terça-feira, 18 de maio de 2010

Zé da Manga da Missão Nova que eu conheci

Por José Cícero
Capela de Stº Antonio do distrito de Missão Nova
Ele era o nosso eterno palhaço.
A literal animação da nossa vila.
Um Dom Quixote engraçado.
Inveterado bebedor de aguardente.
Sua moeda era a ‘branquinha’
Mesmo sempre tonto...
Era ele quem levava as encomendas
Assim como todos os recados mais urgentes.
Até mesmo os bilhetinhos de namoricos
E outros casos confidenciais dos casados
Que não podiam ser de todos conhecidos.
Ele era um bêbado, clássico.
O verdadeiro ébrio de Vicente Celestino.
Às vezes fazia o papel de chapeado.
Uma espécie hoje em extinção.
No entanto era leal, honesto, respeitador e confiante.
Sabia do seu jeito guardar segredos
Como dizia, ‘a sete chaves’.
Mesmo que ameaçassem cortar sua língua.
Não falava nada.
Mas aquilo tinha um preço:
Uma bicada à capricho.
Um “oito” – copo cheio
“passado à tábua”,
da mais autêntica caninha do brejo.
Made in sertão,
dos alambiques dos engenhos de cana de Pedro Saraiva,
Antonio Ageu, Pedro da Cruz e Seu Joaca.
Ou em último caso, umas moedas também eram bem vindas.
Vivia o tempo todo sob os efeitos da cachaça.
Dormia embriagado
às vezes nos alpendres das bodegas
ou na bagaceira do engenho.
Acordava para beber...
Bebia para dormir e para viver
A vida que escolheu para si.
Nunca lembro de um dia sequer
Tê-lo visto sóbrio ou se alimentando.
Mas estava sempre alegre.
Era feliz na vida do seu jeito.
Sua cara era o retrato fiel da embriaguez.
Vivia sozinho naquele mundo que era a Missão Nova.
Talvez o único que ele conhecia na face da Terra.
Gabava-se de ser o mais conhecido dos mortais.
Mais que o vigário, o senhor do engenho, o palhaço Fuxico,
o dono do misto da feira e o prefeito.
Sua popularidade ia muito além das fronteiras
daquela pequena vila solitária
esquecida no oco daquele mundo caririense.
Era um bebedor nato – uma persona...
Fazia gosto vê-lo sorver com pura maestria
A ‘branquinha’ no copo de vidro de fundo grosso.
Bebia como diziam, como se fosse água.
E ainda por cima, como se quisesse.
zombar de todos lambia os beiços.
E estalava os dedos de um modo estranho.
Era um mestre na arte de apreciar a aguardente.
Ao ponto de saber o nome e a procedência
de todas as pingas que consumia.
Era um exímio degustador etílico.
Mesmo sempre alegre e engraçado,
às vezes também provocava medo em nós meninos
que o assistíamos na sua lida alcoólica do dia-a-dia.
Onde houvesse um balcão ele estaria por perto.
Era um fino respeitador das mulheres e dos velhinhos.
Anos depois, já homem feito e distante daquele povoado.
Fiquei sabendo que ele havia morrido.
Assassinado que foi durante uma festa de ‘renovação’:
um samba como se chamava naquele tempo.
Nunca soube do contexto.
Fiquei triste com a trágica notícia...
Até hoje, mesmo depois de quase quatro décadas
do seu desencarne,
Ainda guardo comigo as suas lembranças
E as suas peripécias: Zé da Manga era seu nome.
A vila era Missão Nova;
lugarejo onde passei parte da minha infância
terra da minha vó paterna.
Hoje um próspero distrito
da minha Missão Velha onde nasci.
Pequenos pedaços. Fragmentos de memórias
de um passado que nunca passa...
(*) José Cícero
Secretário de Cultura
Aurora - CE.
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domingo, 16 de maio de 2010

Equipe da Revista Aurora encontra ex-artista do antigo circo do palhaço Fuxico em asilo de Milagres

