sexta-feira, 10 de julho de 2009

Estradas: A buraqueira que nos cabe e estamos dentro

Por: José Cícero

Era uma vez uma estrada.
Algo que nos proporcionava alegria
E às vezes até esperança porque era sinônimo de futuro
E de progresso: BR-116
Rodovia pomposa conhecida, famosa - Santos Dumont.
Uma vontade forte de avançar, seguir sempre em frente.
A estrada era como se fosse artérias e veias
A irrigar toda a vida da nossa sociedade.
Uma estrada que nos ligava ao mundo
assim como ao nosso próprio sonho de grandeza.
Uma promessa firmada com o encontro possível.
Que agora, não passa de um buraco gigante
a instigar nossa raiva e nossa (des)confiança.
Um atentado. Um grito silencioso de protesto.
Uma vergonha explícita. Uma afronta...
Um desrespeito a toda sociedade cearense
E do Cariri em especial.
Uma tácita declaração de que paciência tem limite.
Quem ver e passa nas nossas estradas hoje,
não se sentirá parte dela como dantes.
É como se estivéssemos sobre o solo lunar
Sequer com a presença de São Jorge no seu cavalgar.
Se é verdade que governar é construir estrada;
Estamos todos sob o regime de Bakunin.
Somos para o todo e sempre seres ingovernáveis.
Nossas estradas é um câncer em acelerado processo de evolução.
Uma praga a ferir de morte todo o nosso bom senso.
Uma evidência concreta de que o povo
Ainda permanece no extenso rol dos esquecidos.
Enquanto isso, eles, os políticos, preferem o avião.
Ora bolas, para que serve o povo?!
O povo só presta para votar?
Ano que vem tem mais eleição.
E as estradas devem permanecer assim: uma lástima.
Um testemunho vivo, em carne e osso,
Do péssimo tratamento dado à população.
Porém com elas, eles tentarão justificar seu peditório
resta saber se serão ouvidos e atendidos.
E se o forem, o problema não mais serão com eles.
Um país que não trata bem suas estradas
Esquece dos seus habitantes.
Não pode sonhar com a utopia de se sentir grande, livre, soberano
E, tampouco moderno.
Um país que não trata com zelo suas rodovias;
É como se estivesse o tempo todo de costas para sua gente.
Um país sem estrada é uma nação fadada ao atraso.
A buraqueira onde o dia existiu uma estrada
Agora é uma prova inconteste
da nossa incapacidade de se indignar.
Os buracos das nossas estradas é um aleijão
Que nos impossibilitar do eterno caminhar e de pensar grande.
Um tacão, uma algema, uma prisão.
Algo que vai de encontro ao próprio direito de ir e vir.
Um país sem estrada,
promove um atentado contra a cidadania.
Um ato a sufocar a própria democracia e o estado de direito.
Uma chaga aberta, sangrando.
Um desrespeito sem tamanho.
Um estupro a nossa inteligência e liberdade.
A buraqueira é a mentira estampada
Como em outdoors a se espalhar por nossa cara
Mostrando-nos enfim, o quanto somos lenientes,
indiferentes, insensíveis às grandes causas sociais.
Quem precisa usar nossas estradas, hoje,
Como lida cotidiana e meio de vida
está desde muito, submetido a uma via-crúcis das mais penosas.
Além de ter que enfrentar outros males perigosos
Como assalto, acidentes, prejuízos financeiros com os veículos,
bem como até mesmo a política propina viciada...
Ou não podemos falar sobre isso?
Mas todos sabem do que estou falando.
A propina é uma prática antiga nas nossas estradas...
Uma política literalmente institucionalizada.
A que os motoristas passaram a encarar como normal.
Se não tivesse desmantelado o transporte ferroviário
Quem sabe o fantasma da buraqueira pudesse ser amenizado.
Mas não. O transporte rodoviário é um compromisso com o lobby
Dos poderosos do setor.
O setor rodoviário gera votos e garante
a manutenção e permanência de muitos que estão lá em cima,(no céu de brigadeiro)
batendo no peito se dizendo representantes dos oprimidos.
O que temos agora é apenas um buraco, quanto muito, cheio de caminhos.
Mas, perguntemos: a quem pode interessar tudo isso?
Por que o descaso explícito?
Ao povo sabemos que não interessa este caos.
Os buracos das estradas precisam está presentes
No palanque em 2010 pedindo votos de novo.
O buraco é um atestado da nossa incompetência bizantina.
Da nossa insensibilidad, da nossa conivência.
Da nossa calma, da nossa (des)importância.
Da nossa absoluta falta de poder, consideração,
Vez e voz junto aos potentados do poder.
O buraco das estradas é uma ferida em carne viva.
Gangrenando a nossa capacidade de protestar e de reagir.
O buraco é todo projeto dos governos que não nunca saem do papel.
O buraco é o tratamento de choque dado ao povo
Como um permenente exercício de paciência.
Uma indecência, um crime, um roubo, um estelionato eleitoral.
Um crime hediondo, um sacrilégio, um atestado de incompetência.
Será que estão querendo um pretexto para entregar nossas estradas
Ao setor privado? Às aves de rapina da economia brasileira?
De olho no nosso parco dinheiro?
Será que estão querem usá-las como moeda de troca nas eleições que se avizinham?
Como se ver, todo cuidado é pouco.
Precisamos enxergar tudo isso nas entrelinhas
Antes que seja tarde.
Boas estradas não é caridade para com o povo. Porém um direito.
O mínio que o governo pode e deve fazer pela sociedade que o elegeu e sustenta.
Uma estrada de qualidade será sempre o fiel retrato da nação
e, sobretudo, a cara de quem a governa.
Que os políticos coloquem os pés no chão do nosso interior.
Que os políticos olhem para baixo.
E quem sabe consigam avistar as formiguinhas na sua faina da sobrevivência.
Que enxerguem o óbvio. Pois a estrada agora é vicinal...
Negra é a inteligência e a visão de todos eles.
Todo o progresso depende necessariamente das nossas estradas melhoradas.
Não tê-las é simplesmente aceitar a realidade do atraso,
Incompetência e malversação dos nossos impostos e dos recursos públicos.
Os buracos das nossas estradas se parecem a cada dia,
Com os discursos fisiológicos dos nossos políticos carreiristas.
Nossas estradas só servem hoje para os aviões dos magnatas do poder e do capital.
Os buracos das estradas é a prova de uma nação fragilizada
e que não tem ( e nem demonstra) compromisso com o futuro.
Um crime, um delito cometido contra cada cidadão.
Portanto, um crime de responsabilidade. Um agravo à sociedade.
Queremos estrada como um direito elementar dos que ainda acreditam nos políticos
Assim como na perspectiva de um futuro de progresso e desenvolvimento para o Brasil...
Quem casa, quer casa. Quem viaja e sonha, quer estrada.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Aurora e Lampião: objetos ou Sujeitos da sua própria história?

