sábado, 7 de março de 2009

EducAÇÃO, a melhor maneira de se mudar o mundo

Difícil pensar numa educação realmente de qualidade quando não existe um interesse efetivo de valorização dos seus professores. Mais que os discursos fantasiosos, valem os exemplos. Não é possível qualquer mudança educacional sem tocar a crise financeira fundante e de paradigmas por que passa o professorado brasileiro(e cearense) de um modo geral.
Nos últimos tempos, a questão da educação formal no Brasil vem apresentando resultados alarmantes. De modo que falta pouco para virar de vez um problema de segurança nacional ou quem sabe, até, de calamidade pública. Pois a educação é a chave para o progresso de qualquer nação. Os baixos índices de aproveitamento da nossa aprendizagem chamam a atenção da própria Unesco e outros organismos internacionais em face da grandeza da nossa geografia, densidade populacional e do próprio aporte financeiro que ora vem sendo empregado no sistema. Os resultados pífios assustam e preocupam. E deveriam ser outros muito superiores aos conseguidos por pequenos países pelo mundo afora. No entanto, antigos problemas como a evasão, repetência, baixos índices cognitivos e até mesmo de comportamento, atenção e disciplina, sem esquecer a violência comprometem seriamente a aprendizagem em suas mais diversas variáveis.
Num comparativo com nossos vizinhos sul-americanos estamos andando a passos de tartarugas e, com o resto do mundo, estamos muito aquém até mesmo de alguns países africanos onde o PIB não pode ser aquilatado com o nosso, dada a sua pequenez valorizativa. Daqui a pouco o Brasil terá que concorrer consigo mesmo, visto que piora a cada novo levantamento de dados. Culpa dos seus professores? Nem tanto. Os nossos mestres são também ainda hoje, vítimas do próprio sistema sócio-político-educacional que herdaram do passado.
Tudo isso é preocupante, principalmente para uma nação que se diz está preparada para ocupar uma posição geopolítica de destaque na América Latina. Assim como na saúde, ainda não está de todo resolvida a proposta do estado mínimo(neoliberalismo) e/ou da própria economia de mercado como instâncias do capitalismo; as velhas alternativas paliativas criadas para a atual problemática vivenciada pela educação brasileira. A idéia da mercantilização do ensino também não parece servir as grandes demandas sociais da nossa aprendizagem, dentre outras razões, pelo alto custo das mensalidades que vêm sendo cobradas. E a sociedade na sua maioria pobre não possui poder aquisitivo suficiente para tanto.
Afinal de contas, a preocupação primeira dos que fazem a educação como um negócio é o lucro. Todo o resto é secundário. Ora, mas a educação gratuita e universal é ou não é um dever do Estado e um direito dos cidadãos? Portanto, o ensino público precisa ser visto como uma intervenção de caráter estratégico e não como uma caridade que o Estado realiza em favor dos mais pobres ou remediados. Uma pena constatar que até mesmo uma parte considerável dos professores da rede pública de ensino prefira matricular seus filhos no ensino particular.
A sintomatologia do problema nos mostra por fim as grandes razões desta questão. A saber: baixos salários o que obriga os nossos mestres se dá ao excesso da sua carga horária, não lhes sobrando tempo disponível para o estudo, a pesquisa e a capacitação. Enfim, o investimento em si mesmo. Ainda, a preparação de boas aulas, descanso necessário, tempo para a família e uma dedicação mais prazerosa ao seu ofício de educar, bem como a falta de maiores incentivos salariais também compromete a disposição de muitos para ingressarem nesta profissão que noutros países, corresponde a um ofício de excelência onde sempre pontificam os melhores, os notáveis, os construtores de futuro e da história dos povos. Aqui no Brasil, com raras exceções, o exercício da cátedra está num processo de desvalorização acelerado, nunca vista em sua história. Muitos (talvez por isso) a tem como um mero complemento salarial um “bico” como se diz aqui Cariri. Sobreviver da profissão, portanto é um ato digno apenas dos grandes heróis. Tudo isso precisa ser revisto urgentemente para o bem do Brasil na sua perspectiva mais futurista possível. Como iremos atrair os melhores para a profissão sem a devida valorização. Por outro lado, a motivação é algo igualmente fundamental para o processo de ensino-aprendizagem. E isso vale, tanto para quem aprende, quanto para quem se dispõe a ensinar. Agora, digamos que não é nada gratificante para quem a faz no dia a dia, a sua atual banalização desenfreada. A propósito, por que será que o exercício ilegal da profissão não vale também para o exercício do magistério? Por que qualquer um pode adentrar a sala de aula e lecionar? Será que o professor também poderá clinicar; exercer, por exemplo, o ofício da veterinária, da enfermagem, da medicina em geral, da agronomia, da engenharia civil, etc.
A valorização da profissão de professor também precisa necessariamente reavaliar todas estas minúcias, como questões imperativas para a implantação de uma política educacional de fato diferente, evoluída, democrática, justa e de qualidade para todos: educandos e educadores. Não se pode esquecer que são justamente os professores quem formam todos os outros profissionais da nossa sociedade.
Uma série de contradições hoje se imiscui com todo o processo educacional brasileiro. No Ceará onde estas preocupações são muito mais gritantes, não é lá muito diferente. Temos uma estrutura quase antiga, praticamente sustentada por uma leva de professores tidos como “temporários”, a maioria com mais de cinco anos no ‘batente’ sob o regime de contratos temporários. Uma realidade “cômoda” para os Governos, mas nem tanto para o sistema e, tampouco para os próprios profissionais da área que anualmente são submetidos a uma carga psicológica e estressante ante a reavaliação seletiva(nem tanto seletiva assim), mas que se torna cansativa, penosa e quase humilhante para estes trabalhadores do saber. Depois vêm os baixos salários, para piorar diferenciados dos que são efetivos. Portanto, sem as necessárias garantias de muitos direitos inerentes a categoria mesmo tendo os mesmo encargos sociais, descontos e tudo mais.
Para se ter uma idéia do nível de contradição, basta dizer que todo início de ano letivo o primeiro pagamento só é providenciado no mês de abril e ainda, sem a devida integralidade do mês de janeiro. Seja pela burocracia ou pela falta de prioridade mesmo para com os temporários que hoje são os responsáveis pelo funcionamento da máquina escolar do estado, o tratamento conferido a estes bravos profissionais não corresponde a um ato de justiça, em face da dedicação com que todos devotam à formação educacional da sociedade cearense. Além do mais, mesmo sendo uma categoria numerosa não têm poder reivindicatório, uma vez que sendo “contratados temporariamente” temem as possíveis retaliações e até a perda do emprego. Por isso se faz necessário a instituição de um concurso público que possa contemplar de uma vez por todas as reais carências que o estado apresenta. E não apenas um fragmento delas.
A escolha dos novos diretores que ainda se arrasta desde o ano passado, também demonstra algo não muito interessante pelo menos desta feita, malgrado o seu viés democrático absolutamente necessário. Então, como entender um processo que visa substituir um quadro de diretores já completamente familiarizado, compenetrado e treinado com o gerenciamento administrativo, financeiro e pedagógico de uma escola; por outros que no mínimo, vão ter que gastar um certo tempo para compreender toda esta engrenagem? E se caso for alguém de outro município, que sequer conhece nossa realidade e a comunidade usuária da escola? São coisas deste tipo que às vezes nem Freud explica.
Mas, em educação tudo é possível, até mesmo a possibilidade de um eterno recomeço. Acreditar também para os educadores pode ser uma grande e salutar virtude. Quiçá um aprendizado. Não sei se isso valerá também para a sociedade que tem sede de justiça e pressa de grandes realizações sociais.
Por: José Cícero
Professor, Escritor e Poeta.
Aurora - CE.