Da Redação






Equipe da RA: José Cícero, Luiz Domingos e Ronaldo Santos com LURDES, Enfermeira Fernanda e Mª Erivan Diretora
Neste último sábado dia 15, os pesquisadores da Revista Aurora à frente o seu editor e atual secretário de Cultura José Cícero juntamente com os professores Luiz Domingos e Ronaldo Santos estiveram na cidade de Milagres visitando a ‘Casa do Lar do idoso’ – uma instituição de caridade mantida pela Associação Beneficente Manduca e Letícia(ABEMEL).
Desde a sua 1ª edição de 2007 a revista almejava publicar uma reportagem especial acerca da relação de Aurora com a arte circense, a partir da história do célebre palhaço “Fuxico” e o seu velho circo de pano de roda, composto na sua maioria por artistas da família e da região, muitos dos quais da terra.
“Há muito que eu vinha ventilando a idéias de resgatar um pouco do que foi a história circense dos irmãos: Fuxico, Enoque e Lurdes e suas andanças por todo o Nordeste a partir de Aurora. Uma verdadeira saga de uma antiga família circense que teve início nos anos 30 no interior do Pernambuco, tendo prosseguimento nas terras aurorenses”, enfatizou o redator da RA o professor José Cícero. “Com esta intenção conversei diversas vezes com o velho Enoque Pintor, como era de todos conhecido. Vinha reunindo dados e informações também para um livro antes mesmo do seu falecimento ocorrido em 1999 aos 82 anos e, desde então conversado com as suas filhas”, disse JC. Este desiderato editorial por diversas vezes foi adiado por uma série de contratempos, sobretudo de caráter financeiro, em face dos altos custos do seu projeto gráfico. Além da reportagem especial que está sendo preparada para a revista, pretendo publicar o opúsculo: As Presepadas do Enoque Pinto. Onde estão reunidos vários causos, piadas e ‘tiradas chistosas’ do velho Enoque.
Porém, recentemente, nossa equipe de pesquisa foi surpreendida com a notícia de que a terceira irmã do trio circense( Lurdes Pereira) estaria viva. Morando em um abrigo para idosos em Milagres. Desde então, ficamos na expectativa de checar in loco tal informação.
“Nos meus 9 ou 10 anos recordo de ter visto o Fuxico e a Lurdes no circo “Tupinambá” montado, creio que nos finais dos anos 70 no distrito de Missão Nova.. Depois, outras vezes não mais acompanhada da cia; testemunhei Lurdes por semanas de bar em bar naquela vila, às vezes tocando um violão em troca de uma pinga, depois dormitando embriagadas pelas calçadas. Umas vagas lembranças eu diria...”
Após a confirmação da notícia, dada por uma sobrinha da mesma, a equipe da Revista Aurora resolveu pôr o pé na estrada indo conferir de perto esta informação. Isso seria um verdadeiro milagre, ou quem sabe, um furo de reportagem, posto que há tempos que Lurdes era dada por desaparecida, inclusive pelos seus familiares. Aliás, até já tida como falecida, principalmente por ter se jogado no oco do mundo em suas andanças de alcoólatra mendiga sem destino. Sem eira nem beira, como costuma se dizer no sertão.
De tanto fazer uso da bebida, também ficara um tanto quanto desmiolada, esquecida do mundo e da vida, diziam os parentes. Sua vida desde então fora por assim dizer, um eterno sofrimento. Abandonada que foi e esquecida que se tornou de quase tudo virara quase uma morta-viva. A amnésia tomara conta de si. Não mais conseguia sequer pronunciar uma só palavra. Até que um belo dia, por puro capricho do destino, a cerca de 12 anos atrás foi ela socorrida pela Casa do Lar do Idoso, quando se encontrava ébria, suja, doente e moribunda com as pernas quebradas sobre o chão das ruas do centro de Milagres.
Lurdes Pereira Silva é seu nome. Noutros tempos em Aurora todos a conheciam por "Lurdes Bom-conselho" e/ou 'Normalisa'. Informação elementar que no início nem ela mesma conseguia se lembrar. Até ser recuperada totalmente pelos que fazem aquela formidável casa de repouso milagrense. Um projeto que precisa ser melhor apoiado em face dos grandiosos serviços que tem prestado à vida e a dignidade humana. Um orgulho para Milagres, assim como para todo o Cariri.
Hoje a ex-artista do circo mambembe do Fuxico, encontra-se bem de saúde e de espírito. Ao ponto de nós receber com um sorriso quase angelical estampado no rosto encimado por seus fartos cabelos brancos.
Aos 82 anos Lurdes agora mais parece uma criança feliz mimada que é por todos os que compõem aquela casa de repouso. Onde, inclusive é chamada carinhosamente de Lurdinha e de Lulu. É a alegria daquele lar, tamanha é a sua simpatia e comportamento exemplar, assegura a diretora da instituição.
Por mais de uma hora nossa equipe conversou com Dona Lurdes, que prontamente respondeu todas as perguntas ao gravador. Sua memória, malgrado o peso da idade, está prodigiosa. Ao ponto de falar de alguns acontecimentos da sua vida nos mínimos detalhes, assim como de algumas personalidades aurorenses do seu tempo, a exemplo dos prefeitos: Seu Tonheta, Seu Anastácio, Teó Gonçalves, ainda de Moacir Pinto, Paulo Gonçalves, Dona Louzinha Quezado, Vicente Tavares dentre outras figuras do seu tempo.
As possíveis falhas de memória foram diminutas para quem carrega nos ombros uma longa existências na sua grande maioria coberta de sofrimentos e atribulações. Para ela, os irmãos Fuxico e Enoque ainda vivem em plena saúde. Jura inclusive, que ambos vez por outra, vão lhe visitar no seu cantinho. De tão satisfeita, Lulu, até arriscou umas piadas no decorrer da nossa entrevista. Posou para as fotos e no final ainda nos agradeceu pela visita.
