadorias entre as mais diversas comunidades mundiais multiplica a possibilidade de uma pandemia. Vários vetores continuam abertos as transmissões virais; somando-se a isso os grandes aglomerados humanos espalhados pelas grandes metrópoles do globo. As manipulações quimicolaboratoriais de organismos, sobretudo dos alimentos/rações servidas aos animais têm servido ao surgimento de patologias provocadas por vírus e até enzimas modificadas. Quem sabe seja o alto preço que pagamos por queremos "brincar de Deus" e desrespeitar a natureza da terra.
As Pandemias na história
No passado, os riscos de pandemias eram um realidade, no entanto havia uma distância temporal entre um acontecimento e outro. Espaços que foram evoluindo à medida que o processo tecnológico e científico se aprimoravam, notadamente no setor de transporte e da genética, sem esquecer a questão do crescimento populacional que no momento beira já a casa dos sete bilhões.
Se a gripe espanhola levou pouco mais de 12 meses para se transformar numa pandemia, é provável que nos dias atuais não seja preciso mais de 3 meses. Em apenas 10 horas é provável que o vírus da gripe suína possa chegar do México ou dos Eua até nós, os brasileiros dado o incrível encurtamento das distâncias pela engenharia aéria.
O que podemos esperar?
Então, mesmo sem nenhum ranço de fatalismo, podemos assegurar que, tanto o surto pandêmico, quanto o risco de o Brasil vir ser também vítima da gripe suína, constituem uma possibilidade não menos remota. Para tanto, faz-se necessário o empenho das autoridades governamentais e um esforço de consciência da população como um todo, no sentido de se evitar que o pior aconteça.
Há quem diga que, desde o surgimento dos seres humanos no planeta, a natureza, tem-se encarregado de promover este verdadeiro “arrastão” seletivo da espécie humana por meio destes acontecimentos caóticos. Talvez mais uma evidência do primado de Charles Darwin. Para os que pesam deste modo, esta sucessão catastrófica se expressa desde os acontecimentos pandêmicos imemorriais até os fenômenos como secas, inundações, terremotos, furacões dentre outros. Neste aspecto de ilações diversas há que rememorar alguns registros que dão conta de Sodoma, Gomorra, Atlanta, Pompéia dentre vários outros povos que misteriosamente desapareceram da face da terra.
Visão Mística dos acontecimentos
Os mais místicos chamam tais fatos de verdadeira “ira de Deus” enviadas à humanidade para aplacar o pecado dos homens. No fundo, o problema existe como um desafio quase permanente aos seres racionais, posto que, de tempos em tempos retornam para, de uma forma ou de outra assolar a humanidade na sua caminhada evolutiva civilizatória. É preciso dizer, no entanto, que a forma pela qual temos tratados e nos relacionados com a natureza biológica, também tem influenciado boa parte destes tristes acontecimentos. Um aspecto que certamente nem o próprio Darwin se dera conta na sua devida perspectiva futurista...
Pelo jeito, ocorrências como esta não serão as primeiras e, tampouco as derradeira. Será o começo do fim? Difícil explicar sem passarmos a idéia do amedrotamento e do pânico. Quem sabe, a humanidade possa a partir de então, aprofundar suas reflexões mais necessárias e verdadeiras e, daí possa tirar novos ensinamentos para uma convivência harmoniosa, pacífica e mais racionalizada com todos os seres planetários.
A ciência, por seu lado, assim como o fez com o vírus da gripe aviária e tanto outos, também quem sabe possa dá sua parcela de contribuição à evolução holística e racional do homo sapiens no sentido de que nos tempos modernos uma nova pandemia a La gripe espanhola não possa de novo, atacar de modo mortal, parcelas significativas de seres humanos.
Por fim... o que se espera?
Creio, no entanto, que será preciso, além da ciência muito mais consciência e compromisso de responsabilidade compartilhada das pessoas em relação ao tipo de mundo que poderemos deixar aos nossos filhos e a posteridade em geral. É preciso que assumamos um novo paradigma de convivência baseado na ética e no respeito, inclusive e sobretudo para com a natureza e os recursos naturais.
Muitos vírus ainda estão por vir, o que importa a partir de agora, é saber como podemos mudar nossa velha forma de comportamento ante o enfrentamento e a escalada das calamidades que no futuro muito mais que hoje, haverão de castigar sem trégua e, em intervalos cada vez mais curtos a humanidade planetária, caso nada seja feito a partir deste instante. Já que estamos no ponto limite. Não há mais tempo para delongas ou vacilações...Ou mudamos ou teremos que forçosamente experimengtar o mesmo fim que tiveram os dinossauros. Estamos, por assim dizer a um passo da própria autodestruição.
Afinal de contas, será que para o resto dos seres vivos, diante de tanto mal que já causamos ao planeta e as outras espécies(e até a nós mesmos) ao longo da história, também não podemos ser encarados como vírus, invasores e destrutivos? Há razões de sobra igualmente para nos sentir assim, num comparativo direto de conhecimento de causa com todo os demais seres vivos da biosfera.
Prof. José Cícero
Aurora - CE.

