terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O Novo e o Velho do Ano que Existe em nós

Diante de tantas interrogações acerca da perspectiva de um ano vindouro diferente repleto de realizações. Uma pergunta ainda continua a povoar pela história a fora a mente da humanidade inteira. Afinal de contas passamos em brancas nuvens por 2008 ou simplesmente deixamos, com nossa passividade, que o ano não fosse além de ato contínuo disperso por entre as nossas mesmices cotidianas?
Admitamos, nossa passagem por 2008 não foi das mais agradáveis, mas, absolutamente suportável. Como dizem “pior seria, se pior fosse”. Pelo sim ou pelo não, diríamos ao menos que à duras penas, tentamos ser felizes no limite extremo daquilo que realmente pode ser possível. Até porque a felicidade não existe no absolutismo das nossas pretensões insofismáveis... Ela é tão somente fragmentos de uma vida inteira preenchida quando muito, por momentos felizes: O combustível absolutamente necessário para que possamos continuar alimentando nossas crenças no novo, na possibilidade de um amanhã repleto de realizações como almejamos às vezes por uma pura tradição natalina.
Mas cremos. Acreditamos quase à exaustão de tudo aquilo que supomos ser possível. Neste subjetivismo quase ingênuo é que reside toda a magia do ano-novo. O verdadeiro raio de esperança pelo qual o gênero humano aprendeu ano após ano, a superar suas decepções sempre com o olhar e o pensamento afirmativo focado na esperança de dias melhores como um presente divino encravado na utopia do ano vindouro.
Mas não podemos esquecer que cada ser humano tem a sua história. Este estado de felicidade não costuma ocorrer de modo linear. Há anos, contudo, que preferimos esquecer para sempre, como outros que se impregnaram de tantas memórias, que às vezes até desconfiamos que eles de fatos nunca existiram. Tudo com o mesmo ímpeto daqueles inesquecíveis que cravaram no nosso íntimo a marca indelével dos momentos eternos. Por fim, são estes sentimentos estranhos carregados de abstrações que sempre se renovam para amainar nossas angústias e decepções de uma existência inteira sem maiores novidades.
Em 2008, tudo que vivenciamos de bom ou de ruim serviu-nos pelo menos como aprendizado. Um acúmulo de experiência dos mais importantes ao fortalecimento da nossa resistência e das nossas crenças mesmo em meio aos maremotos e os tsunamis de uma sobrevivência longa e enfadonha para muitos, curta e agradável para poucos.
Vivemos. Superando obstáculos... Lutamos talvez apenas o necessário para que não sucumbíssemos às sanhas do trágico e da catástrofe. Um leão precisa ser sacrificado a cada dia, como se em cada manhã um juízo final para cada ser humano estivesse sempre começando. Viver é mesmo um sacrifício digno de heróis. Uma ponte para algo que não conhecemos de modo antecipado – o mistério.
Deste modo, conseguimos provar para nós e para os outros que podemos sim, superar o impossível que reside intimamente em nosso imaginário. Que podemos alcançar os píncaros da felicidade que sonhamos construir, a partir do instante em que nos libertamos do nosso medo, há muito guardado hermeticamente no âmbar das nossas angústias mais interiores.
E assim, como através da superação do nosso velho e crônico egocentrismo bizantino tentamos sobreviver ao triturador de sentimentos com que se transformaram quase todas as formas de relacionamento que procuramos estabelecer com a fauna humana que nos rodeia. Acrescente-se a isso, que (sobre)viver nunca será o bastante para quem aprendeu a pensar e ver as coisas sob o viés holístico, panteísticamente. Ser feliz é o que importa. Resistir é, e sempre continuará sendo, a nossa marca. Qual uma incisão profunda feita pelo tempo na nossa carne. Assim como na nossa própria alma. Uma cicatriz, uma insígnia granítica adornando o nosso peito, produzida a ferro e fogo pelos deuses do Olimpo no seu mais claro instante de embriagues total.
Através das nossas sinergias é que enxergamos todo o vazio existencial da nossa procura eterna. A tal ponto, de podermos encarar o sol nascente, tanto quanto o poente, como um sinal de bonança e de felicidade a desafiar a ousadia da humanidade inteira. Talvez, como velhas dádivas postas sempre ao desejo inalcançável das nossas mãos. Mas, convenhamos, a felicidade é algo inventado justamente para não ser palpável. Não ser sentida pelo tato das mãos, mas sim pelos sonhos e nossas utopias mais extravagantes. Lunetas atemporais a nos remeter para outras dimensões do espaço-tempo. Quem sabe como um apelo para que nos desprendamos tanto do ‘agora’. Assim foi 2008. Um ano indefinível até para os sonhadores. Uma esperança elástica que nos remeteu ao futuro do presente. Uma promessa.... Um adiamento de horas mortas sempre protelado devidos às várias formas