Por: José Cícero


Por mais de uma vez, Virgulino Ferreira da Silva, Lampião – o rei do cangaço - estivera no município de Aurora. É certo pensar que algum motivo de caráter superlativo atraíra o célebre bandoleiro pernambucano para as terras aurorenses. Senão, por que a redundância das vezes que esteve em visita e em descanso na ribeira salgadiana? O que lhe atraia tanto para este município? Eis a pergunta que não quer calar...Vale lembrar que Lampião estivera em Aurora dois anos antes(1925) com passagem pelo Tipi, Monte Alegre, Catingueira e Taveira. Outras datas ainda carecem de registros mais apurados, todavia ocorreram de forma discreta, posto que não tiveram a devida repercussão em face da ausência de outros confrontos tal qual o de junho/julho 1927.
No entanto, uma das vezes mais notória aconteceu no início de junho de 1927 quando na Ipueiras de Zé Cardoso, sobrinho do conhecido Izaias Arruda, então coiteiro de grande confiança de Lampião. Lá foi onde se deu toda a logística e trama para o malfadado e famoso ataque a Mossoró-RN, na época, considerada a segunda maior cidade do interior daquele estado. Fato ocorrido no dia 13 de junho de 1927 às 16 horas.
De Aurora o bando levaria, além de um otimismo exagerado, farta munição desviada por Izaias dos chamados “Batalhões Patrióticos” criado durante o governo Artur Bernardes para o combate à Coluna Prestes. O fruto do assalto ao Banco do Brasil de Mossoró seria dividido entre os três empreendedores da Ipueiras. De cara Izaias já recebera trinta e cinco contos de réis pelo armamento fornecido. Como se nota, não era um investimento de risco.
O retorno do Rio Grande do Norte para Aurora se deu por absoluto instinto de sobrevivência... Vez que com o malogrado ataque a Mossoró, Lampião e seu bando sofreram um revês dos mais humilhantes e significativos. Estavam acuados e em frangalhos. Várias baixas foram sentidas, tanto no aspecto moral quanto no seu poder de fogo, posto que o seu quantitativo de confronto ficou seriamente comprometido, notadamente pelas deserções que se seguiram, a começar pelo grupo de Massilon. Não houve escolha. Aurora lhes daria arrego. Afinal, aqui deixara, além de amigos; coiteiros fidedignos. Deve ter pensado Lampião quando foi acossado pelas saraivadas das balas mossoroenses e seguidamente durante os confrontos com as volantes interestaduais. Porém a invencibilidade de Lampião ainda estava à prova. Com pouco mais de 30 homens ele enfrentara um contingente de 300 praças do RN, Limoeiro até o solo caririense. E ainda teria a sua espera em Aurora cerca de 87 jagunços do coronel e mais de 150 praças oficiais em várias emboscadas que se seguiram.
Depois deste episódio Lampião e sua hoste nunca mais seria o mesmo. Perdera uma das suas mais importantes qualidades: o respeito, além da sua famigerada invencibilidade. O medo começava a partir dali, a vencer a auto-confiaça de um grupo inteiro, menos a do seu líder. Era ele um exemplo da persistência e da coragem em pessoa. Mesmo após ter perdido os valentes Jararaca, Colchete e Xexéu, Lampião ainda se mostrava impávido. A morte rondava os cangaceiros como um fantasma danado. Um cão sardento a seguir os passos do bando nos grotões cearenses. O moral do pequeno grupo estava ao nível do chão. E Lampião do alto da sua inteligência e experiência sentia exatamente isso nas suas entranhas e sentimentos. À pulso tentava esconder tudo isso por trás do seu gesto guerrilheiro. Não transparecia para os seus comandados nada que se parecesse negativo para a auto-estima do seu pessoal. Sua valentia era de um leão enfurecido abrindo passagem a todo custo em plena caatinga do Ceará. Por quase um mês os cangaceiros foram perseguidos desde o ataque à Mossoró até o município de Aurora e a Paraíba. Foram combates sangrentos quase sem trégua o que exigia dos “jagunços” uma resistência sem limite. Acuados por várias frentes de batalha, Lampião teve que agir rápido. O jeito foi derivar para os lados do Cariri com os pensamentos voltados para Aurora como verdadeira tábua de salvação. E em 1º de julho adentraram os limites aurorenses pelo vizinho município de Lavras da Mangabeira na altura do sítio Olho d’água das Éguas na serra da Várzea Grande. Após um pequeno descanso, o bando segue pelo Bordão de Velho e Malhada Funda onde todos se alimentam. Um boi e três ovelhas são sacrificados para a alimentação dos cangaceiros que há dias não sabiam o que era comer com fartura e tranqüilidade. A fome e a sede agora, não era mais problema.
O ataque a Mossoró
O mito do rei do cangaço começava ali, nas plagas norte-riograndense a desmoronar. A evidenciar os primeiros sinais da sua fragilidade, da sua exaustão, até então desconhecida para os que se sentiam donos absolutos de uma situação, bem como de uma terra onde a lei, quando se supunha que existisse, estava sempre a serviço dos mais fortes. Nunca em favor dos oprimidos e injustiçados pela vida e pela sorte.
O governo, a volante e os povos dos sertões adentro, começava também a se darem conta de que as investidas, assim como a própria existência do Lampião podiam ser barradas, combatidas de igual para igual. Teriam um basta. Um fim. A depender da coragem e da ousadia dos homens comuns, de carne e osso do próprio sertão até então, ao Deus dará. Neste conflito as gentes dos sertões pagaram um preço dos mais altos. Foram a um só tempo, protagonistas e vítimas de um corolário de injustiças cometidas por ambos os lados. Há quem diga, inclusive, que em alguns casos, mais por parte dos policiais do que dos próprios bandoleiros cangaceiristas. A narrativa do cangaço não pode ser expressa pelo prisma nem tanto dos anjos e tampouco pelos dos demônios. Haja vista ter sido toda ela uma construção cotidiana alicerçada pela condição humana em meio a ignorância, a estupidez, a ganância, os equívocos e a fragilidade sentimental do gênero humano.
Por conseguinte, Aurora, como se ver, parece não ter dado muita sorte aos propósitos lampiônicos. Mesmo se sabendo que não era a intenção precípua do famoso cangaceiro invadir a urbe de Mossoró. Tudo foi idéia do Massilon Leite. Um pseudo-estrategista que até então conquistara a admiração e o respeito do rei do cangaço não por muito mérito, mas pela suas invencionices mirabolantes. Coisas que o rei o capitão Virgulino pensava ser verdade. Depois por uma série de embuste e mania de grandeza. Massilon não passara de um bom falastrão. Um homem cuja lábia o servia muito mais que a própria arma e ousadia. Um fino observador das estradas e da vida dos coronéis, vez que era, além de bandoleiro, também almocreve. Um propagandista de mão-cheia, que sempre que podia usava o recurso da linguagem exagerada e, portanto, nem sempre verdadeira, mas em favor dos seus interesses lucrativos. Um homem cuja capacidade inventiva atraíra até o próprio Lampião – um cético em potencial que costumava por princípio desconfiar da sua própria sombra. Mas foi assim. A leitura falsa e florida que Massilon fizera de Mossoró foi uma verdadeira peça teatral para a qual Lampião e sua turma não estava suficientemente preparada para absorver com as devidas nuances da verdade. Faltou o princípio da precaução. A devida avaliação objetiva dos fatos. Uma análise estratégica da investida. O suposto Eldorado traçado maquinalmente por Massilon inebriou a todos, qual cachaça envelhecida em túnel de cedro. Ao ponto de Lampião e seus comandados anteciparem o prazer daquela que seria (na cabeça de todos eles) uma vitória fácil. Favas contadas... Mais uma a ser colocada no rol da fama do nobre capitão. Mas, ao que tudo indica, Massilon sabia que não era assim. Por algum motivo ainda não devidamente explicado e conhecido, o fez jogar seu amigo Lampião com sua gente numa verdadeira armadilha. O desiderato de se atacar Mossoró e adjacências foi, por assim dizer, um clássico caminhar de mocós em direção a tábua do forjo. Um fiasco com todas as letras, como o bando jamais havia executado. E Lampião, mesmo com sua cartilha do ‘confiando desconfiando’, seguiu com seu bando como gado a caminho do matadouro. E Massilon era em suma, o condutor em potencial desta boiada suicida. Resta saber com que interesse Massilon engendrara tal empreitada insana. Um projeto que já soara fracassado deste o princípio. Estava ele mancomunado com os interesses do Governo? Queria passar a perna em Lampião? Receber algum tipo de recompensa e, em seguida tentar ocupar seu lugar na história do cangaço nordestino? Estava a serviço do Cel. Izaiais Arruda que almejava consolidar seu apoio político junto ao governador e ao mesmo tempo obter lucros financeiros com a derrota de Lampião? Por que estaria pulsilanimente enviando Lampião para o cadafalso? O que ganharia com tal propósito? Que ligação teve ele, com a célebre tentativa de envenenamento de Lampião e seu bando, dias depois em Aurora, durante um banquete oferecido graciosamente como noutras vezes no sitio Ipueiras, propriedade de Izaiais? Como se percebe toda uma trama envolvia os fatos que em seguida ocorreram. Acontecimentos que até hoje, ainda não foram devidamente explicados.
A Traição para com o rei do cangaço
De fato, na história do cangaço não era possível a construção duradoura de amizades sólidas. Amigo era quase sempre um artigo que tinha vida efêmera. Não eram amigos apenas cúmplices. Um jogo de interesse que transcorria ao sabor dos acontecimentos. Era um eterno andar sob areia movediça. A lógica dos fatos nos apontava isso. A começar pela maneira como terminou a grande relação de amizade que(supostamente) existia entre o rei do cangaço e o Cel. Izaias – um dos maiores coiteiros que Lampião mantinha a peso de ouro nestas bandas dos sertões do Cariri cearense. Sim. Nada era de graça quando se envolvia com os negócios lucrativos do cangaço guiado na maioria das vezes pela teoria macabra do roubo e da pilhagem.
Tanto que em Aurora, Lampião se sentia como que em casa. Com um ingrediente a mais: aqui ele se sentia seguro e em plena mordomia, em face dos verdadeiros banquetes que lhe eram oferecidos pelos potentados do lugar. E não diga que era apenas da parte do famoso coronel. Isso não. As regalias assim como os presentes dispensados aos bandoleiros iam muito além dos préstimos oferecidos pelo Sr. Izaias Arruda. Aqui nas terras aurorenses, Lampião parecia mais querido que odiado. Não se sabe se por temor ou pura admiração dos seus feitos cantados e decantados pelo Nordeste adentro. O certo é que em Aurora Lampião promoveu seguidores ao passo que verdadeiros bandos nasceram e atuaram anos a fio por estas ribanceiras. Inclusive de jagunços sanguinolentos, como verdadeiras milícias profissionais à serviços dos coronéis do latifúndio. Basta dizer que do subgrupo de Massilon muitos eram naturais d’Aurora principalmente da região das Antas tais como: Zé de Lúcio( o Três Pancadas), José de Roque e Zé Cocô, só para citar alguns. Um outro pequeno grupo tivera a participação do famoso Róseo Fidélis das bandas da Ingazeiras.
Contudo, mesmo desconfiado como era sua praxe, Lampião nunca esperaria uma traição que viesse dos seus amigos das Auroras. Estava redondamente enganado. O tempo não tardaria a lhe provar o contrário em três grandes momentos distintos. A estratégia traçada aqui para a invasão de Mossoró, o ataque da volante sofrido no sítio Ribeiro e o suculento banquete(envenenado) oferecido na Ipueiras – fazenda-vivenda pertencente a José Cardoso, parente do famoso coronel Izaiais Arruda que terminaria com um cerco policial e o ato incendiário ao bando de Lampião.
Mas, de certa forma Lampião com sua perspicácia saíra quase incólume de todas elas. Não totalmente ileso, mas salvara a sua vida e dos seus próprios apaniguados no seu conjunto(com pouquíssimas baixas). Uma saída possível do cerco da Ipueiras onde tombou o cangaceiro Xexéu. As baixas que tiveram foi o preço mínimo que pagara para não sofrer uma derrota ainda mais completa e humilhante. A fome, a sede, o cansaço, a falta de munição e o verdadeiro desmantelamento dos armamentos. Tudo isso somado redundou no enfraquecimento e quase fim do bando lampiônico naquele momento singular na história de Virgulino Ferreira. Seu know-how de homem estrategista ajudara a escapar de todas as armadilhas e confrontos com as volantes, mas o batera sensivelmente. Lampião não estava preparado para a derrota. Neste sentido Mossoró e Aurora comprometeram para sempre os sólidos princípios da velha ousadia do cangaço lampiônico.
A estratégia genial de Lampião na geografia da caatinga
No dia 7 de julho saíram às pressas da Ipueiras. O ziguezague que a partir dali realizou no território aurorense foi algo só digno a um profundo conhecedor da nossa caatinga. Na sua segunda marcha, Lampião seguiu na direção do Sudeste, Serra do Coxá, Ingazeiras. Após a traição de Ipueiras Lampião seguiu para a serra do Góes já na divisa com Caririaçu indo pelas bandas do Pau Branco atravessando o Salgado na altura do sítio Barro Vermelho, passando pelo Jatobá, Brandão e pernoitando em Vazantes. De lá se dirigiu para a serra dos Quintos e no dia 9 para a serra dos Góes adentrando o município de Milagres transpondo a linha de ferro na localidade de Morro Dourado ainda em Aurora. Uma volta que envolveu todo o perímetro do território aurorense. Esta estratégia deixou completamente perdidos os que lhe caçavam a ferro e fogo. Dali conseguiu penetrar sem ser incomodado no estado da Paraíba pela a serra de Santa Inês. Um fino estrategista militar. Dera um banho de conhecimento geográfico e topográfico nas diversas frentes policiais que tentaram cercá-lo no Cariri e alhures, sobretudo nas saídas para Paraíba e Pernambuco. Este tino de rasgar os sertões com exímia perícia era uma coisa admirável no ‘Che Guevara’ dos grotões nordestinos. Foi um notável também neste aspecto. Esta capacidade talvez, o tenha ajudado bastante nas incursões que fizera com sucesso durante os anos que se aventurou pelas íngremes e inóspitas regiões do Nordeste. Lugares que até então, nenhum cristão da capital havia posto os pés e nem sequer ouvido falar. Porém por conta de Lampião, estava lá nos jornais da época, na pauta dos governos na boca da sociedade, malgrado a crítica contra ou a favor do Virgulino. Por tudo isso, o cangaço ajudou de alguma maneira, a denunciar o sofrimento dos sertanejos abandonados pela sorte e pelo poder e a excludência social numa época em que o Brasil quase sempre não passava do Litoral.
Lampião e sua admiração por Aurora
Mas digamos que o Cariri no geral e Aurora em particular conquistaram a admiração e o apreço do bandoleiro. Mas a propósito, quais as motivações que o levaram a isso? A figura afamada do padre Cícero do Juazeiro? O difícil acesso das volantes? O quase isolamento geográfico? Mas, a estrada de ferro? O rio Salgado? A truculência dos coronéis? A fome, a miséria e a seca?
Há que se destacar a proteção do temível coronel Izaias e sua ligação política como prefeito de Missão velha? Até armeiro consagrado o rei do cangaço possuía por aqui. Sem dúvida, o rei do cangaço mantinha uma autêntica relação afetiva com Aurora e boa parte desta região. Amigos, conforme a sua perspectiva...
Místico e religioso foi aqui que certa feita escolhera para sua suposta iniciação ao grupo dos Penitentes da Ordem Santa Cruz. O propalado mito de que Lampião se encantava, ficava invisível, tinha o corpo fechado, começou nas paragens aurorenses. Vez que passara algumas vezes por meio da própria volante, sob a proteção dos seus “irmãos” da Ordem. Como dizem, um destes fatos inusitados ocorrera durante o cerca e o ataque que sofrera no sítio Ribeiro da Aurora. Porém, o mistério continua... O certo, no entanto, é que Aurora ocupou um lugar de destaque na rica história do cangaço lampiônico. E isso precisa ser resgatado, pesquisado, contado e reescrito para que as novas gerações possam conhecer no devido grau de importância histórica este verdadeiro fenômeno social e sociológico dos nossos sertões.
Aurora e Lampião: uma história que não pode morrer
Não nos enganemos de novo. Digamos se tratar de uma nova luta: desta feita, não apenas da memória contra o esquecimento total, como se de chofre possa se imaginar pelo os menos atentos ou desavisados. Mas, a história narrativa dos que não apenas a escreveram como história oficial e, ainda a defendem com unhas e dentes, como a saga escritas ao sabor dos vencedores. Isso não. Defendamos a história da autenticidade: como ela foi e como ela é. A história verdadeira dos que fizeram parte dela sofreram com ela, protagonizaram-na em toda sua inteireza, enfim, foram não somente objetos, mas, principalmente sujeitos dela. E Aurora, indubitavelmente foi e será sempre, sujeito da sua própria história.
Geralmente a história escrita pelos vencedores nem sempre pode ajudar ao serviço da verdade. O cangaço assim como as passagens de Lampião pelas terras aurorenses não podem fugir a esta regra deveras imutável.
(*) artigo especialmente produzido para o seminário Cariri Cangaço.