Matéria Especial: Vírus, Ciências e Homens*



Nos últimos anos, a historiografia nacional foi farta em trabalhos sobre os efeitos da pandemia de gripe espanhola de 1918 nas principais cidades brasileiras.1 Vários autores debruçaram-se sobre diversos aspectos do evento, analisando as modificações cotidianas geradas pelo contexto epidêmico, as práticas dos profissionais do campo médico em relação à epidemia, a atuação dos serviços de saúde pública e, até mesmo, o conjunto de sentimentos da população no conturbado contexto que se apresentava. A americana Gina Kolata mostra que nos Estados Unidos foi diferente, explicando que em sua terra a literatura sobre o tema quase que se resume ao livro America's forgotten pandemic, de Alfred W. Crosby, e que essa escassez de literatura sobre o tema incentivou-a a escrever. Gina Kolata é jornalista científica, formada em microbiologia, e estudiosa de biologia molecular. Já escreveu vários textos sobre temas científicos, destacando-se o livro Clone: os caminhos para Dolly e as implicações éticas, espirituais e científicas (Rio de Janeiro, Campus, 1998), fruto de seu sistemático acompanhamento, para o New York Times, da trajetória que culminou com o nascimento da ovelha Dolly. Seu livro, Gripe, a história da pandemia de 1918, caracteriza-se como um abrangente relato dos esforços da ciência em busca de compreender as causas da doença e evitar o seu possível retorno. Na verdade, o título original da obra, Flu: the history of the great influenza pandemic of 1918 and the search for the vírus that caused it, revela muito mais do que a tradução nacional que, ao suprimir toda a parte do subtítulo, dá a entender tratar-se de um relato centrado nos eventos de 1918. Segundo a própria autora, trata-se de uma história de mistério envolvendo ciência, política, pesquisadores e um vírus assassino. História de acasos e surpresas que merecia ser contada, tanto pelo drama da narrativa, como por suas implicações, pois a solução do mistério poderia ajudar os cientistas a evitar uma possível volta do microscópico vilão.
Seu estudo inicia-se com uma resenha histórica sobre a pandemia, centrando-se na sua passagem pelos Estados Unidos, onde adentrou em Boston, no mês de setembro de 1918, espalhando-se pelos mais longínquos recantos do país. Vinte e cinco vezes mais letal do que a gripe comum — gripes comuns matam um em cada mil acometidos, a influenza tinha um índice de mortalidade de 2,5% —, a epidemia deixou um rastro de meio milhão de mortos, determinando a queda de 12 anos na expectativa de vida dos americanos. Seu surgimento no contexto dos enfrentamentos que levaram ao final da Primeira Guerra Mundial ampliou a apreensão geral, para a qual também contribuiu a inexistência de conhecimentos científicos capazes de deter ou evitar o mal, pois, embora a teoria microbiana das doenças já tivesse dado largos passos, o conhecimento sobre os vírus se resumia à possibilidade de sua filtrabilidade em meios físicos, não havendo maior compreensão sobre sua forma de atuação no organismo humano.
De forma semelhante às pesquisas relacionadas à história das doenças, Kolata apresenta a pandemia através de uma comparação com várias outras epidemias que desde tempos imemoriais devastaram diversas sociedades. Nesse aspecto, é salientado que, a partir do início do século XX, o desenvolvimento da medicina criava a expectativa de total controle das principais doenças epidêmicas. Retomando as idéias de Phillipe Ariès expressas em suas obras sobre a história da morte no Ocidente, a autora afirma que foi uma época em que a morte quase perdera o seu poder, se separando da vida cotidiana pela força dos milagres da medicina, que passou a ser cultuada por muitos como uma nova religião. Mas o surgimento da gripe, no fim da década de 1910, daria fim a essa situação. Também de forma análoga a diversos outros trabalhos, a passagem da pandemia pelos Estados Unidos é apresentada por meio do relato de suas violentas conseqüências: os horrendos sintomas, as terríveis formas de morte, a loucura coletiva que se apossava das cidades, a imputação de culpa a terceiros e vários outros aspectos conhecidos dos que se detiveram nos vários relatos sobre epidemias que se multiplicaram desde a publicação do Diário do ano da peste por Daniel Defoe, em 1665.
A possibilidade de desenvolvimento de uma vacina contra a doença, aliada à noção do possível retorno do vírus e de suas funestas conseqüências, são os fios condutores da obra de Kolata. A seu ver, até o presente momento não se sabe como produzir um remédio que seja o equivalente da penicilina para o processo gripal, no entanto, os conhecimentos no campo da virologia já são suficientes para possibilitar a elaboração de vacinas virais eficazes. Precisamente, em relação à gripe, há algum tempo os cientistas aprenderam a reconhecer seu vírus por meio do microscópio eletrônico; também já descobriram que ele é composto por apenas oito genes, cada um feito de RNA (ácido ribonucleico encontrado no núcleo da célula), e que não conseguem permanecer ativos se não puderem infectar nenhuma célula em questão de horas. Os especialistas também sabem como esses vírus se ligam uns aos outros através de uma membrana lipídica viscosa e como eles se alojam nas células. Sabem até que o vírus da gripe contamina principalmente os pulmões, porque lá estão as células compostas por uma enzima que ele necessita para romper uma de suas proteínas durante a elaboração de novas partículas virais. Tal manancial de conhecimentos está prestes a lhes permitir elaborar uma vacina que proteja grande parte da humanidade em caso de uma nova pandemia. Para tanto somente uma coisa é necessária: saber com que o vírus da gripe de 1918 se assemelhava.
É exatamente esse processo de conhecimento do vírus pelos cientistas que ocupa a maior parte da obra. Ele centra-se nos esforços de equipes distintas em encontrar o vírus em tecidos pulmonares de mortos pela epidemia através de técnicas diferenciadas. Um grupo fez uso de fragmentos de pulmões, de um soldado do exército, guardados no depósito de tecidos do Instituto de Patologia das Forças Armadas — instituição criada pelo próprio presidente Lincoln, para a guarda de tecidos de portadores de tumores ou outras doenças pouco conhecidas, examinados por médicos militares. Outras equipes saíram em busca de vilarejos isolados no Alasca e na Noruega, onde vítimas da doença foram enterradas em solo permanentemente congelado, o que permitia aos cientistas imaginar a possibilidade de reencontrar o vírus ainda preservado nos congelados tecidos de seus pulmões.
A primeira parte dessa epopéia foi a expedição do patologista sueco Johan V. Hultin ao Alasca, em 1951, objetivando encontrar corpos de habitantes mortos pela gripe, enterrados em locais permanentemente congelados, e deles extrair tecidos com vírus possíveis de serem ativados em cobaias. A expedição é narrada de forma instigante, principalmente pela precariedade de meios para executar sua empresa. Mas, a despeito de seu entusiasmo, ela não alcançou os objetivos esperados, pois ao retornar a seu laboratório, com os tecidos possivelmente infectados, com o vírus, Hultin não conseguiu reativá-los, nem pela injeção de fragmentos dos tecidos em ovos, nem por sua aplicação em animais de laboratório.
O desenvolvimento de novas técnicas de biologia molecular possibilitaria novas incursões em busca do vilão de 1918. A segunda delas ocorreu entre 1995 e 1997, e não implicou nenhuma viagem, e sim a utilização de tecidos guardados no Instituto de Patologia das Forças Armadas. O responsável pela empreitada foi Jeffrey Taubenberger, chefe de laboratório no referido instituto. A história começa quando ele se depara com um artigo, publicado na Science, que investigava a determinação genética do daltonismo do mitológico químico John Dalton — primeiro a propor a teoria atômica da matéria, ainda no século XVIII. Para isso eram utilizadas técnicas de engenharia genética, aplicadas aos tecidos de seus globos oculares, até hoje preservados. O artigo deixava no ar as diversas possibilidades abertas pela técnica do PCR — reação em cadeia da polimerase — e Taubenberger, rapidamente, viu a possibilidade de utilizá-las em uma pesquisa que lhe desse notoriedade. Depois de matutar por algum tempo, ele concluiu que deveria se voltar para a gripe epidêmica de 1918, e que o melhor caminho seria utilizar o banco de tecidos da instituição em que trabalhava para, a partir de pedaços de vírus encontrados em pulmões de mortos pela doença, procurar reconstruir o código genético do causador da epidemia.
