
Por todas estas nuances, esta foi indubitavelmente, uma vitória do povo que, além de consagradora pela forma como aconteceu – desprendida e espontânea; carregara igualmente no seu bojo uma série de outros importantes desdobramentos políticos, sobretudo pela vontade demonstrada nas urnas em se trilhar um caminho novo e diferente. Foi, por assim dizer, uma verdadeira guinada na recente história dos itinerários políticos de Aurora. Assim como um revés dos mais notórios e implacáveis nas intenções continuistas dos que se imaginavam poderosos o suficiente para se sentirem acima da crítica e das reivindicações mais elementares da população. O deslumbramento do poder fê-los esquecer da maioria, ao ponto de não conseguirem sequer ouvir a voz rouca das ruas e dos grotões mais longínquos do nosso interior rural. A ingratidão passou a ser uma sombra a rondar como um fantasma odiento os corredores do poder. O exclusivismo e o privilégio de uns poucos terminaram por comprometer a esperança de dias diferentes como coisas novas no senso-comum dos que resolveram mudar. E mudaram radicalmente... Porém, como dizem, ‘depois da tempestade, vem sempre a bonança...’ E a democracia mais uma vez triunfou. Novos tempos já se avizinham e, decerto com eles haverão de vir, também novos desafios e dificuldades a serem enfrentadas com a mais absoluta racionalidade, inteligência, tolerância, ousadia e uma dose excessiva de espírito público.
Nenhum líder, em qualquer época da humanidade, que não se tornara humilde para ser enfim, entendido pelos pequenos, conseguiu sobreviver ao teste da história. Neste aspecto, Aurora foi prodigiosa nos exemplos que forneceu nestas últimas décadas. Nesta premissa é que mais se justifica a decisão mudancista e meritória da sociedade aurorense. De sorte que, desde 1º de janeiro, a urbe “sol nascente” firmou de vez o seu encontro com uma nova história na perspectiva de dias melhores para a sua gente: hospitaleira, sonhadora, fraterna e progressista.
Tal qual uma autêntica fênix mitológica dos altiplanos caririenses, Aurora – a rainha do Salgado sobrevivera a si mesma para se impor de uma vez por todas no cenário sócio-cultural, político e econômico do Cariri; a partir da opção democrática que fez pelos nomes de Adailton e Antonio Landim. Provando efetivamente que o povo pode mais...
Por: José Cícero
Professor, escritor, pesquisador e poeta.
In Folha do Ceará
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