domingo, 5 de julho de 2009

Sobre JOSÉ CÍCERO, do Prof. Luiz Domingos

(...) editor da Revista Aurora, Blog de Aurora, Blog do José Cícero, editor colaborador do site da Prefeitura Municipal, autor dos livros: Ecos da Saudade, Enxada foice e suor, professor com lotação na Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra, representou Aurora por mais de dez anos como correspondente dos sites do Ceará, blogs e jornal de circulação estadual ‘Diário do Nordeste’, escreve para revistas especializadas de UFOLOGIA, alguns de seus trabalhos foram pontos de discussão na Câmara Municipal de Fortaleza, dada a importância do assunto em pauta.Presidente do PC do B do Município de Aurora. Fundador e editor do jornal Enfoque Municipalista.
Fundador e Editor da Revista Aurora, (revista de caráter histórico e científico). No ano de 1990 começou a construir o Acervo Cultural de Aurora com verdadeiras relíquias sobre a cidade de Aurora no Ceará, seja em relatos, ou fotografias, é presença marcante na cultura, na literatura e história de Aurora.Estudioso e pesquisador do maior poeta aurorense Francisco Leite Serra Azul - Serra Azul, descobridor e difusor de o Auto de Canudos’(1812) conhecido na linguagem laica como ‘Cemitério da Bailarina, tendo inclusive, uma vasto acervo sobre esta maior relíquia histórica Eclesiástica do Cariri cearense, faltando-lhes ainda comprovação científica, dado a propriedade em localização pertencer a uma reforma agrária feita pelo Governo do Estado em distribuição de lotes a 12 famílias que têm a posse do famoso "Campos Santo" no sitio Carro Quebrado - em Aurora.Estudioso e pesquisador do Geopark Cariri no sítio Massalina-Viva, local onde se encontram pegadas possíveis de dinossauros que faziam o percurso da Cidade de Santana do Cariri - Ceará ao alto sertão na Paraíba no Município de Sousa; Continuando assim, as pesquisas do grande fotógrafo e pesquisador da Massalina Januário Antonio de Macedo.(Sitio Cabrito - Aurora.)
Pesquisador do Cangaço em Aurora, juntamente com o professor Francisco Pereira Lima-PB conseguiram junto a Oralidade perdida a introdução do rei do Cangaço na ordem Sta. Cruz no dia 03 de junho de 1927.Descobridor do Túmulo da Filha do Coronel Francisco Xavier de Souza{fundador de Aurora} Ce. Xavier; localizado no sítio Tunga meses Antes do falecimento do proprietário deste tesouro histórico, o Sr. Vila Gonçalves. Difusor em Aurora, depois de Inúmeras pesquisas, que o nome Aurora foi um relato do Poeta Serra Azul para a rima do poema Aurora – “antiga venda” do poeta e filho ilustre de Aurora - Serra Azul.Descobridor do local onde falecera um dos filhos de Bárbara de Alencar localizado no sítio Saco sendo, inclusive objeto de estudo para comprovação científica. ( Sitio Saco - Aurora.)
Dirigiu por vários anos a rádio Comunitária AURORA FM 97.Descobridor de "contatos imediatos" assunto ainda em sigilo, devido a abdução de uma senhora ser algo traumático para a referida.(Sítio olho d’água neste município) matéria publicada na Revista especializada UFO.
Depois de vários meses de luta conseguiu trazer a cidade de Aurora o já famoso fotógrafo paraense, Guy Veloso, para a cobertura dos penitentes de Aurora na exposição da Alemanha do projeto fé e febre com lotação completa nos museus da Europa.
No Ano de 2008 a Câmara municipal de Aurora na pessoa do então vereador Antonio Gonçalves Landim fez indicação de seu nome para a outorga do titulo de Cidadão Aurorense, obtendo a aprovação por unanimidade(...)
Atualmente à frente da pasta de Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo da cidade de Aurora tem feito inúmeras viagens a fortaleza no sentido de conseguir o tombamento do Primeiro prédio erguido na cidade de Aurora - o sobrado do Cel. Francisco Xavier de Souza, fundador da cidade, erguido no ano de 1831.Tem travado uma verdadeira batalha junto as autoridades do Estado para a construção do Centro de Expansão da Fé à Santa Popular de Aurora - Mártir Francisca, que inclusive o terreno já foi doado pelo governo do estado para a construção do horto de Mártir Francisca e de casas pulares no sítio Padre Mororó; que será o maior ponto turístico religioso da Terra do Menino Deus. A doação do terreno foi feita ainda na gestão anterior, porém a luta de José Cícero já remonta décadas.Tem um projeto de integração dos artesãos, contistas, poetas, violeiros, ativistas culturais que , na prática, revolucionará a história da cultura popular de Aurora.
Junto com o Dr. Arimatéia Macedo está elaborando o estatuto da Academia de Letras e Ciências de Aurora, em oportuno, enviará a Câmara Municipal para apreciação e aprovação.Por isto e por muito mais, é que Aurora agradece ao filho de Missão Velha que deixou sua Missão Velha e, na nova missão na Terra de Aldemir Martins e Nego Simplício- NÊGO, a construção do maior celeiro cultural, histórico e literário na sua nova missão - Aurora em missão cultural.
Por: Luiz Domingos de Luna
em 01 de Junho de 2009.
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sábado, 4 de julho de 2009