Com a ajuda de Ann Reid, auxiliar muito experiente nas técnica da biologia molecular, Taubenberger começou a trabalhar com o tecido de um soldado falecido, encontrado no depósito do Instituto de Patologia em março de 1995. A primeira parte do trabalho consistia em separar os genes das células pulmonares, deixando-os prontos para a análise. Depois foram usadas as complicadas técnicas do PCR, com o objetivo de obter um material denominado gene matriz — pedaço do vírus que sofre poucas mutações com o tempo — para, a partir dele, fazer inúmeras cópias do fragmento de gene. A técnica fazia uso de outros genes matriz de gripe que serviriam como anzóis para capturar os genes específicos da gripe de 1918 contidos nos tecidos em estudo. Mas a experiência falhou pois nenhum pedaço do vírus foi encontrado. Depois de um ano sem obter sucesso, eles mudaram a rota de seus experimentos, tentando refazê-los a partir de amostras de tecidos de mortos em epidemias de gripe mais recentes. Obtiveram sucesso com vítimas da gripe de 1957, o que demonstrava a exeqüibilidade de seu método. Logo voltaram a se debruçar sobre a gripe de 1918 e finalmente conseguiram evidências da existência do gene da gripe de 1918 nos tecidos em que trabalhavam. Não conseguiram a seqüência completa de genes do vírus, mas obtiveram genes virais, o que possibilitava um conhecimento muito mais detalhado do vírus.
Nesse ponto da narrativa, salta aos olhos alguns aspectos da organização social da ciência. Um deles diz respeito à grande hierarquização desta atividade profissional. No processo observado anteriormente, a técnica Ann Reid teve atuação destacada porque, mais que seu coordenador J. Taubenberger, era ela quem conhecia as sofisticadas técnicas de PCR, fundamentais para a obtenção das pistas dos genes. No entanto, a autora mostra que ela não tinha reconhecimento profissional de seus pares por não ter título de doutora. Outro aspecto interessante é o fato de o artigo sobre a pesquisa ter sido primeiramente recusado pela Nature, sem mesmo ter tido parecer, com a justificativa de não ser suficientemente interessante para ser analisado. Enviado à Science, teria o mesmo destino. Somente algum tempo mais tarde seria publicado por esta última, depois de um tour de force de seus autores que conseguiram o apoio de influentes virologistas em favor da publicação. Aproximando-se das interpretações sociológicas do campo científico, os protagonistas desse evento creditam o desinteresse pelo seu trabalho ao fato deles não fazerem parte da "comunidade da gripe", caracterizando-se como pesquisadores desconhecidos, distante da elite da pesquisa nesse campo.
A busca pelo vírus da gripe se daria ainda por outros caminhos, que acabariam juntando personagens até então distantes. Antes mesmo dos trabalhos de J. Taubenberger e Ann Reid chegarem às primeiras conclusões, Kirsty Duncan, geógrafa da Universidade de Toronto, que estudava como as mudanças climáticas afetavam a saúde humana, ficou fascinada pelo tema da gripe de 1918 e se deslocou até a Noruega em busca de uma região congelada que pudesse abrigar corpos de mortos pela doença, passíveis de extração do vírus. Em pouco tempo, ela conseguiu respaldo da comunidade local e autorização das autoridades para remexer as tumbas da região. Vendo a possibilidade de sua idéia se concretizar, Duncan entrou em contato com os maiores especialistas em gripe e montou um megaprojeto de busca do vírus, sob a liderança científica do virologista inglês Jonh Oxford. Em 1997, ao buscar financiamento para o projeto junto ao governo americano, ela acabaria por encontrar Taubenberger. Numa reunião para discutir as verbas para o projeto de Duncan, ele mostrou já ter avançado bastante em relação às conclusões de seu trabalho, publicado na Science, imaginando que seu método pudesse chegar aos resultados necessários sem a necessidade de uma nova e perigosa tentativa de procurar o vírus em cadáveres congelados. No entanto, a perspectiva de procurar o vírus da gripe pelo método de Taubenberger foi desprezada, e Duncan obteve uma verba de 150 mil dólares do governo americano para dar início a sua empreitada. Os fatos que se seguiram à colocação em prática do megaprojeto de Duncan são dignos de uma história de suspense, relacionando-se a outros personagens e métodos pouco éticos de obtenção de sucesso científico. Narrá-los tiraria o interesse na história, mas alguns pontos devem ser ressaltados. Um deles diz respeito ao pouco cuidado com os perigos inerentes ao objeto estudado. É de deixar perplexo como em nenhum momento é colocado na balança se a perspectiva de obtenção do vírus é válida frente à real possibilidade deste agente infeccioso contaminar alguém, trazendo de volta a doença que os cientistas, pelo menos na justificativa de seus projetos, pretendiam evitar. Embora alguns destes personagens, em certos momentos, procurem se precaver desta possibilidade, através da utilização das mais variadas tecnologias de biossegurança, todos sabem que é impossível controlar os diversos aspectos e fases do trabalho. Outro ponto relevante diz respeito à importância dada à precedência da possível descoberta. Para chegar primeiro ao vírus, os pesquisadores se engalfinham numa luta que, muitas vezes, coloca em risco seu próprio trabalho e a segurança da população. Certamente, neste caso, chegar primeiro vale muito, é fundamental para assegurar a publicação, para a obtenção de verbas, para aparecer na mídia, enfim, para a ascensão no campo científico.
Mas não só a busca do vírus no corpo de cadáveres está presente na obra. Para seguir os passos do vírus, Kolata volta-se para diversos e, algumas vezes, desconexos caminhos. Um deles diz respeito à possibilidade de a epidemia de gripe se relacionar à gripe dos porcos. Essa história começa com os estudos de Richard E. Shope sobre a gripe suína, realizados a partir de 1928. Atento à informação de que milhares de porcos do meio-oeste americano morreram de gripe suína, em 1918, e a referências à possibilidade de a gripe humana ser a mesma doença observada nos porcos, ele empreendeu estudos visando encontrar essa possível identidade. Primeiro, tentou replicar a doença, gotejando muco e secreções brônquicas de porcos doentes no nariz de porcos sadios, mas suas experiências, inicialmente, não obtiveram êxitos e geraram novas questões sobre a possibilidade da associação de uma bactéria ao vírus ser necessária para originar a doença. Sabendo que um pesquisador da Fundação Rockefeller havia conseguido infectar furões com a gripe humana e também com a suína, e que os ingleses Wilson Smith, Christopher Andrews e P. Laidlaw tinham transmitido a gripe de furões doentes a ratos-brancos, Shope retornou a suas pesquisas, juntamente com estes ingleses, logo detectando a imunidade cruzada entre a gripe humana e a suína em experimentos com furões. A partir de então, o objetivo deles passou a ser o de saber, através de testes de imunidade entre as espécies, se a gripe suína e a gripe epidêmica de 1918 eram a mesma doença. Seus estudos voltaram-se para os sobreviventes da gripe de 1918, que deveriam ter em seu sangue o antígeno para a gripe suína. Os resultados mostraram que, tanto em Londres como nos Estados Unidos, os sobreviventes da gripe de 1918 tinham anticorpos que impediam a ação da gripe suína. Depois de testes comprobatórios, foi aceito o fato de existir uma conexão entre a gripe suína e a epidemia de 1918. Logo as cabeças começaram a pensar numa direção: possivelmente, pessoas doentes, de alguma maneira, transmitiram gripe aos porcos, os vírus permaneceram em estado latente nos animais, e depois, por algum motivo, voltaram a atacar as pessoas de forma selvagem. Assim, a permanência desse vírus nos suínos parecia ser uma constante ameaça de retorno de uma epidemia nos moldes da de 1918.