sexta-feira, 6 de março de 2009

A Crise é do Capitalismo e não dos Trabalhadores

A crise financeira internacional que ora põe em alerta todos os demais países do mundo não constitui nenhuma novidade para os que vêem a história, além de um aprendizado, como um verdadeiro edifício também construído pela argamassa do capitalismo planetário.
A crise, portanto é cíclica. Um círculo-vicioso, um câncer envelhecido, há anos camuflado pela elite internacional e seus governos. Apenas os efeitos dela é que são democratizados, vez que mais cedo ou mais tarde (em maior ou menor grau)as diversas nações do globo haverão de pagar sua cota de sofrimento. Especialmente os países chamados periféricos do terceiro mundo e/ou emergentes. E nem é preciso ser bom historiador para perceber que, de tempos em tempos, a crise do capital sempre retorna como que mostrando aos contumazes dirigentes do caos que o capitalismo é um sistema apodrecido, que já se aproxima da sua exaustão. Assim como a forma exacerbada de consumo e desperdício que impõem as sociedades do mundo em relação a natureza e as recursos naturais. É evidente desde agora os grandes equívocos que o modelo capitalista encerra no seu arcabouço econômico-financeiro.
Em suma, é um modelo sustentado pelo egoísmo, a pilhagem, o vilipêndio, o estiolamento e as contradições de toda sorte. De modo que nada disso pode servir por mais tempo a humanidade, sobretudo aos que Marx chamou de proletariado.
A crise já era algo esperado pelos que se sentem de alguma forma, donos do mundo e do poder. A fase atual do capitalismo – o imperialismo, adentra o século XXI dizendo a que veio, isto é, que o caos está apenas começando. Esta é a principal razão de todo o silêncio do Governo norte-americano - o epicentro deste verdadeiro Tsunami financeiro, bem como de todos os seus asseclas da exploração internacional por intermédio do seu capital especulativo.
Mesmo distante o que ocorreu em 1929 parece não ter servido como aprendizado aos agentes da ciranda financeira internacional. Mas o processo histórico é de fato inexorável. A história não costuma ser tão pródiga nesta questão e, tampouco fazer concessões aos que se imaginam donos da verdade e por isso fazem vista grossa para a dialética das vicissitudes sociais. Mesmo que a história só se repita como farsa como também nos ensinou o autor do Capital.
Enquanto a economia mundial não se dispuser a tomar outro rumo, nós os pobres da periferia planetária ainda haveremos de experimentar momentos de dificuldades, muito mais críticos e cada vez mais exíguos nos seus intervalos de ocorrências. A má distribuição da renda mundial geradora dos altos índices de desigualdades e outros males; a diminuição do estado, a privatização dos serviços públicos e sociais elementares; a macro valorização do sistema bancário e do lucro; a agiotagem internacional expressa nas dívidas externas e internas; a não valorização da economia produtiva ante o trabalho, a ciranda financeira; a mercantilização de serviços essenciais como saúde, educação e cultura, dentre outros; poderão comprometer ainda mais a vida de diversos países espalhados pelo mundo inteiro.
Todas estas questões possuem um interessado em comum e direto: os EUA juntamente com todos os seus apaniguados capitalistas. Este mecanismo é o modo mais prático que encontraram para o desmantelamento de estados autônomos(que ousaram seguir outro rumo) e a fabricação da miséria no resto do mundo e, assim puderem lucrar cada vez mais com tudo isso.
A crise não pode ser outra coisa, que não o resultado natural desta política absurda e desumana implantada há várias décadas pelos imperialistas da corte mundial.
É urgente que se invista no social. Que ponham fim às dívidas externas que sagram de morte populações inteiras de pobres e miseráveis pelo mundo afora. É preciso que se plante a solidariedade internacional, para uma coexistência pacífica e justiça social. Do contrário nada de bom poderá ser colhido no futuro em relação aos povos em escala internacional. Estaremos sempre às portas de uma guerra social estabelecida na medida que grandes somas de ativos financeiros continuem rondando o planeta num regime de especulação que não serve aos que pruduzem de fato a riqueza - os trabalhadores do campo e das cidades.
Não é à toa que o Japão já começa a distribuir dinheiro para os seus habitantes numa tentativa desesperada de conter a crise. Os EUA principal responsável pelo caos, já anuncia com Obama intensos investimentos na sua economia de base à fundo perdido; socorro ao sistema bancário e a elevação da suas atuais cotas de subsídios notadamente no setor agropastoril.
Enquanto no Brasil, mais uma vez quem paga o preço ardo de mais uma crise são os trabalhadores. Basta ver as levas de operários postos no olho da rua, inclusive por empresas de ponta como é o caso da Embraer, que até pouco tempo era tida como modelo. E o Governo Lula apenas disfarça o perigo com frases de efeitos lançadas de propósito na imprensa, como se a crise fosse apenas “para inglês ver”.
Tal crise, é preciso que se diga, não é dos trabalhadores, mas sim do capitalismo. Portanto, o aparelho capitalista internacional(leia-se Governo Americano) é quem deve arca com o ônus desta problemática. E a primeira iniciativa seria se dispor a abrir mão dos juros da própria dívida internacional que ora vêm vampirizando nações inteiras de várias partes do Globo, incluindo o Brasil. Do ponto de vista interno a própria elite detentora das grandes fortunas também devem responder por este momento de percalços que está apenas começando, como asseguram os especialistas. Visto que historicamente, nossa elite tem conseguido obter grandes vantagens/lucros com a exploração da nossa classe trabalhadora, dentre outras coisas por meio de salários aviltantes e imensos investimentos na sistemática da agiotagem.
Enfim, quem precisa de auxílio neste momento são os operários, ou seja, os trabalhadores de um modo geral – a força motriz de todo progresso, e não o sistema financeiro, como tentam fazer que acreditemos a burguesia e parte da imprensa sob seu comando.
Mesmo num momento de crise, a prioridade do Brasil e do mundo deve ser o emprego e todo o investimento possível na sua estrutura produtiva, incluindo o campo e as cidades.
Por: JOSÉ CÍCERO
Professor, Poeta e Escritor
Aurora - CE.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Abastecimento de água: Prefeito Adailton assina Ordem de Serviços

Prefeito de Aurora Adailton Macedo, assina ordem de serviço para abastecimento d'água em quatro localidades da zona rural de Aurora.
O Prefeito de Aurora, Adailton Macedo(PSDB), esteve durante os dias 4 e 5 de março em quatro diferentes localidades do município. A visita se fez necessária devido a assinatura da ordem de serviço por parte do executivo aurorense com vistas ao abastecimento d’água nas localidades de Várzea de Pedra, Salgadinho, Franklândia e Mocó. Fizeram parte da comitiva o Secretário de Obras Antonio Macedo, de Agricultura José Dácio, além do vereador Chico Henrique e do empresário do setor civil o Sr. Ednaldo Andrade. Conforme o prefeito, cerca de 250 famílias serão diretamente beneficiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal no qual as obras estão consignadas. O programa se estenderá desde a construção de caixas d’água com capacidade de armazenamento de até 21 mil litros de água até outras obras de infraestrutura para o aprimoramento do sistema de abastecimento hídrico. Cada morador receberá 'o líquido precioso' diretamente em sua residência na mais absoluta comodidade, afirmou o secretário de obras.
Os chefes de famílias presentes ao encontro relataram que não vêem a hora de puder conferir o antigo sonho da comidade. Como foi o caso do agricultor Antonio de Luna, do sítio Salgadinho que disse “É uma satisfação para nós, porque a situação nossa é muito difícil, principalmente em época de seca. Implantação desse projeto resolverá de uma vez por todas o problema de água dessas localidades”. Há muito tempo que tínhamos essa promessa, mas só agora nos foi cumprida, estamos contentes por isso, conclui ele.
Vale ressaltar que os trabalhos de mão de obra serão executados por trabalhadores que residem nas próprias comunidade, segundo assegurou o alcaíde municipal. Que visa proporcionando assim, trabalho e renda para as próprias famílias que ali habitam. Essa foi apenas umas das várias reivindicação do prefeito Adailton Macedo junto a construtora ganhadora da licitação. O valor da obra é da ordem de R$ 300.000,00 (Trezentos Mil Reais) oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal em parceria com o município que, em contrapartida entra com o valor de R$ 14.000,00 (Quatorze Mil Reais). O Prefeito Adailton, explicou ainda que as próximas localidades a serem atendidas pelo projeto serão: Tipi de Cima, Sitio Volta, Sitio Saco, Beira do Rio, Japão, Crioulas, Caiçara e Espinheiro.
No caso do Espinheiro, a obra atingirá a ordem dos R$ 402.000,00 (Quatrocentos e Dois Mil Reais).
Da: Assessoria de Imprensa-PMA
Luiz Neto Xetão