FESTAS: Escolas prosseguem com comemorações juninas




As comemorações juninas prosseguem em todo o município de Aurora através de escolas da rede de ensino estadual e municipal. Na noite de sábado, dia 4 as festividades aconteceram no colégio Romão Sabiá do bairro Araçá, quando ocorreu a apresentação da quadrilha mirim “O canto do Sabiá” campeã de 2009 na sua categoria do I Festal Junino. Aconteceu ainda: desfile das rainhas, instalação de barracas com comidas e bebidas típicas e show de forró com a banda local Forró Xoteado na quadra da escola. Várias autoridades convidadas estiveram presentes como padrinhos, além de secretários municipais, vereadores, professores, alunos e a comunidade em geral. Na oportunidade o prefeito Adailton Macedo que esteve viajando a trabalho, foi representado pelo Vice Antonio Landim.
Comemorações por todo o mês de julho:
O colégio Estadual José Pinto Quezado e da Unidade Escolar do sítio Mocó também realizaram o seu Arraia na mesma noite. Anteriormente na sexta-feira, foi a vez do colégio Monsenhor Vicente Bezerra. Dia 11 as comemorações acontecem no Antonio Amâncio do distrito do Tipi. A programação consta de apresentações de quadrilhas, barracas de comidas típicas, fogueiras e forró de pé-de-serra. Momento em que comunidade, estudantes e funcionários de vários estabelecimentos de ensino se reúnem num bonito e animado ato de verdadeiro congraçamento sócio-festivo para exaltar o que há de melhor nas manifestações da cultura popular de Aurora e do Nordeste como um todo. Nosso município em rico na sua cultura popular e nossa gente admira e participa de todos os momentos festivos, por isso é importante valorizar o nosso folclore e a nossa tradição, explica o vice-prefeito Antonio Landim.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

AURORA: Disputa do Rally dos Sertões passa por terras aurorenses


MUNICÍPIO DE AURORA RECEBE RALLY INTERNACIONAl DOS SERTÕES
Um acontecimento dos mais singulares terminou por quebrar na última quinta-feira, 02 a tranquila rotina de boa parte dos aurorenses do campo e da cidade. Tratou-se da passagem por terras aurorenses do famoso Rally Internacional dos Sertões. Um evento de grande envergadura, como dizem, o segundo no ranking da modalidade mundial.
O evento que há anos já conta com um bom conceito junto a comunidade esportiva brasileira, desta feita acabou passando pelas terras cearenses. Uma feliz novidade que só projeta ainda mais a nossa querida Aurora no além-fronteira.
A largada do Rally foi dada no dia 24 de junho na capital de Goiás com previsão de encerramento no dia 3 de julho no Rio Grande do Norte num percurso de 5.046 km. Pouco mais de 190 competidores em diversas categorias disputam as primeiras colocações com 75 motos, 10 quadriciclos, 60 carros e 7 caminhões. Uma atração das mais estonteantes para os padrões dos sertões caririenses.
A convite da organização do Rally a prefeitura de Aurora se fez apresentar por meio do secretário de Cultura, Turismo e Desporto – José Cícero que esteve no local juntamente com toda a sua equipe, bem como pelo Ouvidor geral do município Cícero Herivelto.
Vindo de Juazeiro e Caririaçu o Rally atravessou o Salgado na altura do sítio Santa Cruz na barragens de acesso a região de Antas/Espinheiro e de lá para o vizinho município de Barro e de lá para Caicó-RN.
“Dezenas de pessoas estiveram presentes na barragem citada, com o intuito de presenciar de perto a passagem do Rally dos Sertões por terras aurorenses”, disse o assessor de imprensa Luiz Neto que também compareceu para cobrir o acontecimento.. Durante todo trajeto a competição contou com o auxílio de um helicóptero que por várias horas sobrevoara o local da barragem onde a maioria das pessoas se concentrou para acompanhar a passagem dos competidores. “O primeiro piloto do Rally a passar na barragem do sitio Santa Cruz, foi o paulista José Hélio, que inclusive lidera a prova e é o atual campeão na categoria moto. O Rally Internacional dos Sertões é considerado o 2º maior do mundo, e é organizado pela empresa Dunas Race, de São Paulo, que trabalha com Rally há 19 anos” ressaltou.
COMENTÁRIO DO DR. ARNALDO FRANÇA MENDES:
"Quero parabenizar o Secretário de Cultura, o Sr. José Cícero pelo empenho e desempenho frente a esta pasta, pois Aurora carecia de pessoa da sua estirpe.
Parabéns José Cícero. Sua Atuação é esplendorosa".