Segundo a autora, a descoberta da similitude entre a gripe suína e a humana foi o fator que levou ao maior programa de imunização em massa num curto espaço de tempo, realizado até então. O fato é assim narrado. Em fevereiro de 1976, em Nova Jersey, um soldado morreu de gripe, em meio a um surto que atingira seu regimento no mês anterior. Os laboratórios militares constataram tratar-se de um caso de gripe suína, o que fez acender uma luz vermelha em relação a uma possível epidemia de gripe de grande letalidade, visto o vírus da gripe suína ter sido considerado o mesmo agente da epidemia de 1918. Novos testes comprovaram a origem da gripe e sua disseminação por mais alguns soldados do regimento. Uma semana após a morte do militar, os especialistas do Centro de Controle de Doenças de Atlanta, analisando os relatórios dos virologistas que acompanharam o caso, concluíram que existia um perigo real de uma nova pandemia de gripe, e que a saída para o problema era promover a vacinação em massa dos americanos. Essa atitude foi logo ratificada por eminentes virologistas, entre eles, Ewin Kilbourne, diretor do Departamento de Microbiologia da Faculdade de Medicina Monte Sinai, em Nova York, que acreditava que, por motivos de mutações do vírus, as epidemias de gripe aconteciam num intervalo médio de 11 anos. Como a última acontecera em 1968, ele imaginava que em 1976 o mundo estaria sujeito a uma nova pandemia.
Em meio a uma grande apreensão, a idéia da vacinação em massa foi ganhando corpo, a despeito das dúvidas que rondavam o assunto, principalmente o fato de a gripe ter atacado somente quatro soldados, e de não se ter como provar que ela era a mesma que causara a pandemia de 1918. Logo a imprensa levou a público o problema, através de inquietantes artigos e entrevistas no New York Times e na NBC. Os cientistas do governo passaram a considerar imprescindível a campanha de vacinação. A imunização contra a gripe já era usual nos Estados Unidos, onde, anualmente, as autoridades médicas indicavam os vírus a serem combatidos, mas essa prática era restrita a idosos e portadores de doenças crônicas. Uma campanha de vacinação em massa traria problemas logísticos e orçamentários. Além disso, havia outras saídas, como estocar vacina, para ser aplicada somente em caso de confirmação de uma epidemia. Apesar dos entraves, venceu a opção pela vacinação. Em pouco tempo, a discussão foi subindo na hierarquia do governo americano, chegando às altas esferas federais. Simultaneamente o temor frente à possibilidade de uma epidemia catastrófica foi se transformando na certeza de uma tragédia iminente. Em março de 1976, depois de algumas reuniões com os mais eminentes cientistas americanos, o presidente Gerald Ford, ladeado pelos eméritos cientistas Jonas Salk e Albert Sabin — heróis americanos pelos papéis que desempenharam na erradicação da poliomielite com uso de vacina — anunciou que o governo pretendia pôr em prática um programa de vacinação em massa contra a gripe. O programa custaria 135 milhões de dólares, sendo a vacina licenciada pelos laboratórios do governo e produzida pelas indústrias farmacêuticas privadas.
A colocação em prática da colossal campanha acabou por gerar resultados imprevistos. Em pouco tempo, começaram a surgir na imprensa críticas ao programa. Muitas dessas críticas se voltavam para o fato de as poucas evidências da possibilidade de surgimento de uma epidemia não bastarem para se implementar uma campanha tão vultosa. Outros se prendiam à possibilidade de a vacina gerar alguma reação adversa, o que provocou uma enorme pendenga entre as indústrias farmacêuticas envolvidas no projeto e o governo americano sobre quem ficaria responsável por eventuais indenizações. Somente depois de o Estado aceitar essa incumbência, a vacina começou a ser acondicionada em embalagens para posterior distribuição, mas dez dias depois de iniciada a vacinação, a imprensa já começava a anunciar mortes e outros efeitos danosos causados pela vacina. Essas críticas já eram esperadas, pois certamente num coeficiente tão grande de vacinados haveria pessoas com problemas preexistentes que associariam o surgimento de seus males à vacinação. No entanto, observou-se que a vacina parecia favorecer o desenvolvimento de um distúrbio nervoso conhecido como síndrome de Guillain-Baré. Embora a maioria dos acometidos por essa doença se recupere totalmente, uma média de 10% adquire algum tipo de paralisia permanente, e 5% morre de problemas respiratórios. Com a ampliação do número de casos, houve uma enxurrada de processos contra o governo, e mesmo passado o acontecimento, permaneceram entre os especialistas opiniões discordantes sobre a vacinação ter causado uma epidemia de síndrome de Guillain-Baré. Em 1976, quarenta milhões de americanos foram vacinados, destes, algumas centenas desenvolveram a síndrome de Guillain-Baré, mas até hoje não existe evidência mais forte de que se estava à mercê de devastadora epidemia de gripe.
O episódio é narrado de forma bastante interessante, por mostrar o jogo de interesses profissionais que se esconde por trás do processo. Assim, os cientistas são vistos sob uma ótica que enquadra seus interesses nos diversos setores disciplinares ou institucionais do campo científico em que se inserem. Bem ao estilo do conceito de campo científico elaborado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, Gina Kolata afirma que a urgência de prosseguir com o o projeto de vacinação ia além do objetivo de proteger o país da doença, traduzindo-se como um desejo de mostrar a importância do campo da saúde pública "numa época em que ela era vista como menos glamourosa e menos interessante que o domínio da biologia molecular, que então surgia com toda a força" (p. 174). De forma semelhante, a autora arremata o capítulo concluindo: "Se perguntarmos à maioria dos médicos, eles dirão que a vacina contra a gripe suína causou uma epidemia de síndrome de Guillan-Barré. Se perguntarmos aos especialistas em gripe, responderão que vacinas contra a gripe em geral causam a doença ... . E se perguntarmos a qualquer especialista médico que se preocupe com os risco de surgir uma gripe letal, ouviremos que o fiasco da gripe suína o faz hesitar" (p. 220). Apesar da sofisticação de sua análise, ficam de fora da narrativa alguns aspectos que certamente fazem parte do jogo de interesses posto em marcha com o projeto de vacinação. O principal diz respeito aos possíveis ganhos da indústria farmacêutica e outros envolvidos no processo de vacinação. Além disso, uma visão mais ampla do contexto político em que a resolução federal de vacinar toda a população foi tomada facilitaria uma melhor compreensão do acontecimento.
A obra de Kolata volta-se, ainda, para várias outras questões que norteiam as pesquisas relacionadas ao vírus da gripe epidêmica na atualidade: qual a sua origem geográfica? Como ele pode se tornar tão letal? Que organismos podem ser seus portadores? Como se dá a sua disseminação? Ela mostra que o esclarecimento destas e de outras questões está a cargo de uma respeitada rede de virologistas, que atuam nas mais diversas regiões do globo. Seus discursos mostram que compartilham a idéia de que é possível que uma mutação viral traga à tona uma nova pandemia, nos moldes da de 1918, por isso é necessário estar à alerta frente à possibilidade de retorno do perverso vilão. Também deixam entrever que imaginam já possuir armas suficientes para enfrentar um possível aparecimento do mal, impedindo que ele tome dimensões incontroláveis pela vacinação em massa e pelo uso de medicamentos que impeçam o surgimento de infecções oportunistas nos organismos já debilitados. A narrativa de suas pesquisas e de seus promissores resultados deixa o leitor algo confiante em que os acontecimentos de 1918 fazem parte de um passado que não corre o risco de se repetir. No entanto, a possibilidade hoje existente de que ataques de bioterrorismo gerem surtos de varíola — mal exterminado da face da Terra pela ciência e também por suas técnicas passível de retornar — deixa no ar uma certa inquietude.
Luiz Antonio Teixeira
Pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz,
teixeira@coc.fiocruz.br
http://www.scielo.br/