domingo, 1 de março de 2009

Imposição da rede Globo retira TV Diário da parabólica

Desde a última quarta-feira, dia 25, que a TV Diário não está mais disponível na nossa telinha como antes, via parabólica. Tudo porque a poderosa rede Globo forçosamente exigiu a retirada do sinal do satélite Starone C2 no seu sistema analógico. A TV cearense era um dos raros canais que transmitia sua programação pelo sinal aberto com uma abrangência de atuação em torno de 30 milhões de antenas parabólicas espalhadas pelo Brasil e outros países da América Latina. Isso com certeza vinha incomodando a “poderosa” que contabilizava perdas importantes, tanto no mercado quanto na audiência em diversos estratos da sociedade, incluindo a região Nordeste. A exigência para a retirada do sinal não era de agora. Desta feita, portanto foi batido o martelo: a Diário teria que sair já ou perderia o direito como afiliada da Globo Nordeste de retransmitir a programação da ‘janela dos marinhos’. O mais curioso é o silêncio que ainda paira sobre o assunto. Será que a ameaça também incluía o “calar da boca”? Isso para um meio de comunicação é algo grave, inaceitável num país que se diz democrático e que vivencia até as últimas conseqüências o estado de direito.
A propósito, por que será que ninguém do grupo Verde Mares não se pronunciou até agora acerca desta decisão draconiana? Por que eles não utilizam a própria emissora para dá explicações aos seus telespectadores? Mesmo os que ainda conseguem captar o sinal aqui no Ceará? Por que não usaram os outros meios midiáticos que lhes pertencem como o jornal escrito e as emissoras de rádio? No mínimo é pra lá de estranho esta atitude, ou seja, a falta dela. A opção pelo silencia só demonstra certamente todo o grau da exigência imposta pela “poderosa”. Cadê a imprensa livre(sic) do nosso estado? Com exceção do jornal O Estado que publicou uma nota pífia sobre o tema, quase mais nada foi veiculado. Cadê o sindicato da categoria? Cadê os formadores de opinião? Os políticos e a sociedade consciente como um todo?
A Globo talvez esteja sentido saudade dos velhos tempos onde o seu poderio era muito mais ferrenho, vez que o monopólio era quase intransponível. Mas felizmente os tempos mudaram; outras emissoras de TV já começam a abocanhar o antigo filé mignon da emissora. Antigos piques de audiência alcançados pela Globo noutros anos agora são coisas impensáveis. Por isso o desespero expresso em iniciativas como esta de forçar a Diário a sair do satélite que na verdade, soa como um verdadeiro golpe contra milhares de espectadores distribuídos pelo país inteiro.
A TV do Ceará é bem verdade, também não tinha uma programação lá muito boa do ponto de vista da cultura cearense e do Nordeste... Mas digamos, era a alternativa possível que tínhamos para fazer frente aos enlatados e a padronização dos canais do Sul que há muito nos empurravam goela a baixo. Como dizem “um pequeno fator de integração da comunidade nordestina espalhada de norte a sul do Brasil”.
Em todo caso, fica claro que o velho poderio da Globo não serve ao povo brasileiro por vários motivos. Por outro lado, quem sabe a “poderosa” possa aprender a partir de agora que a queda nos seus índices de audiência e perdas nos diversos nichos mercadológicos sejam claros indicativos de que sua programação está uma lástima. Quem sabe possa descobrir um novo caminho e constatar que o Brasil não é um Big Brother. Portanto se disponha a mudar. E mudar para melhor... Do contrário vai ter que prosseguir destruindo raivosamente como fez com a Diário, outras das suas afiliadas regionais que tiveram a ousadia de pensar e fazer diferente mesmo estando no seu ninho chocando seus antigos ovos de ouro. A TV Diário tinha, mesmo com suas deficiências, a cara do Ceará e do Nordeste. Por isso não podemos nos calar diante de tão absurda arbitrariedade.
Afinal, toda emissora de TV (e a própria Globo) é uma concessão pública e, de certo modo pertence a sociedade brasileira. Ademais, todo poder emana do povo? Na Globo parece não ser bem assim. Conquanto, a imposição da rede poderosa a TV Diário é algo inaceitável, notadamente para os cearenses.
Por: José Cícero
Aurora - CE.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Seculte-Aurora reforma prédio da antiga Estação Ferroviária



A Secretaria de Cultura do município de Aurora prossegue com os trabalhos de reforma da Estação Ferroviária. O antigo prédio abrigará a partir de agora o acervo da Biblioteca Pública Municipal, além de servir de espaço para o programa 'Ilha Digital'.
Segundo o secretário de Cultura, Turismo e Desporto do município, José Cícero, existe todo um projeto para revitalizar o espaço da velha estação que é um dos mais importantes símbolos da histórica da cidade. “Defendemos o tombamento do prédio com obras de infra-estrutura em seu entorno. Além da biblioteca queremos criar o museu, uma praça de alimentação, o telecentro(Ilha Digital) e uma pracinha para proporcionarmos lazer e entretenimento para a população”, explica o secretário. “A pedra da estação precisa voltar a ser um espaço de visitação pública como nos velhos tempos. No passado, afirma ele, tudo que era novidade passava por lá. Era o espaço mais democrático e sociável daquela época. Lá se sabia das novidades e das notícias da Corte, da capital e do mundo. A verdadeira TV dos tempos modernos. Um patrimônio arquitetônico que precisa ser recuperado em nome da nossa memória", disse ele. Foi na pedra da estação de Aurora que ocorrera o célebre e trágico assassinato de Izaías Arruda, aurorense, um dos maiores coiteiros de Lampião no Cariri e que também se tornou pela força, ser prefeito do vizinho município de Missão Velha.
Um dedo de prosa sobre a História:
A estação de Aurora foi inaugurada em de 07 Setembro 1920. Segundo registros, foi uma data das mais festejadas que o município já experimentou. Um símbolo do progresso e duma época áurea de Aurora. O primeiro entroncamento do Cariri.
HISTÓRICO DA LINHA:
A linha-tronco, ou linha Sul, da Rede de Viação Cearense surgiu com a linha da Estrada de Ferro de Baturité, aberta em seu primeiro trecho em 1872 a partir de Fortaleza e prolongada nos anos seguintes. Quando a ferrovia estava na atual Acopiara, em 1909, a linha foi juntada com a E. F. de Sobral para se criar a Rede de Viação Cearense, imediatamente arrendada à South American Railway. Em 1915, a RVC passa à administração federal. A linha chega ao seu ponto máximo em 1926, atingindo a cidade do Crato, no sul do Ceará. Em 1957 passa a ser uma das subsidiárias formadoras da RFFSA e em 1975 é absorvida operacionalmente por esta. Em 1996 é arrendada juntamente com a malha ferroviária do Nordeste à Cia. Ferroviária do Nordeste (RFN). Trens de passageiros percorreram a linha Sul até o dia 16 de novembro de 1989, quando pararam. Sobraram somente os trens metropolitanos em Fortaleza... Agora já se ventila para breve o Trem do Cariri que interligará o triãngulo Crajubar.
Rede de Viação Cearense (1920-1975)RFFSA (1975-1997)
Inauguração da Estação de Aurora 07. 09. 1920
Da Redação do blogdaAurora/Jc
Site Estações Ferroviárias

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Artigo: A Morte do Rio Salgado!