domingo, 21 de junho de 2009

Meio Ambiente: Como por milagre antigo Olho d'Água de Vinô ressuscitou

Por: José Cícero



Flagrantes da nascente do bairro Araçá: JC e Dil André
No finalzinho de 2007 acompanhado do amigo Luiz Domingos estive em visita ao chamado 'Olho d’água de Seu Vinô'. Naquela ocasião colhíamos material para o segundo número da Revista Aurora.O estado do manancial era de intensa e evidente degradação. O princípio do fim de um recurso natural dos mais significativos para os sertanejos. Uma das últimas nascentes num raio de quase 50 km, senão um dos derradeiros de todo o município. Com certeza o único espécime concentrado dentro de uma área urbana de toda a região.
Estávamos diante de um verdadeiro crime ecológico agravado pelo total descaso e a indiferença da maioria das pessoas. O que forçosamente nos fez elencar como matéria para a reportagem-denúncia sob o título: “olho d’água de Vinô – Pequeno grande sinal de uma morte anunciada”... De lá para cá, o problema da degradação e do desprezo ainda permanece. Porém, a natureza como por milagre fez a sua parte. Mas as ações antrópicas ainda são por assim dizer, assustadoras - uma constante em desfavor de uma convivência sustentável entre homem e natureza.
Preste a completar dois anos daquela primeira reportagem, a Revista Aurora retornou neste domingo(21 de junho) ao local, desta feita, acompanhado de um antigo morador das imediações, o artesão Dil André, que mantêm uma relação de proximidade quase afetiva com aquele recurso natural, localizado no alto Araçá, ao Norte daquele populoso bairro. “Parte da minha infância passei brincando ao lado do olho d’água”, disse o artesão com um misto de tristeza e saudade. "Carregávamos água de beber deste lugar, assim como quase todos os moradores do Araçá", completou.
A Surpresa pela renovação:Como por puro espanto, fui pego agora de surpresa ao contemplar a pequena nascente. Uma sensação de felicidade e contentamento tomou conta de mim ao constatar que pelo menos ali, a natureza se recompôs de maneira maravilhosa. Um prodígio, quando comparamos as imagens feitas há dois anos com as de agora. Era como uma grande ferida tivesse quase totalmente cicatrizada. Sim, quase. Por que o perigo infelizmente ainda continua a rondar o ambiente. Em parte pela velocidade com que se processa a urbanização. Quase. Porque embora a mata tenha voltado a cobrir de verde o local, há grandes sinais de poluição deixada pelos que ali comparecem todos os dias para retirar água, banhar-se e até(pasmem) lavar roupa etc... Muito lixo: Peças de roupas íntimas, plásticos, restos de produtos químicos(sabonete, sabão, água sanitária e alvejante), garrafas pet, dentre outros dejetos encontram-se espalhados ao redor da nascente misturados a relva que nos inverno, são arrastados para o açude um pouco mais embaixo.
Pura renovação ecológica:
Mas, incrivelmente o Olho d’água, parece ter voltado a vida. Um filete de água límpida como nos velhos tempos escorre lentamente córrego abaixo em direção ao açude e de lá para o Salgado. A relva vivaz ao seu redor, parece colorir o ambiente como por um pincel dos deuses na mão mágica de um grande artista a la Monet.
A beleza espalhada pelo ambiente da nascente:As moitas sombreiam quase por completo o pequeno espaço arredondado formando um buraco geométrico onde a maior porção de água se concentra represada por uma terra escura do barranco do morro. Um duro massapé, pedregulhos e barro, adornado pelo juremal a se estende como um tapete intransponível por todos os lados. O olho d’água de seu Vinô, retorna a vida como alguém que desistiu da morte para enfrentar de peito aberto as grandes agruras da vida. Um retorno cuja vitória a partir de agora dependerá muito mais de nós os aurorenses citadinos do que da própria natureza que como se percebe está cumprindo o seu papel. Eis aí, uma dádiva da natureza a contrariar a falta de consciência, assim como a disposição dos homens contemporâneos em conviver harmonicamente com a biodiversidade e os recursos naturais.
O Araçá em particular e a cidade em geral mantêm uma dívida impagável como este pequeno manancial. É chegado o momento de fazermos a nossa parte. Do contrário, talvez a história não mais nos absolverá.
A Entrevista:Em entrevista que fizemos como o professor Moacir Leite, um dos herdeiros da fazenda onde a nascente está localizada, o mesmo na época nos falava sobre a história daquela nascente. Um pouco de crendices, misticismo e religiosidade que no seu conjunto mais geral era simplesmente cativante. Tempos depois o professor falecera e a matéria não saíra por completo na revista.
Disse nos ele, que outras vezes a tal nascente secou, raptada que foi por alguém que a queria em outras terras. E para que a tivesse de volta o professor Moacir teve de recorrer a divindade, portanto, com a ajuda de um rezador foi feito todo um ritual para que o manancial retornasse ao seu lugar de origem. O que aconteceu na manhã seguinte...
Idas e vindas de algum modo como se ver, parece ter sido até hoje o destino da velha nascente do alto Araçá. Que ela permaneça para o todo e sempre. Um sinal de que a natureza benfazeja como é estará de novo de bem com os homens na sua missão divina de irrigar a terra, matando a fome e a sede da humanidade.
A Biodiversidade: Fauna e flora.
Até a estrada que mandaram abrir nas proximidades foi de novo engolida pela mata composta de arbustos rasteiros, mas essenciais ao equilíbrio daquele bioma da caatinga dos nossos sertões. Pássaros e outros bichos de pequenos portes já são possíveis de serem vistos dando alegria e vitalidade aquele ecossistema exclusivamente nordestino.
Contudo, o olho da água continua precisando dos nossos cuidados imediatos e permanentes. A natureza fez a sua parte. Façamos a gora a nossa. A indiferença é pura conivência. O tempo urge! A vida não pode parar...
Na nossa visita deste domingo nos deparamos com várias crianças retirando lenha(pequenos gravetos) para as fogueiras de São João. Um fato que bem comprova a velha interatividade do local com a comunidade araçaense. Sentimos inclusive, a ausência de antigas árvores que havíamos fotografado havia dois anos. Mas não diga que foi pela necessidade. Isso não. Simplesmente, porque não se queima mandacaru pelos menos por necessidade. Estas cactáceas enormes em que debaixo das mesmas(naquela ocasião) pousamos para as fotos. Agora todas desapareceram da paisagem. Mais uma prova de que o homem é mesmo um fazedor de desertos quando não consegue compreender, e tampouco dá o devido valor a fauna e a flora da nossa caatinga da Aurora.
JC/Revista Aurora

sábado, 20 de junho de 2009

Avança Cariri!

A Região do cariri cearense sempre foi um núcleo muito coeso, tendo inclusive, inúmeras manifestestações artísticas, culturais, religiosas (...) que permeiam no tabuleiro histórico pontos firmes de identidade, muitas vezes, beirando ao bairrismo: porém sempre dentro de uma linha afirmativa de desenvolvimento nuclealizado que irradia luz para todas as cidades que formam este espaço geográfico, já, devidamente revestido de uma cultura bem consolidada no espaço tempo. A Criação da Região Metropolitana do Cariri é sem dúvidas um renascimento muito afirmativo para “no vislumbre de um mundo globalizado” a necessidade de canais legalizados, onde os recursos possam fluir naturalmente, no processo interativo de desenvolvimento global do cariri, porém aí, é, que de fato reside o perigo. Explico: O Bairrismo de forma afetada, forma uma ideologia, mais do que isto, uma bandeira, mais do que isto, uma doutrina , às vezes até uma xenofobia emocional direcionada, o pior é quando a xenofobia é direcionada a uma cidade, a política, a economia, a razão de ser do conjunto, o eixo, a sagração do trono do rei, o ponto máximo; O Poder concentrado e diluído em uma única cidade, porém, vejo que a Região Metropolitana do Cariri é um ponto de difusão de desenvolvimento para todas as cidades satélites que formam a região do cariri cearense, ou seja, do seu núcleo são irradiadas todas as formas afirmativas de desenvolvimento para o bem comum de todo o conjunto caririense, pois, com certeza é o que pensa, presumo, todas as cidades satélites desta linda região no sul cearense, porém, não poderia haver algo de mais danoso do que o pensamento mesquinho e egoísta de que é preciso fazer uma metrópole implodindo as demais cidades, com um raciocínio medíocre de que o cariri não comporta mais de uma metrópole, quem pensa assim, conspira contra o cariri, contra a globalização e, por fim, contra o pulsar de crescimento econômico na querida região do cariri cearense.
Por: Luiz Domingos
Aurora-CE.

AURORA: Prefeito Adailton promove Governo Itinerante em Ingazeiras




A prefeitura de AURORA realizou no último dia 14(domingo) a Comitiva da Cidadania no distrito de Ingazeiras. A abertura oficial do evento aconteceu às 8 h com a solenidade de instalação do governo na comunidade. A programação seguiu das 8 às 16 h culminando com um festa dançante no Clubre Recreativo Ingazeirense(CRI).
"Um acontecimento exitoso e pioneiro", afirmou o chefe do executivo aurorense, Adailton Macêdo
Domingo dia 14 o distrito de Ingazeiras em Aurora vivenciou um acontecimento simplesmente pioneiro. Denominado de “A Comitiva da Cidadania: A Prefeitura indo até você”. Trata-se de uma espécie de governo municipal itinerante onde o prefeito e o vice com todo o seu cast de secretários e assessores visitam durante todo dia um determinado distrito e ou um bairro. Ocasião em que coletivamente é debatido todos os principais problemas por que passa a comunidade.
Na oportunidade o prefeito Adailton Macedo juntamente com todo seu secretariado despachou das 9 às 16 h no colégio Padre Cícero da localidade. No mesmo local todas as secretarias promovem algum tipo de ação voltada para a comunidade. Foram desenvolvidas uma série de ações junto a população desde atividades médicas até a prestação de serviços sociais, de entretenimento, educação, cultura, esporte, agricultura e de lazer dentre outros.
“Foi um dia para ficar na nossa história. Nunca vi por aqui um dia tão animado e alegre” disse o jovem Arnaldo da Silva, artista plástico e morador do distrito. O prefeito Adailton ao lado da sua comitiva não escondeu seu contentamento diante da forma participativa e exitosa com que toda programação transcorreu durante o dia.
Palestras educativas, encontros com desportistas e artesãos, distribuição de mudas frutíferas, cortes de cabelos, manicure, serviços de fotografia 3x4 e emissão de documentos pessoais e xérox, atendimento médico e odontológico, psicólogo, informações da bolsa escolar, encontro com funcionários e pequenos produtores, exposição fotográfica, apresentação de repentistas populares, recital de poesias, contação de estórias infantil, apresentações circenses, parque infantil, torneio de futsal masculino e feminino, sorteios de premios para as mães da comunidade, instalão de uma academia de educação física, teatro, distribuição de cestas básicas, higiene bucal com aplicação de flúor, show musical com Índios dos teclados e banda; foram algumas das diversas atividades ocorridas durante o evento. O Sesc Cariri também participou efetivamente de todas a programação através do projeto "Sesc Solidário" e "mesa-Brasil" sendo representado pelo coordenador da iniciativa Paulo Damasceno e pela Srª Ediene.
Na próxima semana o prefeito estará se reunindo com todo o seu secretariado para discutir o agendamento da próxima Comitiva da Cidadania.
Redação do blog do JC e da Aurora.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Comunidade católica de AURORA participa de Procissão de Corpus Christi




A comunidade católica de Aurora comemorou na noite desta quinta-feira, 11 a passagem do Dia de Corpus Christi com uma missa na igreja matriz do Senhor Menino Deus tendo como oficiante o padre Cícero Leandro, vigário local, seguida da tradicional procissão que percorreu as principais ruas da cidade em direção a capela de São Francisco no Araçá.
A secretaria de Cultura do município ornamentou toda a avenida Antonio Ricardo no centro da cidade com um extenso tapete construído com pó de madeira, casca de arroz, flores, pedrinhas do rio salgado e coloridas pinturas de paisagens bíblicas. Tudo para receber os fiéis participantes da procissão. Moradores das ruas por onde o cortejo passou também enfeitaram as suas residências em especial os da rua Dr. Guedes Martins e Bela vista que construíram igualmente um grande tapete para receber os devotos.
A procissão terminou com um evento religioso na capela de São Francisco no Araçá, o bairro mais populoso de Aurora. Foi um acontecimento dos mais animados e participativos já promovido pela paróquia aurorense.
Comemorações Juninas:
Durante todo este mês de junho, o município viverá uma extensa programação voltada para Santo Antonio, São João e São Pedro – as chamadas festas juninas que tradicionalmente acontecem em toda região. A prefeitura por intermédia da Seculte-Aurora realiza, por exemplo, o São João no dia 24, na praça do Monsenhor com as bandas Forró Lapada e Forró Sacanear, E no dia 29 o grande São Pedro com o 1º Festal Junino – Festival de Quadrilhas Juninas sob a animação das bandas: Forró na Veia e Eclipse do Forró. Vários outros eventos acontecem ainda este mês, tanto na sede quanto em diversas localidades da zona rural. Toda a comunidade está sendo convidada.
Da Redação do Blog d'Aurora