Disse que estava feliz e que não tinha nenhuma saudade dos tempos do circo. Segundo ela, por que não era fácil aquela vida de cigano de cidade em cidade. Havia muito sofrimento. Porém, reafirmou se ainda fosse nova(moça como ela diz) faria tudo de novo.
Disse à reportagem, ser mãe de 11 filhos; fruto de três casamentos. Alguns dos seus rebentos, conforme afirmou, residem ainda hoje na zona rural de Missão Velha na estrada de Jamacaru.
Cortez e sorridente, falou de alguns momentos especiais e trágicos da sua vida circense como o acidente fatal de um trapezista em Aurora, bem como da viagem que fez com o circo do Fuxico nos anos 70 durante quinze dias viajando de barco de Pedreiras a São Luiz no Maranhão. Ocasião em que um redemoinho de quatro horas destruiu todo o barco e o circo foi para o fundo do rio. Perderam todo o circo, os integrantes se salvaram por sorte e pelas graças de Deus e das suas orações, disse ela.
Dos seus 82 anos de idade quase três décadas e meia foram dedicadas ao picadeiro, que segundo ela, começara aos 5 anos, herança da sua mãe e do seu tio - os pioneiros. Era conhecida como ‘a baiana Lurdes’ seu nome de guerra. Foi dançarina, violonista, equilibrista, atriz, mágica, porteira e algumas vezes mestra de cena. Queria também ser trapezista, mas sua mãe a proibiu em face do perigo que representava.
O fim dos seus três casamento/relacionamentos a impulsionou ao alcoolismo e a vida de intermináveis boemias e andanças pelo mundo, sendo inclusive abandonada até hoje pelos familiares.
Há quase 13 anos vive no abrigo. Ainda não conseguira se aposentar dada a inexistências de todos os seus documentos pessoais extraviados nos seus anos de andanças perdidas pelo mundo afora.
Afirma ter chegado à Aurora aos 5 anos de idade, tendo nascido no lugarejo de Carnaúba ou Pajeú das Flores, Estado de Pernambuco num ano que não lembra bem. Um local, segundo dizem, nunca encontrado pela direção do abrigo em que vive.
Alimenta a vontade de qualquer dia desses visitar a sua Aurora. Uma terra que nunca esqueceu, como confidenciou a nossa reportagem. “Sou filha de Aurora, pois cheguei lá novinha, uma criança...”, explicou. Seu antigo jeito para o violão, disse com tristeza que de algum modo já esqueceu, posto que perdera muitas “posições” notas e antigas músicas. No abrigo, vez por outra, ainda ensaia seus antigos passos de dança, como nos velhos tempos. Anos atrás ainda chegou a tocar no abrigos.
“Houve um tempo bom para quem vivia do circo”, disse ela. “Não era por ser meu irmão, mas não vi um palhaço nem um mestre de cena melhores do que Fuxico e Enoque”. “Enoque também pintava que era uma beleza...” disse ela sorrindo.
Lurdes, ou Lulu como é carinhosamente chamada por todos está tão bem onde vive, que até está pintando. Um quadro bem colorido de arte abstrata enfeita a parede do vão de entrada do abrigo ao lado de outros trabalhos artesanais confeccionados por outras idosas da casa(ver foto acima).
Lurdes é hoje a última remanescente de uma família do Cariri que fez história dedicando parte considerável da sua vida à arte de fazer a alegria do povo sofrido dos sertões, numa época em que poucas, ou quase nenhuma, eram as atrações de entretenimento cultural, notadamente nos grotões nordestinos, aonde nenhuma tecnologia ainda chegara, nem mesmo as transmissões de rádio.
“Por tudo isso, eu diria que Lurdes Pereira, é um patrimônio vivo não somente da arte circense cearense, mas, sobretudo de Aurora”, enfatizou José Cícero.
Não fosse o trabalho lindo, fantástico e abnegado da Sra. Maria Erivan, uma ex-freira, diretora da 'Casa Lar do Idoso', talvez não tivéssemos esta oportunidade histórica de estarmos conversando com nossa Lurdes Pereira, finalizou. “Aurora, assim como os deuses das artes haverão de agradecer a esta verdadeira heroína da caridade humana filha de Milagres e que também nos confessou ter raízes ancestrais na Aurora”, finalizou.
ABEMEL – Assoc. Beneficente Manduca e Letícia - Casa Lar do Idoso:
Além da maneira cortez e amigável com que fomos recebidos pelos que fazem o abrigo, especialmente a enfermeira Fernanda e a diretora D. Erivan é mister que se diga de toda a beleza e maravilha que constituem aquele lugar. E olha que chegamos de surpresa. Não sabíamos sequer onde a Casa estava localizada.
O ambiente respira uma paz incomensurável. A simplicidade do lugar ganha ares de grandiosidade justamente nos detalhes que encerra: Planejamento, organização, higiene, zelo, assim como todo o carinho do atendimento dedicado aos 13 idosos que ali vivem. Há uma felicidade explícita nos olhos como nos semblantes de todos os que indagamos. Além de Lurdes, também conhecemos uma outra paciente/moradora aurorense. Muitos dos que ali estão chamam o abrigo de céu. O adjetivo tem lá suas razões de ser, quando passamos a conhecer a residência e o projeto de perto.
Há ainda os serviços médicos especializados, além de terapia ocupacional, espaço para recreação, salão de festas, serviços de enfermagem 24 horas, seis refeições diárias com auxilio de nutricionista, assistentes sociais, voluntários etc.
Vale a pena conhecer todo o trabalho daquela entidade. E como só a caridade pode nos levar a verdadeira salvação... É imperioso que outras pessoas possam igualmente dá sua parcela de contribuição àquela verdadeira obra social, humanística e cristã.
SERVIÇOS:
ABEMEL: Rua: Santos Dumont, 166 Centro ao lado da igreja Matriz – Milagres-CE.
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Seleção Brasileira: Lista insossa de alienígenas, dinheiro, poder e o shownalismo midiático