É urgente uma política de conscientização sobre a importância da relação entre o homem e seu espaço geográfico, pois, o nível de harmonia entre os seres vivos e o meio ambiente é condição básica para a continuidade da vida no planeta. Este artigo é um sinal de alerta para que as autoridades, as instituições e a sociedade como um todo possam refletir que o progresso, a ocupação humana de forma desordenada e a interatividade social, sem uma preocupação com o meio ambiente, sem uma política consistente de avaliação sobre os ecossistemas, e principalmente, sobre a agressão gratuita ao rio Salgado pode se converter numa situação irreversível e danosa a toda a população da região do Cariri; com implicações devastadoras para todo o sul do Estado do Ceará, Os Impactos ambientais causados pela violência com o rio Salgado, já são visivelmente sentidos pela diminuição e até mesmo extinção da fauna fluvial e da flora ciliar, pois ao primeiro contato com os habitantes mais antigos que viveram toda sua vida ao lado do leito do rio, se observa, um clima de saudosismo, tristeza, onde enumeram inúmeras espécies de peixes, aves e vegetação que já não existem e muitas vezes são raros os exemplares que até bem pouco tempo existiam em abundância. O rio Salgado é uma prova viva da rapidez de destruição deste ecossistema tão importante e vital para a nossa região. As recentes enchentes, onde centenas de casas, pontes e barragens, foram destruídas pelo rio Salgado (janeiro/fevereiro, 2008) é uma reação violenta da natureza, quando esta, é agredida gratuitamente, sem nenhum planejamento, sem nenhum estudo científico prévio, e quando é tratada sem seriedade pelo homem. Enquanto a água está sendo reconhecida mundialmente como o bem mais precioso do século, o rio Salgado está morrendo, pois os dejetos e resíduos doméstico, industriais, hospitalares e públicos estão sendo despejados no rio que corta os municípios de Crato-Ce, Juazeiro do Norte-Ce, Barbalha, Brejo Santo, Mauriti, Missão Velha, Milagres, Caririaçu, Aurora, Lavras da Mangabeira, Cedro e Icó desembocando no Rio Jaguaribe abaixo do açude Orós, {após a ponte de Piquet Carneiro} ao longo deste percurso o Salgado é poluído e como consequencia contamina o lençol freático da região. O Rio Salgado necessita urgentemente de uma limpeza geral e uma despoluição completa, pois além de ser fonte de vida para as comunidades ribeirinhas, é também centro da produção agropecuária no sul do Ceará.
Por: Luiz Domingos de Luna
Professor - Mestre da Ordem Stª Cruz
Aurora - CE.
Foto: DivulgaçãoWEB

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

AURORA, novos rumos, novo tempo, nova história

Quando muitos imaginavam que Aurora estava fadada ao continuísmo da sua vida política, eis que seu povo numa altivez quase socrática decide-se pelos caminhos das mudanças. E pela força do voto livre e soberano elege sem vacilações para comandar os seus destinos no próximo quadriênio o jovem prefeito Adailton Mecêdo e o vice Antonio Landim. Ambos ascenderam ao topo da política auroronse pela marca da coragem e da determinação efetiva de sempre acreditar num futuro melhor e diferente para sua gente por meio dos sucessivos mandatos de intensa combatividade que desempenharam como vereadores. Juntos por vários anos ajudaram a transformar o espaço da edilidade municipal numa justa trincheira de luta em defesa da municipalidade, em especial, dos mais necessitados e oprimidos socialmente.
Por todas estas nuances, esta foi indubitavelmente, uma vitória do povo que, além de consagradora pela forma como aconteceu – desprendida e espontânea; carregara igualmente no seu bojo uma série de outros importantes desdobramentos políticos, sobretudo pela vontade demonstrada nas urnas em se trilhar um caminho novo e diferente. Foi, por assim dizer, uma verdadeira guinada na recente história dos itinerários políticos de Aurora. Assim como um revés dos mais notórios e implacáveis nas intenções continuistas dos que se imaginavam poderosos o suficiente para se sentirem acima da crítica e das reivindicações mais elementares da população. O deslumbramento do poder fê-los esquecer da maioria, ao ponto de não conseguirem sequer ouvir a voz rouca das ruas e dos grotões mais longínquos do nosso interior rural. A ingratidão passou a ser uma sombra a rondar como um fantasma odiento os corredores do poder. O exclusivismo e o privilégio de uns poucos terminaram por comprometer a esperança de dias diferentes como coisas novas no senso-comum dos que resolveram mudar. E mudaram radicalmente... Porém, como dizem, ‘depois da tempestade, vem sempre a bonança...’ E a democracia mais uma vez triunfou. Novos tempos já se avizinham e, decerto com eles haverão de vir, também novos desafios e dificuldades a serem enfrentadas com a mais absoluta racionalidade, inteligência, tolerância, ousadia e uma dose excessiva de espírito público.
Nenhum líder, em qualquer época da humanidade, que não se tornara humilde para ser enfim, entendido pelos pequenos, conseguiu sobreviver ao teste da história. Neste aspecto, Aurora foi prodigiosa nos exemplos que forneceu nestas últimas décadas. Nesta premissa é que mais se justifica a decisão mudancista e meritória da sociedade aurorense. De sorte que, desde 1º de janeiro, a urbe “sol nascente” firmou de vez o seu encontro com uma nova história na perspectiva de dias melhores para a sua gente: hospitaleira, sonhadora, fraterna e progressista.
Tal qual uma autêntica fênix mitológica dos altiplanos caririenses, Aurora – a rainha do Salgado sobrevivera a si mesma para se impor de uma vez por todas no cenário sócio-cultural, político e econômico do Cariri; a partir da opção democrática que fez pelos nomes de Adailton e Antonio Landim. Provando efetivamente que o povo pode mais...
Por: José Cícero
Professor, escritor, pesquisador e poeta.
In Folha do Ceará

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Morre em Aurora aos 89 anos o violonista Joaquim Paulino