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Reflexões sobre a Guerrilha!*



Há uma passagem no “Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano”, escrito por Marighella, que certamente tenha tido sua base nas observações de Che, em seu livro “A Guerra de Guerrilhas”, que, aliás, é interessante do ponto de vista estratégico, segundo as experiências de Guevara na revolução cubana.Discorre sobre como provocar uma ditadura até que ela monte um extenso aparato de repressão sobre a sociedade, a fim de que esta se volte contra o governo por se sentir alijada de garantias fundamentais. Assim, como afirma Che, a ditadura se desmascara, mostra-se como ela é. O que vem a gerar um descontentamento popular que poderia auxiliar as operações da guerrilha.O general Médici, que, conforme muge o cabo Anselmo, era um “bonachão”, teve a perspicácia de manter a violência e, ao mesmo tempo, acelerar o desenvolvimento dependente e antinacionalista da economia, baseado na oferta de bens de consumo duráveis. Com a copa de 70, estava tudo perfeito. A anestesia para o povo foi daquela de deixá-lo praticamente em coma.Durante a guerrilha urbana, ninguém da favela se levantou, preferindo a malandragem do samba na esquina, onde até uma caixinha de fósforos servia de percussão. O proletário estava com sono.A classe média queria dirigir um Maverick e ver TV a cores.E pronto.Com a mídia amarrada, o governo lançou uma campanha terrível e eficiente de aniquilação moral da esquerda armada. Enquanto isto, braços paramilitares do Poder Executivo cometiam crimes tão brutais quanto as SS nazistas.Não vivi aquele tempo, embora tenha nascido durante os eventos mais dramáticos, mas me arrisco a um palpite.Talvez se, a partir de 1970, toda a guerrilha urbana se desmobilizasse das cidades para se infiltrar nas selvas do país, poderia formar um corpo muito maior e mais coeso do que o composto dentro das cidades, onde a luta era mais difícil e compartimentada.Por outro lado, a guerrilha não dispunha de armamento de longo alcance. Para combate em selva, o fuzil é imprescindível. Um bom fuzil. Onde estava a Mãe Rússia que não mandou para os guerrilheiros do Brasil seus maravilhosos Kalashnikovs? Que conspiração comunista era essa afinal, em que os supostos principais interessados na posse do Brasil, que seriam os soviéticos, segundo a acusação de muitos na época, não se moviam um centímetro?Dentro da cidade, eu concordo com o que disse Marighella sobre o uso de pistolas, revólveres e pequenas metralhadoras, enfim, armas curtas para ações rápidas.Seria preciso assaltar pelo menos uns 20 quartéis no país para levar a fuzilaria toda, granadas, morteiros etc. Isso estava fora de cogitação, ainda mais depois que Lamarca deu um chão no arsenal de um regimento em Osasco. A vigilância se tornou implacável.O pessoal da rede urbana talvez não tivesse condições para empreender longas marchas dentro das selvas, movimentar-se com rapidez. Talvez não tivéssemos a astúcia dos vietnamitas, por exemplo, que colocavam a resistência total como o princípio básico da sobrevivência dentro das matas, numa desenvoltura impressionante que tornou lendária a tática de guerras daquele povo.Sei lá. Provavelmente, as Forças Armadas utilizariam bombas de fragmentação e NAPALM à larga se todas as guerrilhas fossem concentradas na Amazônia, sobretudo se Lamarca estivesse por lá, treinando militantes e camponeses que quisessem engajamento.Segundo a tática maoísta, as cidades deveriam ser esmagadas por um cinturão formado pela guerrilha popular, sufocando, estrangulando, atacando os meios de comunicação. No Brasil não tinha gente o bastante para isto. Como arrebanhar da noite para o dia um jeca-tatu que está lá nos rincões fumando a palhinha dele, com as unhas pretas de terra e as mãos grossas como lixas?A teimosia e a lamentável mania que a esquerda tinha de acusar outros grupos disto ou daquilo, fazendo juízos entre certos e errados, de modo dogmático, atomizavam seu aparato ideológico e militar. Havia vários raciocínios para um só objetivo, que nunca é alcançado quando um raciocínio se ocupa da destruição de um outro.Imagino outra hipótese: a da participação armada dos trotskistas, se estivessem a fim mesmo. Na verdade, eles se abstiveram. Como seria a relação entre a linha de frente treinada em Cuba e o pessoal de Trotsky?Eu quase tenho certeza de que, no final, os trotskistas seriam acusados pela derrota da esquerda e terminariam mortos como fizeram os comunistas contra os anarquistas na guerra contra Franco. Um banho de sangue entre as Brigadas Internacionais em uma das mais belas páginas da história da humanidade. Que desgraça!Ramon Mercader, bandido stalinista que rachou a cabeça do velho judeu no México, por ordem do crapuloso Big Brother, terminou seus dias na ilha, sob a égide de Fidel. Provavelmente, trotskista não seria gente bem-vinda para o combate, de tal forma que esta facção se limitou a lutar através de jornais clandestinos, até criticando quem estava no combate aberto.Alguns acusavam a ALN, por exemplo, de cair num tipo de terrorismo vulgar, de desvinculação das massas trabalhadoras, de lutar sem elas etc.[Por falar na ALN, recordo-me da entrevista do infame cabo Anselmo que defende a tese segundo a qual o grupo de Marighella nada mais era do que o braço armado do PCB; que o Partidão não tinha ficado “neutro” na luta e que o rompimento de Marighella com o partido através daquela famosa carta era tudo farsa para que o PCB ficasse intacto e a ALN pudesse descer a madeira...]Não há como intuir sobre o passado.Ninguém sabe que rumo tomaria a luta armada se ela fosse essencialmente rural, sem braços nas cidades, onde ninguém quis se levantar para aderir.De minha parte, eu não sei como procederia se vivo fosse naquelas condições. Acredito que não teria a energia [nervosa] necessária para enfrentar aquele aparato todo. Tenho respeito por aqueles que tiveram essa energia e morreram.Reflito sobre a possibilidade de revolução, que acho ser remota aqui no Brasil, quase impossível, mesmo via eleições. Não sei até que ponto um companheiro meu não estaria disposto a me matar somente porque discordei de alguns questionamentos que foram lançados. Não sei até que ponto estaria seguro ao lado de alguém que só seria meu amigo enquanto pensasse politicamente como eu.Eu sou comunista, não cultivo valores absolutos do stalinismo nem do trotskismo, e entendo ser melhor morrer ao lado de homens que são justos do que tomar um chão pela injustiça de um camarada de armas.É uma honra aceitar esse tipo de morte. Porque, a rigor, a luta só é justa enquanto der combate às injustiças.Os danos psicológicos do passado permanecem até hoje, para nossa desgraça.
Escrito por Luiz Aparecido