apresentadas pelo não ser. E tudo o mais que de resto escolhemos para viver o presente do ano que se finda na (des)esperança quase absurda de que tudo o mais que existem em nós renasça e se renove tantas vezes se faça necessário numa cronologia de um novo tempo que não foi nem nunca será posto que ainda está sendo e o seu nome é quando.. E dessa maneira é que vivemos, nos suportamos... Morremos tantas vezes abraçados aos desejos atlanticamente desvairados, episódicos, imediatistas sufocados pelo desejo espúrios, obscenos, maquiavélicos de vivermos tudo a um só tempo. Como um ser ensandecido a contemplar nas fímbrias do abismo seu próprio egoísmo venenoso, a sublinhar o que há de mais cego na nossa visão míope unilateralmente ingrata perante a paisagem da vida colorida que nos cerca e que jamais veremos como ela tal se apresenta. no fim que a todos está reservado. E o que falar do nosso descompromisso com o lado bom das coisas do mundo. Do nosso entendimento dito racionalista, um tanto quanto troglodita com que enxergamos não o todo de tudo, mas somente os pedaços do resto que não existe por si mesmo. Assim como os fragmentos e as migalhas da vida plasmada nunca a partir de nós, mas nos outros?
Nisso é que reside nossa falta absoluta de humildade para absorção o novo, o diferente e tudo o mais que não aquiesce sem o porquê daquilo que se fará necessário e produtivo para que juntos, possamos enfim, muda a face suja e podre a embrutecer tudo que há neste mundo.
Mas o mundo? O mundo somos todos nós. Tudo que o destrói e envergonha acontece primeiro e necessariamente dentro dos nossos corações e em nossas mentes prenhe de maldade, ignorância e lixo,
O desejo de poder. A disposição do homem pós-moderno para o cinismo e para o crime. Tudo isso é que queremos deixar em 2008. Nada disso queremos encontrar de novo em 2009. Aspiramos um ano-novo de verdade. Sem falso moralismo a manipular os gestos dos autênticos e necessários seres iluminados. Mas, não nos esqueçamos que o novo que esperamos encontrar na face de 2009 estará primeiro em nós muito mais no agora do que no ontem. O amanhã é a semente que plantamos neste instante.
Sempre haveremos de viver no pretérito do futuro. Caso contrário, o ano que se avizinha depois desta meia noite não passará de uma inscrição numérica, adormecida, morta e fria pendurada na folhiada do calendário, como um fantasma nossos presentes sem valor algum. Um espectro de nós mesmos a nos espreitar de cima da parede. Como um velho carrasco a nos acompanhar pela vida afora até o último degrau do cadafalso.
De fato, as pessoas é que fazem a diferença. Portanto, acreditar que nem tudo está perdido já será um bom começo.
Acreditemos em 2009 como uma mulher primeira a se entregar para o amante. Assim é que devemos ver o ano que virá hoje, com esta perspectiva de celebração das mais lisonjeiras e agradáveis. Façamos a nossa parte para que o amanhã possa logo nas primeiras horas desta quinta-feira, nascer feliz como uma chuva de felicidade e esperança para todos. E tudo será assim: do jeito que imaginamos, idealizamos no nosso universo criador de utopia, tragédias e agruras. Tudo acontecerá como sempre aconteceu pela história a fora num passo de mágica.
O diferente é pensarmos de outra maneira... E os caminhos assim como os acontecimentos concretos nos parecerão absolutamente diversos, porém sempre nos moldes daquilo que sonhamos.... E o mundo se iluminará como a aurora no Araripe.
A inteligência em 2009 precisa vencer de vez e para sempre toda a ignorância... Simplesmente porque nosso ano-novo é de agora em diante, um eterno acreditar. Um recomeço. Pois um novo jeito de viver e ser feliz sempre será possível no semblante do ano-novo que renascerá daqui a pouco em cada um de nós.
Viva 2009!
Por: José Cícero
blog d'Aurora

Um comentário:

Coluna do Domingos disse...

O Brilhante artigo do intelectual,poeta, escritor e para a glória dos que se debruçam sobre a arte cara do existir, é também, O Secretário de Cultura do Municipio de Aurora o abalizado José Cicero, que neste artigo dá um show de otimismo e da projeção de luzes que o porvir poderá focar quando projetamos em nossas mentes a possibilidade de renascer, numa prova viva do que Já disse o mestre Jesus Cristo quando em conversa com o {principe de Israel} Jesus foi preciso e disse: "Nicodemos é necessário, nacer de novo", é dentro deste pensamento cristão que o nosso secretário de Cultura- José Cicero - Impulsinoa a sua forma de ver o mundo, um renascimento possivel, palpável, lógico, racional,afirmativo e presente dentro de cada um de nós, basta acreditar, crer e pensar positivmente. Parabéns grande pensador.

Luiz Domingos de Luna, Mestre de Ordem, Ordem Santa Cruz - Penitentes- Santa Igreja de Roma, forania de Aurora no estado do Ceará.