Morre o anjo musical da paróquia do Senhor Menino Deus de Aurora*

Enquanto a história a devorar em manuscritos, os acontecimentos seletivos que registram a passagem do homem no globo giratório, em janeiro de 1961, o pórtico da igreja matriz de Aurora foi testemunha da entrada de um homem simples, humilde, curvado em suas orações, no estado de completa entrega aos escolhidos a serviço da messe do senhor.
A penumbra deste gesto de oblação plena foi à trajetória de mais de 40 anos na linha de fé continuada, uma fé traduzida em obra, obra de vida, obra de luz, obra de um testemunho de 70 anos de união conjugal num modelo de moral religiosa para todos os habitantes da terra do Menino Deus. Para o cidadão comum isto basta, mas para o mestre Joaquim Paulino, 'seu Joaquim Paulino', a igreja Matriz do Menino Deus merecia muito mais. Mas o que podia oferecer um homem humilde e simples a seqüência temporal continuada no raiar de cada Aurora ao templo sagrado de Deus? Isto foi o centro de suas preocupações primeiras que, consumia toda sua matéria, imergida no oceano de luzes, a focar a sequência de uma nova história, no vislumbre do cumprimento de sua missão. Missão revelada num sinal do majestoso vigário de Aurora Padre Francisco Luna Tavares – Padre Luna – Ao postar-se diante do Padre Luna, deu o seu sim, um sim completo, um sim que foi louvado na seara celestial com harpas, violões, violinos, cavaquinho e tudo mais, digno de um banquete celestial. Nasceu ai uma solução espiritual, mas o mundo limitado da matéria sempre a rondar as pessoas, a provação da dor material. Como uma provação de fé, ou um obstáculo a ser superado, como um 'espim' na carne, seu Joaquim Paulino sofreu e sofreu plenamente, como tocar violão para animação do santo sacrifício das celebrações eucarísticas da Igreja Matriz do Senhor Menino Deus, se Joaquim Paulino não tinha violão, a paróquia também não, o violão era apenas um modelo mental de luz sonora a povoar as mentes dos seres humanos que sabem quebrar a barreira das limitações materiais. Porque não dizer a barreira do mundo possível.
De posse da forma do modelo do violão grafado em sua mente brilhante e determinado, seu Joaquim Paulino parte nos baixios e na orla do rio Salgado a buscar a madeira para confecção do violão para a animação das solenidades litúrgicas na igreja Matriz do Senhor Menino Deus. Seu Joaquim Paulino era carpinteiro ou entendia das artes de marcenaria? Com certeza não, pois inúmeras são as lápides, bem torneadas, e bem acabadas presente hoje no campus santo de Aurora. Um mestre na alvenaria, na argamassa, na esquadria, verdadeiras obras de arte que dão cor e vida ao nosso cemitério que em nada fica a desejar na relação com os demais da região. A sabedoria de seu Joaquim Paulino foi saltar a limitação do oficio e entronizar na sua alma o timbre de um grande escultor, e assim, de suas mãos foi materializado o violão, agora sim, confeccionado, afinado, materializado a integrar o corpo sonoro das liturgias, que, com o idealismo deste anjo, passou a formar o coro harmônico do coral, ao batido dos lábios dos fieis, ao som do violão a letra já vinha pronta para as fases de celebração da santa missa, violão, harmônio, órgão, companheiros do sonho deste anjo de luz da música eclesiástica da Igreja do Senhor Menino Deus de Aurora – Seu Joaquim Paulino.
Por: Prof. Luiz Domingos de Luna(FOTO NO TOPO)
Mestre da Ordem Stª Cruz -
Forania de Aurora-CE.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dom Hélder Câmara, 100 anos de nascimento, uma década de Saudade e Ostracismo

Neste dia 7 de fevereiro comemoramos(ou pelos menos deveríamos ter comemorado) o Centenário de nascimento do imortal homem do Bem - D. Hélder Câmara. Decerto, a maior figura que o nosso Ceará já projetara para o Brasil e o mundo. Um homem singular. Um nordestino que compreendeu sofrendo a dura linguagem da dor com que os sertanejos(quase sem exceção) aprenderam a duras penas, a sobreviver confiantes na misericórdia de Deus. Por isso fez da sua própria vida um sacerdócio em favor dos pobres, miseráveis e oprimidos do Nordeste, do Brasil e do Mundo. Simplesmente porque para ele, nenhuma fronteira existe para os que sofrem as injustiças em qualquer parte do planeta. Por sua luta, também se tornara um perseguido pelos asseclas da ignorância e do poder.
D. Hélder teve o poder que o animava, mas nunca se fez um homem do poder. Foi padre, foi Bispo de Olinda-PE. Como um homem de Deus e de coragem não vacilou nem por um instante, naquilo que decidiu empreender em favor dos desfavorecidos da sorte e da guerra social. Ao seu modo, procurou dá a única arma que dispunha aos que precisam manter-se vivo diante da dura faina da sobrevivência – a fome de justiça e a consciência de que a conquista seriam imperativos dos que lutam e fazem com que as coisas e o bem aconteçam para todos. O crucifixo ao peito era seu escudo. Ao contrário de muitos, nunca compartilhou com a idéia e, tampouco com o discurso de que a pobreza e o sofrimento existiam porque Deus os queria. A riqueza material assim como a miséria absoluta eram produtos unicamente da esperteza dos homens. E por sua vez não constituíam realidades imutáveis. Seus assistidos compreenderam isso.
Por sua estreita dedicação aos pobres, fora certa feita, igualmente acusado de comunista. E a partir daquele momento, também sofreu na pele a perseguição e a covardia dos poderosos. Dos que, invés de Deus no coração mantinham o desejo de poder. Porém, nada disso o afastou dos oprimidos. Muito pelo contrário – juntou-se a eles. Ou mais, fez-se o tempo todo um deles...
Enquanto sacerdote de Roma conseguiu fazer da religião que o animava e professava, um verdadeiro instrumento de Deus, por meio do qual seria possível transformar a vida para melhor através da solidariedade, da justiça, da educação e da verdade. Desta maneira fizera cumprir como nunca, a assertiva cristã da divisão efetiva do pão e do amor com os que deles necessitavam, sobretudo os desgraçados dos sertões e os perseguidos do asfalto, por quem sobreviver apenas mais um dia no mundo-cão já era um grande milagre.
Dom Hélder foi um autêntico jardineiro do bem e da justiça social... Por isso é inconcebível que hoje, justamente na data do seu centenário, quase ninguém e quase nada seja visto à guisa de lembrança, no nosso meio, sobretudo nas igrejas, nos estratos do poder, nas escolas e, tampouco na imprensa. É como se o nosso conterrâneo ainda estivesse por algum motivo sendo perseguido, por esta que é seguramente, a pior forma de degredo e de exílio, que é o ostracismo e o esquecimento quase total. Sabia que tínhamos memória curta, mas não tanto para esquecer D. Hélder. Será que alguém se esquecer tão rápido assim dos BBB’s da vida, do tri-campeonato, do Pelé, das novelas das oito, da musicazinha apelativa de sucesso, das bundas rebolantes, do Zico e do Romário, da Carla Perez, do livro fraquinho do Paulo Coelho?! e por aí vai... A propósito, será que lembram de outro cearense: Frei Tito?! Aposto que não.
Mas, nosso irmão do bem é de fato inesquecível. Porque o seu exemplo de coragem, entrega, amor, desprendimento e dedicação aos oprimidos não morre nunca. O futuro a partir de hoje, já começa a provar que D. Hélder foi e será para o todo e sempre, um homem póstumo. Nós é que ainda estamos atrasados rememorá-lo. Por isso viverá para sempre naqueles que nunca perderam a esperança, a ousadia e a capacidade de lutar pelo que consideram justo e necessário à concretização dos seus sonhos.
Arrisco-me a dizer que as nossas utopias mais gritantes daqui para frente terão a marca e o próprio nome do velho homem do bem: D. Hélder Câmara. Graças a Deus!
Uma maldade saber-se que na véspera do seu centenário um prédio público(TRT de Fortaleza) do nosso Ceará tenha quase retirado (seu nome) como antiga homenagem a D.Hélder – um símbolo da luta contra a ditadura e uma vez até concorrente ao prêmio Nobel da Paz.
Mas, a memória de D. Hélder permanecerá como uma rocha plantada no meio da caatinga do Ceará e do próprio Nordeste desafiando as inclemências do sol, assim como a sequidão das pessoas e a solidão do poder. Porque todo o resto, D.Hélder estará lá de cima intercedendo por nós ao lado de Deus. Posto que suas palavras ainda ecoam aos ouvidos dos que têm ouvidos para ouvir e dias para sonhar todas as utopias de viver.
Um pouco de D. Hélder viverá para sempre em cada um de nós, que não desistimos de acreditar numa vida possível: mais fraterna, prazerosa, igualitária, harmoniosa, solidária e de justiça social para todos.
Mesmo sabendo que poucos são ainda ao que conseguem rebuscar no fundo da memória esta lembrança. Por que aqui no Brasil é assim.
Existe uma verdadeira cultura que instiga e apregoa aquilo que denominamos de “memória do esquecimento”. Somos por natureza psicológica, eternos e inveterados ‘esquecedores’. Por isso, não é de todo errado a velha afirmação que diz que os “brasileiros têm memória curta”. Quem sabe pela nossa própria história de percalços e sofrimentos, a natureza impôs a genética do dom de esquecer rápido o nosso passado. Uma maneira de não continuarmos sofrendo permanentemente, a memória do passado por intermédio do presente e do futuro. Mas, digamos, isso é uma desculpa deveras espalhafatosa. Apenas mais uma no meio de tantas outras, dentre as quais a própria falta de uma educação mais consistente e popular aos moldes dos mestres Paulo Freire, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro.
Viva D. Hélder! E que D. Hélder viva para sempre em nós...
Por: José Cícero
In Overmundo