Por José CíceroNão sei se desconfio da Seleção de futebol recém convocada pelo Dunga ou do meu pessimismo, às vezes, um tanto quanto exagerado... Produto, do meu cáustico olhar a la “gato escaldado sempre a desconfiar da água fria”. Quem sabe, uma forma de autodefesa natural de quem se acostumou a ‘confiar desconfiando’ não somente das aparências óbvias, como também das maquinais engenharias do nosso moderninho futebol-empresa-negócio.
Como no geral ocorre com a maioria das coisas do mundo e da vida, notadamente quando estas cada vez mais parecem serem movidas pelo marketing midiático; construídas pelo artificialismo do poder capitalista; difundidas e orquestradas sob as regras rígidas e a força bruta das elites, que juntas funcionam quase como uma lavagem cerebral na opinião dos fanáticos e apaixonados torcedores brasileiros.
Há por assim dizer, todo um esquema montado no sentido do anestesiamento nacional levado a cabo pelo shouwnalismo da mídia e o empastelamento das notícias, assim como de toda a crônica especializada diante deste que seguramente, se configura como um dos maiores espetáculos do mundo de todos os tempos.
Como de costume, no período da Copa do mundo a imprensa marron se mantêm como nunca à serviços da burguesia, inclusive política. Antes de constituir uma competição tradicional, a Copa do mundo virou de vez um grande negócio. Uma máquina de fazer fortuna para um restrito e seleto grupo planetário. São muitos os interesses que estarão em jogo, ao que tudo indica muito mais que atletas suando suas camisas, que no passado eram tidas como “mantos sagrados”.
Nos tempos modernos, haveremos de convir: Onde há dinheiro, mídia, holofotes e poder há sempre uma possibilidade ao escamoteamento da verdade. Uma visão subliminar de todo o contexto. Basta ver todo o cinismo televisivo, a maquiagem dos sorrisos. O jogo de palavras na arena do velho teatro a céu aberto. Enfim a cosmética definitivamente eleita como a bola da vez.
Os poderosos estarão dentro de campo e também fora dele. É preciso avaliar outra partida; um outro jogo sobremaneira de interesses múltiplos. Razão pela qual não custa nada desconfiar e não fazer coro, de cara, diante de um quadro que nada tem de novo: a não ser a mesmice do lugar comum. E, em se tratando de Brasil, tudo pode acontecer, inclusive, nada!...
Portanto, como um analista frio e torcedor que também sofre, creio até que outras seleções de tradição no futebol mundial não estejam tão boas assim, para nos impor algum tipo de medo, mesmo que o futebol atualmente tenha passado a ser uma prática sem fronteira. Jogar bem não é mais um monopólio como no passado recente.
A prática do bom futebol derrubara de vez o muro de Berlim da excludência esportiva, rompendo todas as fronteiras geopolíticas, sobretudo no quesito nivelamento. Está, portanto, nivelada a igualdade, malgrado toda a dinheirama que ora movimenta, em detrimento dos esforços humanos e sociais dedicados ao estudo e ao trabalho, enfim da economia produtiva de todo o globo. No entanto, estas questões não fazem parte das discussões futebolísticas elaboradas pela cartolagem daqui e do além-fronteira. Porque isso mexeria com velhos interesses historicamente sedimentados, de modo que nem a Fifa e nem a CBF pretendem tocar nem de longe nestas abordagens.
Sendo eu, um realista por convicção, não posso acreditar de chofre no lugar comum da comodidade bizantina, ou seja, na cantilena elaborada por conhecidos arautos do blá blá blá da telinha; tipo Galvão Bueno e Cia., bem como da seleção do técnico Dunga e do Sr. Ricardo Teixeira.
É fácil torcer. É gostoso imaginar sermos o melhor do mundo. Mas, não podemos exagerar achando que tudo está bem na seleção, que tudo esteja um céu de brigadeiro.