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mentir é a regra...

Desde a origem do homem que se tem registro da malandragem, o ganho fácil, a usura, a especulação, a traição, a injustiça, a vantagem exagerada e sem escrúpulos, e finalmente a mentira em todas as suas formas. E isto se incorporou à cultura dos povos. E não é exclusividade de nenhum deles. Tem mentiroso para todo lado.
Este pequeno texto fará com que cada cidadão que apreciá-lo, coloque sua mente para matutar e passe a ponderar na grande farsa que é hoje o homem, o ser humano, prá não dizer toda a humanidade.
Serão relembrados alguns fatos corriqueiros, do dia-a-dia, que certamente alguns vivem e outros convivem. Em uns somos protagonistas. Noutros fazemos de conta que não vemos ou somos coniventes por inércia, omissão ou conveniência.
Quantos de nossa sociedade já não arriscaram burlar ou mesmo enganaram a Receita Federal para não pagar os impostos devidos no ajuste anual? E muitos fazem isso todos os anos...
Quantos de nossa sociedade já não pediram absolvição ou ofereceram propina ao guarda de trânsito para aliviar ou anular uma multa corretamente aplicada? Onde tínhamos cometido algum delito? Ou já não fomos subornado por um guarda de trânsito por ter algum problema no carro tipo à falta de um equipamento obrigatório?
Quantos de nossa sociedade já não tentaram comprar ou mesmo compraram um votinho para um determinado candidato na esfera pública ou mesmo no setor privado? A palavra votinho pode significar a consciência...
Quantos de nossa sociedade não conhecem a falsidade que paira desvairadamente no campo religioso tanto por parte dos dirigentes como da comunidade religiosa? Lembram daquele fiel que vai a igreja aos domingos, mas durante a semana traiu e trai a esposa, trata mal os filhos e empregados. Ou têm lucro exorbitante em seus negócios. Lembram da história do dízimo como é desvirtuada todos os dias.
Quantos de nossa sociedade já não viram casos comprovados de atitudes compatíveis com corrupção no Serviço Público ou mesmo privado? Do tipo repassar uma porcentagem para o gerente liberar um empréstimo bancário mais rápido...
Quantos de nossa sociedade que trabalha com licitação ou construção pública não aliciaram ou foram aliciados para emitir notas fiscais acima do valor da obra ou coisa que o valha?
Quantos de nossa sociedade que é comerciante já não tentaram falsear documentos ou mesmo “conversar” fiscais tributários, ou mesmo nem tiraram notas fiscais para ludibriar o fisco?
Quantos de nossa sociedade já não compraram medicamentos no balcão de uma farmácia sem antes ter passado por um médico para se consultar? Viciando cada vez mais o sistema farmacêutico.
Quantos de nossa sociedade já não jogaram um papel, um saco plástico ou algum objeto inútil no meio da rua ou na margem das estradas poluindo o meio ambiente? Ou mesmo viram alguém fazer isso e não disseram nada?
Quantos de nossa sociedade já não reprovaram ou reprovam veementemente o Governo Lula pela corrupção comprovada em vários momentos de sua gestão, e em contrapartida defenderam ou defendem Fernando Henrique Cardoso que pagou 200.000,00 reais a cada deputado pelo voto na PEC da (sua) reeleição, planejou a tramóia do Projeto SIVAM e tantos outros esquemas de má-fé, ou vice-versa?
Quantos de nossa sociedade, médicos, já não deram ou forneceram a um “amigo” um atestado médico gracioso, somente para agradá-lo?
Quantos de nossa sociedade não possuem um carro ou mesmo uma casa financiada e estamos com uma, duas, três, ou mais parcelas atrasadas. E continuam se enganando pensando que tem algum bem?
Quantos de nossa sociedade já não mandaram dizer ao interlocutor do outro lado do telefone que não se encontrava em casa com o intuito de não atender a ligação?
Se fôssemos enumerar todos os tipos de mentiras existentes, iríamos encher muitas folhas. Realmente somos todos mentirosos. Continuamos tentando tirar um argueiro do olho de nosso próximo quando em nosso globo ocular tem uma coivara. Uma mentirinha ou uma mentira ou uma grande mentira continua sendo uma mentira. E todos nós já fizemos isto.
Fala-se muito em solidariedade, honestidade, fraternidade, igualdade, liberdade, honestidade. Quem não quer ser o mais direito, o mais honesto, o mais fraterno, o mais justo, etc. Será que somos? Quem tem a certeza que é realmente o que divulga? O que fala, ou o que faz?
Bem poucos fazem o que ensinam ou divulgam. E muitos agem totalmente diferentes do que passam para o seu próximo. Isto nada mais é do que um grande embuste. Se todos fizessem o que aprendem ou o que escutam os outros falarem, a sociedade mundial seria completamente diferente.
Ou muda-se de atitude drasticamente ou continuaremos habitando um mundo de fantasia, um mundo do faz de conta, um mundo de mentiras. Lembremos que as fadas e duendes não existem, nem nunca existiram. Branca de Neve e Cinderela estão grudadinhas nos livros de ficção. Coloquemos nossos pés no chão. Deixemos de ser uma mentira. Daí sobrevém os outros males que nos assolam.
Autor:José Arimatéia de Macêdo –
http://www.arimateia.com/

Arimatéia Macêdo por Ele mesmo::::
Eu nasci em Aurora, estado do Ceará e me criei no oco do mundo. Sou médico formado pela Universidade Federal do Ceará. Sou casado e tenho três filhos. Sou filho de Seu Vigário e de Dona Conceição. Fui iniciado maçom na Loja Maçônica Cavalheiros Spartanos N. 85, em Juazeiro do Norte, no Ceará.
Sou católico. Devoto do Padre Cícero e de Frei Damião. Acho bom ouvir Zé Ramalho, Lourinaldo Vitorino, Ivanildo Vilanova, João do Vale, Geraldo Azevedo, Luiz Fidelis, Paulo Diniz, Fagner, Xangai, Juraildes da Cruz, Genézio Tocantins, Vital Farias, Oliveira de Panelas, Moacir Laurentino, Louro Branco, Geraldo Amâncio, os irmãos João, Chico, Daudeth e Pedro Bandeira. Sem esquecer Luiz Gonzaga e Coronel Ludugero. Sou fã de Lampião e do Príncipe Ribamar.
Gosto de festa de vaquejada, mulher, forró. Adoro comer buchada de bode, sarapatel, batida, baião de dois, angu com peixe frito, carne de bode assada, rapadura e alfinim. Aprecio uma boa cantoria, maneiro-pau, e embolada. Amo Juazeiro do Norte. Não sou escritor. Sou um mela papel de tinta de impressora, pois hoje em dia não se usa mais lapiseira nem máquina de escrever Olivetti. Mas aprecio um bom texto. Moro em Gurupi, estado do Tocantins. (AM).

terça-feira, 28 de abril de 2009

Data: A Caatinga nossa de cada dia!