sábado, 7 de fevereiro de 2009

POESIA: Ausência

Enquanto ela sonha
eu durmo.
Sobre o silêncio
que me resta
do que foi
a sua boca:
Uma noite
em festa.

Ela sonha.
Eu durmo
toda busca
que me completa.
Ela ama.
Eu morro
em sofreguidão.
Tanto ela
quanto eu,
somos apenas:
Sonhos adormecidos.
Restos,
de tudo aquilo
que idealizamos
um dia.
E o mundo
fez-se noite.
E só por conta disso
declarou-nos guerra.

Eu sonho.
Ela morre
todo dia
em desatino,
asfixiada
pelas lembranças
dos meus beijos
e minhas mãos
postadas,
ensandecidas,
danadas.
Abrindo portas
querendo escondê-la
das nossas próprias feras.

Ela dorme.
Eu fumo
seus dedos
sobre mim,
como um compasso
sobre o mapa-múndi
a apontar caminhos.
Estranhos sentimentos
de quem ama
todo o impossível que existe
Nesta espera:
Desejos amazônicos
perdendo-se no escuro
dos seus cabelos,
seguindo meus passos
sobre seus atalhos
cheios de florestas.

Ela dorme
em meu Eu profundo.
Sobressaltado
eu acordo
entre seus pêlos.
Atormentado
pelos pesadelos
dos meus fantasmas
internos;
indo todos
a um encontro
que nunca aconteceu
Comigo.
Porque todo o sonho
que tivemos juntos,
morrera sempre
no ontem desta distância
ingrata:
ano-luz e vela,
estendida
entre eu e ela.

Ela dorme
profundamente.
Eu morro.
Frio de solidão e medo.
Morno desejo,
tépido.
Fogo e paixão.
E nada mais nos resta.
Porque eu durmo
Sempre procurando
O que não mais existe
entre eu e ela.

Enquanto ela dorme.
Agora mesmo
sobre meu peito inerte.
Eu prossigo acalentando.
Canção de ninar
quando tento em vão
dizê-la que amo.
Como quem morre
entre lembranças
e outros segredos.

Ela dorme.
Eu morro.
Velando
seu sono
sob a luz
de vela
em meu silêncio
profundo.
(*) Por: José Cícero
In Miscelânia Poética de uma vida incompleta(inédito)

AuroraFolia edição 2009 começa a mobilizar comunidade


Com as atenções voltadas para a maior comemoração momina do interior do Cariri - o AURORAFOLIA 2009 - representantes da Prefeitura municipal ultimam os preparativos para o evento, bem como a divulgação na mídia do CE e PB. Na última quinta-feira, 5 o secretário de Cultura, Turismo e Esporte José Cícero, juntamente como o secretário de Administração Osasco Gonçalves e o Ouvidor do município Cícero Herivelto estiveram empreendedo visitas a alguns órgãos de imprensa da circunvizinhança e de Cajazeiras tais como: redação do Correio do Sertão(portal)., da rádio Arapuan FM e AltoPiranhas AM ; onde a divulgação do AuroraFolia já está sendo veiculado para toda região. A partir de segunda-feira, serão acionadas as emissoras de rádio: Vale do Salgado AM de Lavras da Mangabeira, Boa Esperança AM de Barro, Vale do Cariri de Juazeiro do Norte e TV Diário de Fortaleza. Além da imprensa escrita onde a veiculação do evento aurorense já está sendo executada há vários dias.
"No decorrer da semana estaremos realizando uma série de encontros com órgãos municipais para debate algumas questões relacionadas ao carnaval, principalmente no que tange a organização e a segurança", afirma o secretário de Cultura, José Cícero. "Também esteremos conversando mais uma vez com todos os diretores do blocos que desfilarão este ano na avenida, além de reuniões de avaliação com a equipe da SECULTE-Aurora, secretárias municipais e Conselho Tutelar", concluiu.
As inscrições para o desfile de bloco que é gratuita, se estenderá até o dia 15. Cerca de sete representações mominas já confirmaram presença no AuroraFolia 2009. Como também os concorrentes a rei momo e rainha do AuroraFolia 2009.
O prefeito Adailton Macêdo juntamente com o seu vice Antonio Landim estão empenhados em fazer este ano um carnaval que, a que tudo indica ficará na história, a começar pelo valor da premiação, o número de bandas, inclusive atrações baianas, sem esquecer o desfile dos blocos pela rua puxado por Tiro Elétrico. Já o carnaval de clube destinado a criançada também é uma das novidades este ano. "Estaremos colocando 5 bandas na ABA todas as tardes para animar o Vesperal da Folia, com um leque de premiação em dinheiro e troféus para as crianças que se destacarem no salão. Também premiaremos os destaques juntamente com a rainha e o rei mominho do vesperal", assegurou o secretário.
A partir de segunda-feira a propaganda será massificada em todo o município através de diversas formas de mídia. "A novidade assim como a ousadia serão apenas uma das nossas marcas", enfatiza o chefe da Seculte-Aurora.
"Por fim, entendemos que o entretenimento e o lazer também são direitos da população, razão pela qual estamos empenhados em fazer o melhor para nossa gente. E para isso o prefeito Adailton Macêdo não está medindo esforço. De modo que acreditamos que logo Aurora se mostrará de vez para o Ceará e região como um verdadeiro portal de cultura, tradição e arte. O AuroraFolia será apenas o primeiro passo para uma longa caminhada de conquista que está apenas iniciando", finalizou o secretário.
In Diário do Sertão-PB