Porque isso não é verdade. É preciso saber decodificar ou soletrar o que está por trás das entrelinhas...
Ora alguém já se perguntou a razão de termos um técnico ‘tão seguro’, sem nunca ter provado o seu trabalho e sua experiência em qualquer equipe? Ora, porque o cargo de técnico da seleção que se diz a melhor do mundo tem que ser diferente e bem mais fácil do que o dos times de ponta do Brasil?
O jeito Dunga de comandar ou de ser comandado? A cartolagem da CBF não admitiria outro técnico que não fosse totalmente “dominado”?
Bons técnicos é coisa perigosa, tanto na vitória quanto na derrota. Talvez seja isso a razão pela qual o Dunga tenha sido o escolhido, o iluminado...
E o que dizer da lista elaborada por ele? Seria a seleção possível?
Difícil também engolir um time quase totalmente ‘estrangeiro’. Tão alienígena ao ponto de trazer nomes quase sem nenhuma identificação com a torcida aqui do Brasil. Figuras que às vezes sequer a imprensa as conhece. Sem esta identidade popular podemos dizer que a nossa seleção está carente de ídolos, coisas que dantes eram comuns.
É no mínimo lamentável um time “verde amarelo”, com apenas quatro magros nomes ora atuando no futebol nacional – Robinho e Klebson por exemplo: O primeiro praticamente dispensado pelos magnatas do primeiro mundo pelo baixo rendimento apresentado – mais um produto da mídia. E o segundo, um reserva do Flamengo, quase dispensado pelo pífio futebol apresentado nas últimas temporadas enfrentadas pelo rubro-negro carioca. Os outros dois podemos pelo menos apostar na possibilidade da surpresa.
Todos sabem que pelos menos mais quatro nomes de atletas que jogam no Brasil, teriam condições reais de estarem escalados para a Copa. Porém não foram lembrados pelo Dunga. Afinal também é sabido que os jogadores “estrangeiros” além de darem “ibope” à seleção dentro e fora do país, também conseguem gerar grandiosos rendimentos financeiros por conta do inestimável poderio das grandes empresas – as chamadas anunciantes de primeira grandeza, detentoras que são dos contratos milionários.
A Copa da África, não apenas para o time do Brasil será disputada mais uma vez por uma gama de jogadores europeus ou 'europeizados' de alguma maneira, tanto na forma quanto na dinâmica de jogar e de se portarem em campo. Então, aqui para nós: onde ficará o estilo, o talento, o modo e a antiga ginga do tão famigerado futebol arte do Brasil?
A era Dunga ressuscitou das cinzas para em seguida morrer ou terá seu estado de glória com a conquista inédita – o hexa-campeonato? Daqui a pouco o futuro nos dirá...
Por enquanto, a ordem é esperar e torcer. Afinal, como dizem, o futebol é sempre uma caixinha de surpresa. Vamos sim torcer para que dentro dela não nos venham surpresas desagradáveis, porque isso seria doloroso demais para uma nação que há muito (desde Zico e Pelé) aprendeu a tomar para si, o título eterno de melhor futebol-arte do planeta.
Torçamos então para que Dunga nos surpreenda sim, fazendo com que este time de milionários quase desconhecidos esqueçam um pouco os holofotes midiático e resolvam quem sabe, jogar futebol (afinal ganham muito para isso) fazendo com que a canarinho (agora nem tanto pelo novo uniforme) possa se sagrar hexa-campeã do mundo.
E assim a nação brasileira, na sua maioria sofrida, consiga por alguns dias se embriagar de tantas alegrias e utopias a ponto de esquecer suas dores e agruras. Até que a rotina volte de novo ao normal, sejamos nós campeões ou não.
Quando enfim, todos percebam que a vida difícil vai muito além de 90 minutos de futebol televisionado (quem sabe agora) sem mais o monopólio da poderosa.
E a vida possa enfim seguir seu rumo, diante dos velhos e duros golpes da realidade, mas que mesmo assim: teimosamente todos possam gritar bem alto: Gooool!
Desenho ilustrativo: da Internet