Nesta terça-feira, dia 28 de abril comemorou-se no Nordeste do Brasil o dia da Caatinga. Mas convenhamos... O que devemos mesmo comemorar? Se o bioma dos nossos sertões nordestinos vem sendo vergonhosamente castigado pela sanha destrutiva do bicho homem. Por sinal o único dos animais, que cabotinamente pensa que não é animal. O que devemos comemorar? Se o caos ambiental também se expressa com todas as suas cores pálidas e negras nos nossos grotões, até mesmo nos mais distantes das grandes metrópoles? O que se há de comemorar? Se a devastação a cada dia continua a crescer como um verdadeiro câncer a se abater sobre a fauna e a flora das nossas paragens interioranas?
Com que moral nós sertanejos da passividade, os acadêmicos da indiferença, os técnicos dos birôs a ar-condicionado, os latifundiários sedentos de vil metal? Os políticos fisiologistas, os cegos da imprensa-marrom, os pequeno-burgueses das cidades, os sulistas insensíveis, os ecochatos do pensamento tosco e mesquinho acostumados com suas frases feitas? Os covardes que a todos os demais se igualam justamente pelo teor da sua absurda indiferença. Então, o que de fato teremos que comemorar? Nossa caatinga está num processo acelerado de desaparecimento total. Só os cegos dos governos e da pós-modernidade não vêem o que está a ocorrer com os recursos naturais da caatinga nordestina e do Ceará em especial.
Grandes levas de espécies animais e vegetais ou já estão completamente perdidas ou em vias de desaparecerem para sempre. O processo de extinção das nossas espécies é hoje uma realidade que nos fura os olhos e arranha a nossa sensibilidade. Todo o desequilíbrio e a degradação dos ecossistemas planetários também se expressam na biodiversidade dos nossos sertões historicamente ao “Deus dará”.
Nossos rios, fontes e riachos passam todos por um intenso e avançado processos de destruição. Explorados que são pela fome de poder de todos aqueles que ainda não estão convencidos de que a natureza é vida e de é impossível se comer dinheiro. Desrespeitada que está pela insensatez e ignorância das pessoas, através de atitudes esdrúxulas como o desmatamento, as queimadas, a caça e a pesca predatória, a poluição dos nossos lençóis freáticos, pelas enxurradas de esgotos despejados nos nossos frágeis mananciais. E daí decorre todo o resto: assoreamento, erosão desenfreada, derrubada da mata ciliar, barramento indiscriminado dos nossos rios, extinção de espécies endêmicas, desertificação, estiagem prolongadas e cheias inexplicáveis entre outros fatores. Outras conseqüências incalculáveis ainda estão por vir. Pois, como bem disse o sábio tibetano, o simples bater de uma asa repercute pelo universo inteiro. Com a natureza acontece exatamente assim...
Mas, digamos, se não temos muito o que comemorar neste dia da Caatinga – um bioma exclusivamente brasileiro, único do planeta. Devemos pelo menos aproveitar este momento para uma reflexão profunda acerca da nossa relação histórica com a “mata branca” do sertão e seus recursos naturais. Quem sabe assim, possamos abrir os olhos para a catástrofe e o abismo que se avizinham e que estando todos, conscientes ou não, indo ao seu encontro. Quem sabe, também possamos despertar deste sono letárgico a que estamos todo submetido, quer seja, o da destruição total do próprio planeta. Talvez, se nada for feito no sentido da mudança dos nossos velhos paradigmas socioambientais, fatalmente experimentar do mesmo fim trágico que tiveram os dinossauros.
Que neste dia dedicado a caatinga possamos pelo menos reavaliar nossos princípios e nossa maneira de relacionarmos com a natureza e os recursos naturais da biosfera de um modo geral.
Vivamos então a Caatinga do Ceará e do Nordeste. Pois este bioma singular é, por assim dizer, o maior patrimônio do homem sertanejo e brasileiro.
Por: José Cícero
da redação do blog da Aurora e do JC
Aurora - CE.

Antibióticos: Um grande Dilema

Um dos graves problemas enfrentados atualmente pela ciência médica é o uso indiscriminado, muitas vezes desnecessário, e inadequado de antimicrobianos, o qual traz conseqüências funestas dentre elas o aparecimento da tão temida resistência microbiana.
A resistência microbiana tem como definição a capacidade que os micróbios patogênicos têm de burlar ou ludibriar a droga que é ingerida pelo enfermo para eliminá-los. Esse evento pode beneficiar qualquer germe causador de doenças nos seres vivo. Sejam eles bactérias, vírus ou fungos. Como foi primeiramente estudado em bactérias daí se notabilizou o nome de resistência bacteriana.
Essa resistência pode ocorrer por muitos fatores. Dentre estes se citam a indicação clínica incorreta dos antibióticos, a super ou subdosagem, a prescrição por pressão ou a pedido do cliente, a insegurança do médico, a ingestão errada por parte do paciente, a diferença da metabolização da droga em cada indivíduo, os antibióticos similares sem qualidade, etc. Além de verificar-se nos postos de saúde e até mesmo em clínicas privadas a prescrição de antibacterianos para tratar um resfriado comum, uma gripe, etc. Doenças que não necessitam deste tipo de procedimento.
Na primeira metade do século passado o médico escocês Alexander Fleming descobriu a penicilina. Naquela mesma época ele já descrevia a possibilidade dos micróbios estudados tornarem-se resistentes à penicilina em laboratório e que esse fenômeno poderia ocorrer no corpo humano. Infelizmente, a sua previsão se confirmou.
Mais de sessenta anos se passaram da descoberta do pesquisador Fleming e, embora esse conhecimento tenha avançado, a resistência microbiana é um gravíssimo problema de saúde pública, impondo dificuldades no tratamento das infecções. Assim, desde a descoberta da penicilina, o sucesso da terapia antimicrobiana tem sido, de certa forma, ofuscado pela resistência dos microorganismos.
O problema da resistência microbiana causado pelos motivos já citados é tão grave que, nas últimas décadas a indústria farmacêutica tem dispensados poucos recursos para a descoberta de novos antimicrobianos. A explicação é que os trabalhos de investigações nesse campo demandam muito tempo tornando-se caro e de risco elevado.
Levando-se em consideração o tempo de uso com eficácia da droga estudada, torna-se inviável devido a rapidez com que os agentes antes sensíveis adquirem resistência.
Para se ter uma idéia da gravidade do problema é interessante frisar que a aprovação pela Vigilância Sanitária Americana (FDA) de novas drogas antibacterianas foi reduzida em 56% nos últimos 20 anos. Dos antibióticos desenvolvidos nos últimos dez anos poucos ou nenhum têm atividade efetiva contra a bactéria Pseudomonas aeruginosa multi-resistente, que é responsável por muitos dos óbitos causados pelas infecções ditas “infecção hospitalar”.
Em todas as partes do mundo já existem germes multi-resistentes inclusive no Brasil. Esse problema é uma das grandes preocupações da Organização Mundial de Saúde. Especula-se que no máximo, em vinte anos um número enorme de microorganismo estará poli-resistente se continuar a desdenha com o uso dessas drogas. Se não ocorrerem mudanças drásticas de atitudes quanto ao manuseio adequado dos agentes antimicrobianos por parte dos médicos e demais prescritores, num futuro bastante próximo poderá haver infecção intratável com os antibióticos existentes.
Por derradeiro, faz-se necessário a participação de todos na discussão e resolução desse grave problema. A imprensa com seus tentáculos de chegar a todos os lugares; O poder público com o direito de chegar aonde quiser para o bem da comunidade; A sociedade civil organizada que são os verdadeiros interessados. E especialmente, os protagonistas que são os profissionais da saúde e os pacientes/clientes os quais podem modificar sobremaneira os fatores enunciados. Prescrever antibióticos não deve ser fácil nem muito menos banal para o prescritor, nem deve ser simples para o usuário tomá-los. Isto é muito grave e deve ser encarado sem sofisma e sem fantasia antes que sobrevenha o pior e seja tarde.
Autor: José Arimatéia de Macêdo –
Médico (filho de Aurora-CE e residente em Guripi-TO

1 comentário do JC:::