terça-feira, 2 de junho de 2009

Trabalhadores de Aurora tentarão a sorte nos canaviais paulistas


Por: José Cícero
A Saga dos homens sertanejos se aventurando no além-fronteira
Todo ano a situação se repete. Empurrados pela necessidade cada vez mais crescente de emprego na luta pela sobrevivência, grandes levas de jovens trabalhadores rurais de Aurora são obrigados a deixar a sua terra natal para se aventurarem na agricultura canavieira do interior de São Paulo. Esta realidade é hoje uma constante na vida de um grande número de jovens trabalhadores espalhados por diversos pequenos municípios do interior do Nordeste.
É quase uma diáspora dos tempos modernos, uma vez que diversas famílias são separadas dos seus entes queridos por forças das contingências sociais, ou seja, na busca de melhores dias.
Esta migração anual vem virando rotina na vida de centenas e centenas de famílias de várias cidades do Cariri e do Nordeste como um todo. Uma prova de que o Brasil ainda não conseguiu resolver as suas mais gritantes contradições agrárias e, tampouco o grande sofrimento conferido ao trabalhador rural da chamada agricultura familiar ou de subsistência.
Nos anos de estiagem prolongada ou de seca verde como agora, o problema se agrava. Nestes períodos de verdadeiras calamidades, o número de pessoas que resolvem abandonar temporariamente sua terra é algo por demais considerável. Uma verdade quase incoveniente...
A falta de uma reforma agrária efetiva, aliada ao desemprego estrutural se expressa cada vez mais nestes verdadeiros movimentos migratórios que anualmente se repetem de forma intensa e no alto salgado do Cariri Cearense.
Um fato no mais das vezes lamentável quando se leva em consideração as condições produtivas das terras nordestinas e do vale do Cariri. Há ainda, por outro lado, um verdadeiro corte familiar quando muitos são quase que forçados a deixar para trás famílias inteiras. Este incrível acontecimento carrega no seu bojo, uma constatação: a de que o Brasil necessita com urgência de uma reforma agrária séria voltada para, entre outras coisas, garantir a fixação do homem na sua própria terra.
Existe hoje em todo o Nordeste um notório esvaziamento e abandono do campo. De modo que é possível constatar também o processo cada vez mais intenso do êxodo rural. O abandono do campo é hoje, uma realidade das mais preocupantes. Algo que está a ocorrer em todos os recantos rurais do Ceará e do Cariri com especialidade. Nossa zona rural, por outro lado, está virando um deserto. O clima de abandono é quase total. A produção algodoeira e canavieira agora é quase inexpressiva. Um acontecimento que, ao que tudo indica começa a se perder de vez nas brumas de um passado recente. Os antigos engenhos de rapadura, por exemplo, que antes eram a marca do Cariri e do Nordeste; hoje praticamente não existem mais. Causando assim um grande baque na base da principal economia dos nossos sertões. Os velhos engenhos hoje no Ceará não passam de um símbolo remoto de uma saudade que nunca passa. A solidão e o abandono são hoje duas faces de uma mesma moeda quando se trata da zona rural como lugar antes aprazível de moradia, produção e fonte de renda.
Casebres e até os velhos casarões dos antigos coronéis/latifundiários estão hoje em completo estado de abandono. Uma situação que bem denuncia também o grau do desprezo em que estiveram(e ainda hoje) continuam submetidas populações inteiras do nosso interior. Estes que estão como que obrigados a deixar suas terras para trás, em busca da ilusão de melhores dias nas cidades e até mesmo em outras regiões desenvolvidas do país. O que só agrava ainda mais a péssima situação vivida pelas grandes metrópoles brasileiras.
A Partida:
A partida do ônibus é uma tristeza. Mães, esposas, namoradas, filhos e parentes todos ficam com o semblante cortado pelo choro e os olhos mergulhados em lágrimas. As ruas que contornam a pracinha com a estátua do Padre Cícero ao centro, parece ainda mais pequena diante do grande número de pessoas que testemunham mais um triste espetáculo na vida da juventude sertaneja.Uma agrura que a partir daquele momento se fará como que inenarrável o cotidiana a partir de então. O clima de despedida parece entristecer a todos, tanto os que partem quanto os que ficam. Todos ali parecem apostar na perspectiva de um futuro melhor. O apostar no futuro é a tônica de cada um dos que parte deixando seu torrão para trás. Todos têm que acreditar. A fé, assim como a ousadia e a coragem são ingredientes que lhes fortalecem o ânimo para a batalha que agora está só começando...
O eterno devir
Para muitos deles, este acreditar logo se transformará em ilusão. A vida difícil também os acompanha até o corte da cana no interior paulista. Alguns, segundo confidenciam, conseguem juntar algumas economias, outros na sua maioria, sequer conseguem o dinheiro suficente para o retorno no tempo marcado. Quando outros não voltam nunca mais, vítimas que são dos seus 'gatos', do trabalho escravo, ou mesmo de algumas das várias enfermidade que os acometem nas terras do Sul.
A lida é árdua mas a saudade de casa, é no mais das vezes, um fardo muito mais pesado do que o trabalho braçal empreendido no corte do canavial. A fé assim como a vontade de voltar para o seio da sua gente os anima. De tal modo que os dão muitas vezes, a energia necessária para agüentar aquele martírio com a mesma bravura somente conferida aos verdadeiros heróis. E eles partes como deserdados de uma nação distante e desalmada, querendo uma nova chance de abraçar a liberdade, tanto quanto o sonho de grandeza, que os animará até o retorno no final do ano. O ônibus parte. Acenos de mãos dos dois lados se repetem como um espetáculo especialmente ensaiado para o instante da partida. Abraços de despedidas, beijos de até breve, aperto de mão, palavras de boa sorte e 'vai com Deus'. Frases curtas mas que na repetição quase desenfreada da mutidão funcionam como afagos aos olhos e o coração de todos aqueles homens, jovens, que se entregam ao sabor da sorte e do destino como autênticos Prometeu do sertão do oco do mundo. Sempre acreditando que o amanhã será quase sempre possível a partir de uma construção coletiva com as forças dos seus braços e a energia das suas mãos, coração e mentes. Eles não esperam que o futuro aconteça por si mesmo(ou por mero acaso da sorte simplesmente), como muitos o fazem. Eles vão lá e o constrói com seu esforço, coragem e disposição de luta. Acreditando em Deus, toda a divindade parece está do lado deles. O padre Cícero no alto da praça também parece insinuar uma benção para todos. E eles todos acreditam neste mistério ao passo que repetem o gesto na direção do que eles próprios chamam de "o santo do Nordeste". E assim seguem crentes no acontecimento de um grande milagre. Talvez aquele que mesmo sonhado há anos, nunca ocorrera por estas bandas. Porém o governador perpétuo do Sertão os promete. E eles acreditam piamente nesta assertiva. A esperança é tudo que lhes restam depois daqueles momento eterno onde as sensações mais latentes se misturam as suas emoções. E eles se agarram a ela(a esperança) como se fosse o mandacaru do sertão, confiando sempre na segurança máxima dos seus espinhos. Uma carnaúba desfolhada, como gente esquelética com as mãos para o alto pedindo, implorando água e bonaça aos céus. O céu de brigadeiro está em São Paulo, imaginam todos eles. Irmãos da sorte ou das desventura... Fica uma saudade tão forte ao ponto de dissipar o próprio sofrimento do sertão sem oportunidade.
O futuro:
Aurora agora começa a ficar para trás. O futuro é uma estrada longa quase sem volta, quase sem fim... Quem sabe uma condenação inexorável com o devir. Ninguém jamais pôde, por capricho ou opção, se livrar desta imposição cronológica do tempo sob o tacão e a mecânica natural das coisas. O destino lhes espera no além-flornteira ante os extensos canaviais paulistas. E assim eles se matêm conformados com o destino que a sorte escolhera para eles. O futuro que lhes fora confiado não haverá de os trair. Não, desta feita não. Simplesmente porque Deus e o padre Cícero não o desejam. Ninguém sabe ao certo o que lhes espera nos confins do mundo. Mas eles mesmo assim acreditam. Afinal, que outra opção haverá de escolher, senão acreditar até as últimas consequências das suas atitudes ousadas de célebres Dom Quixotes da caatinga? O desconhecido há muito passou a povoar o imaginário desta gente da Aurora: forte, destemida e sonhadora. Como de resto acreditam no velho ditado carcomido de que 'quem cedo madruga: Deus Ajuda'. Mas muitas vezes Deus parece está ocupado demais para testemunhar todo o drama e o sofrimento vivenciado pelos sertanejos canoeiros dos sertões de Aurora e do Nordeste inteiro, agora espalhados pelas terras estranhas. Lugar onde o sertanejo como sempre, é ainda hoje transformado, no que um dia Euclides da Cunha nominou de “hércules quasímodo”. Mas não. O homem caririense onde quer que esteja, ou é uma lenda ou um indelével sinônimo de valentia e consideração
- Vai como Deus meu filho! Meu padim padim ciço lhe proteja e guarde!
- A bença minha mãe! - Deus te abençoe meu filho!!
- Eu te amo meu amor! – Um cheiro minha Nega! Já já nós tá de volta...
As palavras de cuidado e de carinho começam a ficar inaudivéis, fracas, distantes, dando lugar ao gesto, ao meneio ao balançar rítmico das mãos espalmadas agora solta ao vento.
O ônibos aumenta a velocidade. Aurora agora é uma miragem. Uma lembrança a povoar muito mais o imaginário de todos aqueles que no interior do veículo começam a dirigir seus olhares e pensamentos para o que ficou para trás. Como também pelo mistérios das coisas e dos acontecimentos que os esperam na distância. Nas terras onde o desconhecido mais parece um fantasma horrendo. Uma visagem em carne e osso. Um pássaro agourento a atormentar seus ouvidos e sua paz. A partir deste instante cruel, os canavieiros da Aurora não têm mais escolha senão acreditar na esperança de que um novo amanhã será possível a partir das suas crenças e na feitura dos calos das suas mãos empreendidas a edificação da magia ou do milagre.
Uma ousadia em favor do sonho:
Uma história de coragem, luta e ousadia começa a ser escrita a partir de então. E os canavieiros d'Aurora agora são a um so tempo, testemunhas e personagens de uma saga. A náu agora navega no alto mar da ilusão. O desafio foi lançado. Os homens da Aurora agora têm a chance de promover pela primeira vez na sua história um acerto de contar do seu passado e presente com o futuro que eles mesmo poderão escolher e construir. O padre Cícero, sisudo e impávido permenece no centro da praça orando por todos eles, agora sozinho, assim como os trabalhadores aurorenses quando no meio dos canaviais das plagas bandeirantes.
Por José Cícero
Da Redação do blog do JC
Aurora-CE.