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Igreja Adventista do 7º dia realiza bonito trabalho em AURORA

Pastor Genival entrega material de campanha: livro e Revista ao secretário de Cultura José Cícero
A igreja adventista do 7º dia do município de Aurora está participando ativamente da campanha Impacto Esperança edição 2010, cuja participação está sendo estendida para toda a América do Sul. Um dos pontos altos da campanha diz respeito a distribuição do livro Tempo de Esperança de autoria de Mark Finley.
Além do livro Tempo de Esperança (cuja tiragem total chegará a 5,4 milhões de exemplares), editores da Casa Publicadora Brasileira e da editora adventista da Argentina escreveram textos que mostram o sábado como um antídoto para o estresse e apresentam os benefícios desse dia sagrado para a saúde física e mental, entre outras vantagens. Esse material foi reunido na revista Um Dia de Esperança que terá 19 milhões de exemplares.

Em Aurora não será diferente. A igreja local há dias vem desenvolvendo um belo trabalho junto à população, incluindo a distribuição da material informativo e reuniões doutrinárias.
Um dos responsáveis pela igreja o pastor Genival tem dedicado um tempo exclusivo na divulgação da campanha junto a comunidade.
Como também os esforços para a instalação de uma Atena de repetição para a retransmissão dos sinais da TV Novo Tempo. Para tanto, Genival tem mantido diversos contatos com a secretaria de Cultura do município com este objetivo. A concessão para a liberação do espaço está sendo aguardada como muita expectativa e para breve.