Creio que temas como este deveriam ser mais debatidos junto a nossa sociedade. Pois, como sabemos a automedicação é de uso corrente em toda população brasileira. O que não é nada salutar. Todavia, a questão relacionada ao uso indiscriminado dos antibiótico, ao meu juizo, multiplica o problema por 1000 posto que favorece a resistência microbiológica e, consequentemente a criação/surgimento da temível super-bactéria. Então, voltaremos a estada zero na histórica(microbiótica) quando o grande Alexande Fleming não havia ainda, por acaso, descoberto a dádiva da penicilina. Com a super-bactéria precisaremos descobrir por acaso ou não, uma substância que possa combater esta, que agora, já começa a não ser apenas uma ameaça, porém uma triste realidade. Coisas da velha humanidade... Basta vermos a gripe aviária e agora, a temível gripe suína. Que Allá nos proteja e guarde. Parabéns nobre doutor!
Prof. José Cícero/Aurora - CE.
Da Redação do Blog da Aurora e do JC.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Planejamento Educacional: Uma abordagem racional e científica dos problemas*

Talvez seja melhor começar por dizer o que não é o planejamento educacional. Não é uma panacéia miraculosa para os sistemas de ensino que sofrem de males diversos; não é uma fórmula que se possa aplicar a todas as situações, sem levar em conta as suas particularidades. Não é, também, uma conspiração para suprir as liberdades e prerrogativas dos professores, administradores e estudantes, nem um meio de permitir a um pequeno grupo de tecnocratas usurpar o poder de uma sociedade para escolher e decidir a respeito dos objetivos, das orientações e das prioridades para a educação. Não é, tampouco, um exercício gratuito em que se negligenciem, ao mesmo tempo, as características fundamentais da educação e o seu fim último: o homem e uma vida humana plenamente realizada.O planejamento educacional é, antes de tudo, aplicar à própria educação aquilo que os verdadeiros educadores se esforçam por inculcar a seus alunos: uma abordagem racional e científica dos problemas. Tal abordagem supõe a determinação dos objetivos e dos recursos disponíveis, a análise das conseqüências que advirão das diversas atuações possíveis, a escolha entre essas possibilidades, a determinação de metas específicas a atingir em prazos bem definidos e, finalmente, o desenvolvimento dos meios mais eficazes para implantar a política escolhida. Assim concebido, o planejamento educacional significa bem mais que a elaboração de um projeto: é um processo contínuo, que engloba uma série de operações interdependentes.Definição mais precisa dos objetivos da educação. Um sistema de ensino, cujos objetivos são imprecisos, é como um barco que navega sem destino: não podendo fixar sua rota, acaba geralmente por se locomover em círculos. Refletindo o conceito que a sociedade faz do próprio futuro, os objetivos educacionais de um país devem, evidentemente, ser fixados pelo conjunto desta sociedade e pelos dirigentes que ela escolheu. Devem exprimir fielmente os valores fundamentais da sociedade – valores morais, culturais e estéticos – e considerar os diversos papéis que o indivíduo pode ser chamado a desempenhar enquanto cidadão, trabalhador ou membro de uma família. Os responsáveis pelo planejamento educacional podem ser úteis, insistindo sobre o fato de que estes objetivos devem ser suficientemente precisos a fim de permitirem a determinação de medidas apropriadas. Podem também insistir com proveito para que os diversos objetivos formem um todo coerente e obedeçam a uma ordem de prioridade, já que é impossível atender a todos rápida e simultaneamente. Devem, finalmente, assegurar-se de que a definição dos objetivos e a fixação de uma ordem de prioridade sejam consideradas tarefas permanentes e se tornem objeto de revisões periódicas.
Planejamento
As idéias de planejamento são discutidas amplamente em nossos dias. Numa resenha bibliográfica em torno do assunto, encontramos algumas posições diferentes entre os autores. No entanto, em dois aspectos há acordo unânime, isto é, consideram planejamento a previsão metódica de uma ação a ser desencadeada e a racionalização dos meios para atingir os fins.Planejamento, na sua acepção mais ampla, sempre abrange uma gama de idéias. Por si só não constitui a fórmula mágica que soluciona ou muda a problemática a ser resolvida. Exige uma busca cada vez maior de estudos científicos que favoreçam o estabelecimento de diretrizes realistas. Nunca devemos pensar num planejamento pronto, imutável e definitivo. Devemos antes acreditar que ele representa uma primeira aproximação de medidas adequadas a uma determinada realidade, tornando-se, através de sucessivos replanejamentos, cada vez mais apropriado para enfrentar a problemática desta realidade. Estas medidas favorecem a passagem gradativa de uma situação existente para uma situação desejada.Nessa perspectiva, vemos que planejamento é:um processo que consiste em preparar um conjunto de decisões tendo em vista agir, posteriormente, para atingir determinados objetivos ; euma tomada de decisões dentre possíveis alternativas, visando atingir os resultados previstos de forma mais eficiente e econômica .O planejamento requer que se pense no futuro. É composto de várias etapas interdependentes, as quais, através de seu conjunto, possibilitam à pessoa ou grupo de pessoas atingir os objetivos.É a base para a ação sistemática. É utilizado na área econômica, social, política, cultural e educacional, permitindo o maior progresso possível, dentro da margem de operação definida pelos condicionamentos do meio.
Planejamento Educacional
A educação é hoje concebida como fator de mudança, renovação e progresso. Por tais circunstâncias o planejamento se impõe, neste setor, como recurso de organização. É o fundamento de toda ação educacional.A educação, por ser considerada um investimento indispensável à globalidade desenvolvimentista, passou, nos últimos decênios de nosso século, a merecer maior atenção das autoridades, legisladores e educadores.Amparados em legislação pertinente, foram desencadeados processos de aceleração, principalmente no que diz respeito à expansão e melhoria da rede escolar e preparação de recursos humanos.O planejamento educacional põe em relevo esta área, integrando-a, ao mesmo tempo, no progresso global do país.Nessa ampla perspectiva constatamos que planejamento educacional é:processo contínuo que se preocupa com o “para onde ir” e “quais a maneiras adequadas para chegar lá”, tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras, para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades do desenvolvimento da sociedade, quanto as do indivíduo ; eprocesso de abordagem racional e científica dos problemas da educação, incluindo definição de prioridades e levando em conta a relação entre os diversos níveis do contexto educacional.
Nelson Valente
O autor é professor universitário, jornalista e escritor
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

História: Prefeitura de Aurora adquire antigo Casarão da Reffsa

Prefeitura de Aurora adquire prédio antigo preservando patrimônio histórico do município
A Prefeitura de Aurora acaba de conseguiu a aquisição do prédio histórico conhecido popularmente com 'o Casarão da Reffsa". O antigo prédio serviu durante muito tempo com residência do agente da rede ferroviária quando o trem ainda era uma realidade em toda região. Edificado no inicio da década de 20, o velho casarão constitui uma verdadeira relíquia. Um testemunho vivo de parte importante da história de Aurora. Por pouco, não toma o mesmo destino do Galpão da Reffsa e da Cadeia Pública do município. Ambos demolidos há mais de 10 anos.
Sabedor da importância da preservação da memória histórica e cultural, o prefeito Adailton Macêdo decidiu pela aquisição da casa do agente atendendo a uma das primeiras propositivas da Seculte-Aurora.
O prédio está em estágio avançado de reforma e, conforme o secretário de cultura do município, o professor José Cícero, as obras se estendem igualmente ao prédio da Estação. O primeiro abrigará a sede da secreatria, albergando os departamentos de Cultura, Turismo e Esporte. Além de possibilitar um adequado espaço para Exposições permanetes, oficinas de artes e ofícios, bem como de lazer e entretenimento cultural. "Vamos criar novos espaços para nossos artistas e artesãos", disse o chefe da pasta. O casarão será por assim dizer um verdadeiro propulsor do novo movimento sóciocultural de Aurora.
O titular da Seculte, comemorou a aquisição do prédio por ser pesquisador e estusiasta da preservação da história de Aurora. Quanto à estação ferroviária, a idéia é abrigar a bibliotca Pública que terá seu acervo ampliado. O segundo salão da estação servirá a Ilha Digital e o centro um museu, espaço público-cultural e praça de alimentação(centro gastronômico valorizando a rica culinária local), disse o secretário. "Temos um projeto mais extenso com vistas ao tombamento de outros espaços históricos, a exempo do próximo, que será o antigo prédio que serviu como residência ao fundador de Aurora - Cel. Xavier, que remonta os idos de 1731, Além da estação e a casa do agente do distrito de Ingazeiras, finalizou.
Por: Luiz Neto Xetão
Aurora-CE