OPINIÃO: Desfile de Carnaval, uma competição para todos

A festa carnavalesca da cidade de Aurora vem se tornando numa das maiores animações de rua da região do Cariri. Mas ( nos eventos anteriores) existiu uma grande falha em relação aos que fazem esta festa ser realmente um sucesso. Tal falha é referente aos métodos de avaliação que a meu ver não é justa, principalmente quanto aos blocos; pois já no início da festa já se sabe qual bloco será o vencedor... Que é sempre o que tem mais condições financeiras.
Alguns participantes afirmam que, a avaliação é justa, mas outros a consideram errada. Os que são contra dizem que os blocos com uma boa condição financeira apresentam um abadá mais bonito e encantador, além de dispor de transportes e estrutura para se deslocarem para vários lugares durante o dia, sítios vizinhos à sede etc. Por outro lado, os que são contra também consideram injusta a avaliação pelo fato de os blocos carnavalescos de uma condição financeira inferior não poderem estar em vários lugares, mas são eles os responsáveis pela animação da folia à noite na avenida.
Do meu ponto de vista, esse julgamento deveria criar expectativa até o dia da apuração. Um das sugestões seria a criação de gincanas durante o dia que façam todos interagirem, além de contar como uma das notas nos quesitos de avaliação. Uma outra sugestão, esquecida durante os anos é a do desfile dos blocos pelas ruas. Deveria ser reservada uma noite da festa; de preferência a primeira, para o desfile, dando inclusive oportunidade aos idosos e aos que não podem estar na avenida, ou seja, que todos moradores de Aurora possam conhecer todo o encanto proporcionados pelos blocos de carnaval.
Ainda, é importante que se crie uma nova forma de avaliação, de modo que todos os blocos se interajam, para que não ocorra o que se viu no passado: tumultos e confusões entre os próprios concorrentes.
Um carnaval justo acarretará uma animação festiva sem violência e mais agradável para todos os seus participantes.
Hugo Leonard De’Leon Gonçalves dos Santos
Estudante
Aurora – CE.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Aurora realizará o maior Carnaval da sua história, garante Seculte

Vem aí o mais animado carnaval de rua do interior caririense: AuroraFolia-2009!
De 20 a 24 de fevereiro na avenida Antonio Ricardo no coração da cidade de Aurora na região do Cariri.
"Prepare o seu abadá, vista a sua fantasia, venha participar do AuroraFolia – o maior e mais alegre Carnaval Popular da alegria". Esta é apenas uma das palavras de ordem com que a Secretaria de Cultura, Turismo e espote do município está divulgando o evento momino em toda a região.
O carnava há muito já se transformou numa das maiores festas populares do Brasil e este ano Aurora também escreverá efetivamente o seu nome no rol dos eventos carnavalescos mais animados e importantes do Cariri cearense. Organizado e participativo o nosso AuroraFolia tem tudo para se firmaer de vez como uma grande festa do povo, afirma do secretário da pasta José Cícero. "O AuroraFolia ficará na história: Serão mais de 12 atrações musicais, desfile de blocos, escolha da rainha e do rei momo do carnaval adulto e infantil. Ainda, premiação dos três melhores blocos que se destacarem na avenida e no vesperal da criança na ABA. Desfile dos blocos com trio elétrico pelas principais ruas da cidade. Além de som, palco e luz, o prefeito Adailton Macêdo, também já garantiu todo um aparato de segura e infra-estrutura necessário para que o nosso folião possa gozar de bem-estar e comodidade durante os 5 dias de festa e mais a manhã da quarta-feira de cinzas", enfatizou o chefe da pasta. Cerca de 7 blocos já garantiram presença no desfile e disputarão os três primeiros lugares do Concurso. A saber: Pankadão, Os normais, TipiFolia, H-lera, Os melados, Kasado também namora, Os trutas e Tchê, Tché, Tchê.
As inscrições são gratuitas e se estenderão até o dia 15 de fevereiro.
Toda população foliã de Aurora e das cidades circunvizinhas estão sendo convidadas a participar do acontecimento.
Confira a para a programação:
Sexta-feira, dia 20 –
Abertura – 1º Grito de Carnaval de Rua:
Desfile dos blocos carnavalescos pelas ruas da cidade com a participação de um trio elétrico.
21:00h - Banda Cariri Brasil (CE)
23: 30 h - Xexéu e Banda (BA)
Sábado, dia 21 –
21:00 h - Namoro Novo(CE)
23:00 h - Sacanear (CE)
Domingo, dia 22
21:00 h - Campeões do Forró elétrico (CE)
23:00 h - Banda Skema(CE))
Segunda-feira, dia 23
21:00 h - Cara de Pau (CE)
23:00 h - Rabo de Sereia(CE)
Terça-feira, dia 24:
21:00h - Banda Pinel (BA)
23:00 h - Cariri Brasil (CE)
Emendando na manhã da Quarta-feira de cinza:
01:00h (da manhã) - Super Orquestra Canaã (PB)
Das 03:00h às 08:00 h - Zuerê(PB) e Karetões elétricos (PB)
E tem mais, durante os cincos dias acontece na Associação Beneficente Aurorense - ABA o Vesperal da Folia fazendo; a festa da criançada aurorense, com 5 bandas e um show de prêmios para os foliões mirins:
Confira as atrações do Vesperal da Folia na ABA:
Sexta-feira, dia 20 - 14:00 h - Super-orquestra Canaã(PB)
Sábado, dia 21 - 14:00 h – Moral do Samba(CE)
Domingo, dia 22 - 14:00 h - Banda Cariri Brasil ( CE)
Segunda-feira, dia 23 -14:00 h – Índio dos teclados elétrico( CE)
Terça-feira, dia 24 - 14:00 h - Banda Zunzueira (CE).

Confira a premiação do AuroraFolia 2009
Concurso de Blocos:
1º lugar – 3.000,00
2º lugar - 2.000,00
3º lugar - 1.000,00
Escolha da Rainha e do Rei Momo do AuroraFolia 2009:
Rei Momo eleito – 500,00
Rainha eleita - 500,00
Bônus de ajuda aos Blocos - 1.000,00
Escolha da Rainha e do Rei momo infantil do Vesperal da Folia:
Rei momo infantil – 200,00
Rainha - 200,00
Melhor Fantasia – 100,00
Alegria - 100,00
Revelação - 100,00
Criatividade - 100,00
Simpatia - 100,00
Melhor folião - 100,00
foliona infantil – 100,00 .
(***) Neste carnaval
em Aurora a alegria será geral...
AuroraFolia – 2009!...
Promoção: Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto(Seculte-Aurora)
Realização Prefeitura Municipal de Aurora
Adm. "O Povo construindo o novo"

Um Giro pelo nosso Cariri

A História da humanidade foi toda baseada na destruição do espaço geográfico para a preservação da espécie humana, milhares de espécies foram extintas pela ação contínua, dos seres racionais. O Ato destruidor do homo Sapiens está impregnado no DNA biológico e cultural; conscientizar o humano de que são desumanas suas ações para com a sua própria existência civilizatória é tarefa de gigante. Inconcebível à luz do pensar existencial e de sua carga genética cultural, advinda desde a era cenozóica no período do pleistoceno. Um grito isolado de defesa ambiental no meio da multidão soa como ridículo esdrúxulo. Creio que os devoradores do planeta são os grandes grupos empresariais, porém, eles fazem isto porque a vida no modelo atual exige isto,o qual, é uma cadeia alimentar, social, política, econômica{...}, o padrão; parar isto, seria parar o desenvolvimento da sociedade dentro do foco que conhecemos. Logo a questão ambiental está ligada à linha de consumo, hábitos que foram bem elaborados no processo histórico civilizatório da humanidade. Ora, O rio salgado no cariri cearense até meados de 1835 era um rio perene e saudável, hoje virou um esgoto do lixo cultural do cariri, porém, sem este esgoto não teria outra forma de desenvolvimento de uma das regiões que mais crescem no interior do Ceará. – Cariri, pela ótica do processo interativo de convívio humano conhecido e vivido, assim: ou se mata o rio ou se mata o cariri. Creio que, assim com os demais seres humanos estamos agindo na lógica da corrente do tempo no processo existencial. A Questão do grande lixão que estamos transformando o planeta terra é conseqüência de todo um processo civilizatório contido na epistemologia genética da humanidade. Mudar o curso da história, para a preservação do planeta terra; seria primeiro: a necessidade de mudar toda a forma de pensar, de agir, de existir - um novo renascimento. Agir isoladamente, com um aplicativo psicológico para amainar consciências as questões ambientais é mero paliativo. Enfrentar a problemática de frente teria que, antes, mudar toda uma mentalidade, toda uma forma de viver, onde todo o processo civilizatório consumista seria jogado no lixo e criado outro padrão humano para dar vida plena ao corpo vivo do planeta terra. É possível conciliar progresso, evolução, desenvolvimento econômico em escala planetária sem lesionar a bola azulada?
Por: Prof. Luiz Domingos de Luna
Aurora-CE
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Foi Sepultado em Caririaçu o cinéfilo dos Sertões Zé Sozinho