domingo, 31 de maio de 2009

Uma pequena reflexão acerca do que escreveu o professor Luiz Domingos

O professor Luiz Domingos de Luna que por sinal é nosso velho companheiro e artífice na difícil empreitada que foi a publicação da nossa memorável e pioneira “Revista Aurora”, que aliás, praza Deus haveremos de em breve, lançarmos mais um número já prestes a entrar no prelo.
Ele, o Domingos enviara-me e-mail sob a epígrafe de Comentário para este Blog e que ora tomo a liberdade de republicá-lo aqui(no rosto da página) como forma de referendar o que escrevo agora à guisa de reflexão necessária acerca do que expôs o nobre amigo De Luna. No tocante ao que lamenta o professor, por sinal coberto de razão: quero a propósito perguntar, que tipo de coisa poderia mais incomodar um verdadeiro mestre que não fosse a aversão da sociedade ao hábito da leitura? O que de algum modo se correlaciona com a produção literária via online justamente nesses tempos de modernidade tecnológica. Naquilo que se convencionou chamar de sociedade da informação? Convêm assegurar que a internet, graças a Deus, não é mais nenhum bicho papão, coisa somente ao alcance das elites como se constatava com tristeza até pouco tempo. Não, agora mesmo a sua popularização já é um fato consumado, inclusive na nossa bela Aurora. Não é à toa que o Brasil é campeão no mundo em acesso a Internet e na aquisição de computadores domiciliares e até no número de Lan House. Então, convenhamos, o que escreve o Domingos é assaz pertinente. Creio que envolve toda uma questão de Leitura, cultura e educação, enquanto ingredientes formadores de novos cidadãos, críticos, reflexivos, conscientes e leitores em potenciais. Tudo está ligado e é preciso estarmos atentos para este fato. Tanto a produção de conhecimento, quanto o acesso a informação e aos meios midiáticos ficaram muito mais fáceis e acessíveis a partir desta "invenção" fantástica que foi a internet com seus sítios, blogs, correios eletrônicos etc.
Nada pode incomodar tanto um educador que o contrário de tudo aquilo que se propõe para melhorar a educação da população. Temos que estar sempre aprendendo o tempo todo e cada dia mais e mais...A internet com os seus macanismos on-line são deveras indispensáveis para este desiderato. Que pode mais incomodar um professor do que os baixos índices de aprendizagem, O desregramento, a indisciplina, o distanciamento ético, os baixos salários, o descompromisso com as questões capitais do globo e que estão diretamente relacionadas ao gênero humano e a vida do planeta, a biodiversidade sem o viés educacional? Que outra coisa poderia incomodar e entristecer mais o verdadeiro professor que não o descaso, o fisiologismo, a mentira, o faz-de-conta para com tudo aquilo que deveria ser feito de um outro jeito, de uma outra maneira... quando mais e mais se distancia dos princípios educacionais, sobretudo aqueles defendidos até mesmo com a própria vida por figuras do naipe de Anísio Teixeira, Calmon, Paulo Freire, Darcy Ribeiro dentre outros?
Quero dizer que a preocupação do meu amigo Luiz Domingos é algo extremante necessário. Muito mais que incômodo e preocupação, diria que, urge que nos indignamos todos. Ou será que já se perdeu até mesmo esta capacidade do homo sapiens?! De modo que, diria ainda ao professor Luiz, que mais grave é saber que aqueles que têm por missão difundir o hábito da leitura não o fazem, não o tomam para si próprios como algo prático, fundamental e necessário como mais uma crucial ferramenta de crescimento e aprimoramento do seu ofício cotidiano. Diria que para tudo, muito mais que o discurso e a mera letra morta do papel, vale o exemplo. Do contrário nada, ou quase nada evoluirá de verdade. E isto é sintomático quando se analisa os resultados referentes à educação do país como um todo. E digamos que no que se refere ao aspecto da leitura, sobretudo e principalmente, tudo que fala o mestre é algo por demais preocupante e, portanto, merece sem mais delonga uma reflexão das mais profundas. Caso queiramos ainda encontra uma saída com tempo.
Por fim, direi que o computador não produz leitores e, tampouco escritores. Ele apenas auxilia, facilita as coisas... abre caminhos, novos horizontes, clarea novas perspectivas. No cotidiano da sala de aula e também fora dela, nas visitas às bibliotecas, na receptividade do livro como algo corriqueiro, quem sabe, produto da cesta básica é que se formamos verdadeiros leitores. E a consequência lógica disso tudo será: apego a produção textual sob as mais diferentes formas. O hábito da leitura também é um déficit dos mais gritantes e vergonhosos por entre os "catedráticos".
José Cícero
Da redação
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Disse/escreveu o professor Luiz Domingos:
"Grande amigo e irmão,
Fiquei muito feliz e agradecido pelo seu brilhante comentário no blog do juazeiro, penso que nós estamos dando a visibilidade a terra do menino Deus a altura da potencialide histórica , artística , cultural (...) que brota da terra do sol nascente. Fico triste, quando vejo que Aurora existe hoje centenas de computadores plugados na internet, porém quando faço um rotativo nO mundo on-line, vejo somente artigos do José Cicero, Dr Arimatéia e Luiz Domingos.
Creio que a nossa juventude deveria, se o artigo ainda é algo distante, pelo menos comentários. Não entendo ainda o porquê de tão poucos comentários nos artigos dos colaboradores de Aurora. Creio que, ou a juventude está plugada em orkut, ou outros sites, e não no essencial que é a integração entre o elo Juventude Aurora, Aurora juventude on-line, penso que nós deveríamos, em oportuno, fazer um artigo versando sobre esta situação, vejo que os meus humildes artigos, a mais das vezes, com exceção de você: JOSÉ CICERO DA SILVA - o pioneiro da Globalização de Aurora no mundo on-line, os comentários de meus textos são de pessoas que eu mesmo, nem as conheço, é sempre uma situação vexatória para mim, Como retribuir comentários de quem eu nem conheço? Enquanto que a turma do universo on-line de Aurora continua muda, calada, omissa.
Irmão fico triste com isto,
Penso que é o momento de colocar esta meninada no mundo on-line,
Concorda?"
Luiz Domingos de Luna
Aurora, 30 de maio,2009

quinta-feira, 28 de maio de 2009

População de AURORA participa da campanha do Dia do Desafio 2009 - driblando a inatividade




Moradores de Aurora participaram na última quarta-feira, 27 das comemorações relativas ao Dia do Desafio 2009 driblando a inatividade. Trata-se de uma campanha mundial em favor das atividades físicas das pessoas. Um movimento promovido anualmente em favor da saúde, sobretudo no continente americano, em que cidades semelhantes de diferentes países entram em competição no sentido de se avaliar quem consegue colocar mais pessoas nas ruas com pelo menos 15 minutos de atividade.Este ano a cidade de Aurora na região do Cariri cearense disputara o score com a cidade mexicana de Ocampo.A participação maciça da população no dia do desafio deste ano superou todas as expectativas dos que integram a equipe da Seculte/Aurora, responsável pela organização do evento no município, segundo ressaltou o secretário de Cultura, José Cícero."Nesse dia, cidades do mesmo porte estabelecem uma competição para tentar envolver nas atividades a maior porcentagem de pessoas, em relação ao total de habitantes. É uma disputa amigável, que estimula a participação popular". No desafio, os vencedores são os cidadãos que, além do corpo, exercitam a integração, a criatividade, a liderança, o espírito comunitário e começam a compreender a importância de fazer da atividade física com um hábito diário, corriqueiro, explicou. "Atualmente em todo o mundo, a doença que mais mata é decorrente direta da obesidade, advinda do sedentarismo. Por isso a importância de uma campanha como esta, disse o secretário.
A programação do evento teve início às 7:40 h com a Saída em caminhada da Praça da Matriz em direção a quadra Poliesportiva no bairro Araçá o mais populoso da cidade. Seguido da realização de um ato público com as presenças do Vice prefeito Antonio Landim, dos secretários de Agricultura José Dácio, de saúde Petrúcya Frazão, de Cultura, Esporte e Turismo José Cícero e de Ação Social Socorro Macedo, de Administração Osasco Gonçalves, além de assessores do prefeito Adailton Macedo que na ocasião estava viajando a capital do estado, bem como de diretores das escolas participantes. Na seqüência teve início as competições esportivas com a presentação dos atletas da Arte Academia, e 8h – Futsal: Veteranos do Araçá versus veteranos do bairro São Benedito(Aurora Velha). Às9 h20min – Futsal Infantil entre bairros e atletas mirins que participam do projeto 'Esporte Cidadão' da Seculte. Às 10 h40min – Futsal Juvenil entre estudantes do colégio Paroquial versus Monsenhor Vicente Bezerra. Seguido de Futsal Feminino entre atletas da Seculte e intercolegiais. O poliesportivo se mostrou pequeno para o grande número de participantes. O encerramento ficou por conta da entrega de medalhas(premiação) às equipes vencedoras das competições.
A participação e contagem dos ativistas da campanha do Dia do Desafio 2009 em Aurora prosseguiu até às 18 h. O evento contou com a promoção e realização direta da Prefeitura através da Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto, além do acompanhamento do Sesc-Juazeiro entre outros parceiros.Estiveram envolvidos na Programação:· Alunos Atletas infantis das escolinhas desenvolvidas pela SECULTGrupo de Convivência Social Amor e Paz (Secretaria de Ação Social)Ex-Atletas (Veteranos)CiclistasRepresentantes de todas as Secretarias Municipais, Assessoria e Departamentos.ProfessoresPessoas da população que fazem caminhadasConvidadosSecretários MunicipaisPastoral da Juventude.Pessoas da terceira idade assistida pela Secretaria de Ação Social e Casa da Família.Agentes de endemias(Funasa), atletas e ex-atletas, bem como da população de um modo geral.
Da: Redação do Blog da Aurora