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Caso Dorothy Stang: Organizações elogiam decisão judicial


fotos:(1) Cartaz Instituto Dorothy e (2) a freira no lombo do animal rodeada de crianças na Amazônia
Organizações da sociedade civil receberam com entusiasmo o julgamento do Tribunal de Justiça do Pará que anulou ontem (7) a decisão do júri que absolveu o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, da acusação de ser um dos mandantes do assassinato da missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang.
O coordenador do Comitê Dorothy Stang, Dinailson Benassuly, disse que o resultado "traz de volta a esperança de que a Justiça realmente prevaleça". Para ele, o Pará tem a chance de quebrar um estigma que mancha a reputação do Estado: não punir mandantes de crimes no campo.
Além da prisão do fazendeiro, a organização também pede justiça para outro participante do crime. "Além de Bida, também exigimos a punição de Regivaldo, outro responsável pelo crime e que até hoje não sentou no banco dos réus", afirmou Benassuly.
Segundo O Globo, as irmãs da Congregação de Notre Dame de Namur, a qual pertencia a Dorothy, comunicaram a decisão aos parentes da missionária nos Estados Unidos. Por telefone, David Stang, irmão de Dorothy, disse que ficou feliz com a decisão.
Na mesma sessão os desembargadores decidiram anular também o julgamento de Rayfran das Neves, que foi condenado a 27 anos de prisão como executor da religiosa. No entendimento dos desembargadores, os jurados não levaram em consideração a qualificadora de promessa de recompensa, pois na época do julgamento eles acreditam que a Promotoria não conseguiu provar que Rayfran receberia recompensa em dinheiro pela morte da religiosa. Se isso tivesse ocorrido, a pena de Rayfran poderia ser maior.
No caso de Bida, a Justiça entendeu que o julgamento deveria ser anulado porque a defesa usou uma prova ilegal, quando exibiu um vídeo com um depoimento onde outro participante do crime inocenta o fazendeiro. A decisão se deu devido a prova ter sido incluída nos autos sem o conhecimento do juiz e do Ministério Público.
Defesa
O advogado do fazendeiro, Eduardo Imbiriba, disse ao jornal Folha de S. Paulo que seu cliente é inocente e que entrará com recursos para reverter a decisão do tribunal.
Segundo Imbiriba, os recursos devem ser protocolados no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Em relação ao mandado de prisão expedido pelos desembargadores, ele afirmou que na segunda-feira vai entrar com um pedido de habeas corpus no STJ para que Bida seja solto.
O caso
Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros no dia 12 de fevereiro de 2005, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu (PA).
O fazendeiro Bida foi acusado de ser mandante do crime e condenado a 30 anos de prisão no dia 15 de maio de 2007. Porém, a decisão do de júri popular o absolveu desta acusação, em maio de 2008. Com o julgamento o TJ do Pará, que anulou a última decisão, os desembargadores mandaram prender imediatamente o fazendeiro até que um novo julgamento seja realizado. Bida deverá ser encaminhado para a Penitenciária Estadual Metropolitana (PEM III), em Americano (PA). Fonte: Amazônia.org - A.L /Vermelho.org.br

terça-feira, 7 de abril de 2009

Professor Tarciso Leite comenta artigo de José Cícero

PREZADO prof. JOSÉ CÍCERO E MUI DIGNO SECRETÁRIO DE CULTURA E TURISMO DE AURORA,
Li e reli seu substancioso artigo, de (4/4/09 no Blog da Aurora), onde analisa e critica o processo de desenvolvimenhto como é visto e dinamizado em nossa sociedade contemporânea, sob comando do capitalismo ou neo-liberalismo...Endosso seu ponto de vista e suas críticas bem fundamentadas. O desenvolivmento, que segundo Karl Max é um "imperativo histórico", devia ser melhor orientado e conduzido, para evitar "tanta exploração do proletariado pela burguesia megalomaníaca, ambiciosa, alienada e desumana". (Das Kapital). Seu artigo dá muito o que refletir, e uma discussão sobre os tipos de sociedades existentes no mundo contemporâneo, inclusas as "subdesenvolvidas e párias" da África, as em "via de desenvolvimento" da Ásia e da América Latina, as que se consideram "desenvolvidas e berço da civilização ocidental": Européias e as que se vêem como protótipos de "sociedades altamente desenvolvidas", como as Norte-americanas...
Parabéns! temos que tentar desenvolver o mundo dentro de uma visão mais humana, igualitária, sem disparidades continentais, regionais, nacionais e sócio-culturais... Temos que descobrir como contribuir para dirimir esta triste situação globalizada, injusta e desequilibrada. Sempre acho que nós, os "conscientes desta realidade", frequentemente vamos na mesma corrente, sem muito fazer para tentar mudar o perfil mundial e descobrir novos horizontes para realizar algo de concreto com o surgimento de uma "nova humanidade". Avante! Tentar conscientizar os outros já é um passo... Mas, por onde começar o alicerce novo desta "nova humanidade"?
Breve estarei em Aurora: Semana Santa.
Abraço do professor conterrâneo,
Tarciso Leite.
Fortaleza - CE.

sábado, 4 de abril de 2009

Ação Globalizada com Identidade Priorizada

Creio que urge a necessidade da informatização na escola, pois é um novo renascer para a auto-afirmação do estudante com os valores culturais permeados no espaço geográfico e social.
É mister afirmar que a globalização é uma ferramenta de grande valia para o desenvolvimento epistemológico da humanidade. Entendo que a internet é base para a expansão continuada do conhecimento de forma uniforme nas diferentes camadas que formam a sociedade, para o aprimoramento intelectivo dos agentes envolvidos.
Igualmente, vale ressaltar que a uniformidade do poder online, teria um agente motivador contínuo, com a postagem do conhecimento local do aluno; as tomadas de atitudes ligadas a cultura local, a história, a literatura, as artes e o conhecimento de uma forma geral. Pois de posse de sua identidade cultural educacional afirmativa, ai, sim as portas do mundo à luz da internet aberta, todo o patrimônio regional e global continua a pulsar vivo nas entranhas da sociedade, que além da identidade do eu no espaço tempo, um rumo de pensar positivamente para o bem estar da coletividade humana.
Por - Luiz Domingos de Luna
Professor, Poeta e Pensador.
Consultor da Revista Aurora