Com enorme pesar registro o falecimento de José Raimundo Cavalcante, aos 67 anos, mais conhecido pela alcunha de “Zé Sozinho” ocorrido nesta segunda-feira, 26 em Juazeiro do Norte no Cariri cearense. Assim de cara, poucos saberiam de quem se trata tal nota de falecimento. Coisas do Brasil, do Ceará e do Cariri onde só se destacam os potentados do vil metal.Zé Sozinho não poderia receber outro nome que não fosse este de uma sociedade excludente, míope, cruel e indiferente a arte dos pequenos, sobretudo aqueles que fizeram a opção pela maioria(os pobres e miseráveis). Os que transformaram a própria vida num sacerdócio em favor do bem e de uma causa nobre, mesmo no anonimato da mídia e longe dos banquetes das elites, assim como dos holofotes de uma imprensa que só tem olhos para a mesmice e para os castelos dos poderosos. Zé Sozinho era tão humilde, consciente e espirituoso que logo absorveu com naturalidade e senso de humor este epíteto. Aliás, algo que lhe caíra como uma luva, em parte, pelo fato de aumentar a sua “fama” entre os raros aparelhos midiáticos do Sul. O que não foi lá muita coisa, nem para o trabalho que fazia e, tampouco para si mesmo. Foi por assim dizer, um transgressor em potencial. Um homem de exceção como bem dissera certa feita o filósofo Nietzsche. Oriundo da agricultura granjeou, contra tudo e contra todos, relativo sucesso ao popularizar a sétima arte entre os excluídos dos sertões. Muitos dos quais a própria sobrevivência já é um milagre.Tantas foram as cidadezinhas, muitas delas até hoje, nunca tinha conhecido de perto uma projeção cinematográfica, que Zé Sozinho, só ele e Deus conseguiu realizar a troco de nada. Tudo em nome da paixão que mantinha pelo cinema.Zé respirava cultura e sofria de diabetes. Doença que durante anos tentou curar talvez por meio do amor e a determinação que dedicou às projeções pelas bibocas do nosso interior. Não teve jeito. Seu pobre coração de homem bom resolveu parar nesta segunda-feira.Zé Sozinho não curou o diabetes, mas deu um grande exemplo de cidadania e solidariedade cultural para o Ceará e o Brasil: fez a sua parte da melhor forma possível como protagonista e ‘diretor do filme maior que foi a sua vida’. O cinema para ele, era uma arma para a feitura do bem. Um instrumento pelo qual se poderia mudar a face do país, assim como a cabeça e o coração dos homens. Considerava-se filho do Caririaçu-CE; onde chegou ainda em tenra idade como retirante pernambucano de Pajeú das Flores. Mas Caririaçu era o rincão que ele carregava de bicicleta junto com o seu projetor de 16 mm e latas de películas para onde quer que fosse. Seu apelido se deu em função desse seu ofício. Porém há quem diga que foi por conta da sua mãe que sozinha conseguira criar seus cinco filhos.Sozinho, no decurso de 36 anos viveu da sua paixão pelo cinema. Qualquer lugar para ele, era ideal para uma projeção cinemática. No meio da praça, debaixo da ponte, na rua deserta, no tabuleiro da caatinga, no galpão abandonado, no adro da igreja, tudo era possível... Podia até ser sozinho, mas não era um homem solitário nem triste, posto que seus filmes constituíram um mundo à parte com o qual ele dialogava era feliz por isso.Ágil, disposto e inteligente subia ele mesmo na árvore, montava o alto-falante. Debaixo dela instalava o seu velho projetor e logo, a alegria estava construída. Seus filmes eram a um só tempo: entretenimento e lenitivo para quase todas as agruras e as dores daquele mundão esquecido de meu Deus. Filmes antigos, às vezes emendados, mas bons, consagrados e fascinantes para uma gente que nunca na vida conhecera um cinema de verdade. Tudo ali era novo. Até Coração de Luto, O ébrio, imagens esportivas de Pelé, Garrinha do Flamengo antigo no canal 100, O dólar furado, Paixão de Cristo, Django, Zé do Caixão, Zorro, Casa Blanca, Romeu e Julieta, Mazzaropi, Chaplin, Oscarito e outras pérolas raras da Vera Cruz, Atlântida e Cinédia que a partir de Zé Sozinho pareciam novinhas em folha... Não fossem o riscado da fita e o preto e branco das cores. Muitos até choravam durante suas projeções romanescas como nos velhos tempos. Seu enterro aconteceu terça-feira, 27 na sua Caririaçu, na serra de São Pedro. Onde certamente ficará mais perto de Deus, eternamente, assim como os filmes que apresentava pelos grotões adentro. Hollyood não sabe, mesmo assim me arisco a dizer que o cinema verdadeiro perdeu muito. Está de luto com o desencarne de Zé Sozinho. Mesmo aqui, neste canto escondido do Brasil onde quem sabe, por Zé Sozinho, todos haveremos de viver e levar a utopia da vida até as suas últimas conseqüências... Outro dia, por absoluta força do acaso, tive o prazer de conhecê-lo, não de carne e osso(como deveria), mas pela telinha mesmo estando tão próximos. Foi numa noite por meio do programa do Jô Soares da TV Globo, quando Zé Sozinho foi entrevistado. Estava radiante de felicidade. Falava da sua história e dos filmes como se estivesse no estrelado, dentro deles. Achei bárbaro aquele homem simples, diferente e determinado. Depois do programa fiquei matutando: como eu um pesquisador sempre atento às coisas do mundo nunca tinha ouvido falar daquela figura da cidadezinha vizinha de nós?! E disse para mim mesmo. - Algo está errado. Nossos talentos não merecem tanto desprezo. A quem podia interessar tanto ostracismo?! No fundo todos nós sabemos a resposta... Zé Sozinho falava do Cariri e do seu Caririaçu com doçura. Era um abnegado, incompreendido pelos que se acham iluminados, mas que só enxergam os caminhos do poder. Os verdadeiros coitados e ignorantes. Porque a arte e a cultura não dependem e nem precisam tanto deles.Zé Sozinho foi um “inteirado” fazedor de sonhos, justamente para tantos que perderam a capacidade de sonhar. Por isso agora Deus haverá de vê-lo lá em cima com bons olhos. Fellini, Mazzaropi e tantos outros amantes inveterados da sétima arte não o permitirão sequer que continue sendo chamado como entre nós. Porque no céu nosso Zé, nunca mais estará sozinho. Quem sabe os imortais passem a chamá-lo simplesmente de Zé do Povo.Adeus grande Zé! Agora você nunca mais ficará Sozinho. A solidão, ao contrário do que pensamos é coisa da vida. Porque sozinhos ficamos nós, os sertanejos do Cariri e do Nordeste inteiro, sem as suas mirabolantes e sensacionais projeções de bondade, educação, saudade, cultura e alegria. Zé Sozinho deve está agora se divertindo pra valer ao lado do mestre com as suas sempre novas projeções cinematográficas.
Por José Cícero
In Overmundo
Foto: News-cariri