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terça-feira, 4 de maio de 2010

Representantes da AFA participam de reunião com o prefeito Adailton e Seculte-Aurora

A última sexta-feira(30) foi um dia dos mais movimentados pelos que fazem a Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto de Aurora. Pela manhã aconteceu uma reunião com vistas ao fechamento das equipes de trabalho para as comemorações do dia 1ª – dia internacional do trabalho, posto que a Prefeitura comemoraria com uma extensa programação sócio-cultural e esportiva. No período da tarde a Seculte participou de mais um encontro com os representantes da SBEC-Cariri Cangaço para debater a participação de Aurora no Cariri-Cangaço 2010. Outra reunião com o mesmo tema ocorreria na tarde de domingo desta feita, com o coordenador geral do evento Manoel Severo e outros convidados da entidade promotora do acontecimento.
Ainda na sexta-feira no período da noite o secretário José Cícero juntamente com outros representantes da secretaria participaram de mais uma reunião, ou seja, com o pessoal da AFA – Associação dos Filhos e Amigos de Aurora residentes em Fortaleza. O referido encontro teve por objetivo discutir a programação para o grande encontro que a entidade em parceria com a Prefeitura realizará em Aurora no dia 17 de julho onde se pretende reunir mais de 2.000 aurorenses residentes fora do município. Uma vasta programação está sendo elaborada com esta finalidade. Será um momento de muita festividades e serviços sociais que estarão sendo ofertados a população.
Na manhã de domingo, dia 30 os representantes da AFA-CE juntamente com o secretário estiveram reunidos com o gestor municipal Adailton Macêdo em sua residência, com a finalidade de fechar os primeiros pontos da programação. Estiveram presentes além do prefeito Adailton Macêdo, a 1ª dama Rose, o professor Ronaldo Santos, o secretário JC, e os membros da AFA: Marciel(bastim), Regina Souza, Maria Leite e Aurileide Campos.
Outros contatos deverão ser mantidos por todo este mês na perspectiva de aprimorar o quanto antes o planejamento programático para este que será um evento dos mais históricos já vivenciados pelos aurorenses.
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Todo dia tem que ser dia do índio, cara pálida!*

Por José Cícero

E aí cara pálida; hoje é o dia do índio!
Mas quem foi que disse que só o 19 de abril é o dia do índio?

Na mesma proporção como se vem destruindo os recursos naturais do planeta, os chamados “homens brancos” tem também imprimido sua força ao longo da história no sentido da promoção do extermínio das mais diversas etnias indígenas espalhadas pelo mundo. De modo que neste 19 de abril(dia do índio), a grande pergunta que se deveria fazer é: o que haveremos de comemorar neste suposto dia dedicado ao índio? Que legado nós, os contemporâneos, ditos racionais haveremos de deixar às novas gerações no tocante a questão indigenista e ambiental?
Neste dia, pelos menos uma reflexão consciente e inteiramente desapegada de todos os velhos preconceitos e outras discriminações descabidas haveria de ser realizada em relação a este evidente rastro de destruição imposta às populações indígenas não somente do país de Cabral e de Pizon. Ou ainda ao que resta deles(os índios), agora não passam de meros refugiados vivendo às duras penas no que ainda resta da floresta Amazônica e outros rincões abandonados, como sobejos da sociedade moderna, que deram o nome de reserva.
O crescimento urbano, o desenvolvimento social, tecnológico e científico... O pós-modernismo econômico e cultural no seu conjunto mais geral, assim como na sua versão mais cruel tem ajudado a fazer da causa indígena – um ato extremo de perseguição, opressão e matança às vezes muito mais vergonhosa do que aquilo que fizeram os colonizadores, bandeirantes e jesuítas. Alguns festejados ainda hoje com títulos de heróis e outros com os de santos.
A história do nosso índio tem sido por assim dizer, a própria história da usurpação, do crime e do extermínio de toda uma ração que por direito natural seria os únicos e verdadeiros donos do Brasil. Assim como as raízes ancestrais da nossa origem efetiva-biológica.
Somos até hoje, os autênticos destruidores da cultura autóctones dos índios. Criminosos em potenciais de toda uma diversidade de etnias, línguas, dialetos, saberes, crenças e outras tradições inerentes à milenar cultura dos nossos irmãos nativos ameríndios.
O que aconteceu com os povos indígenas, não tem outro nome, senão o de genocídio. Um massacre que de algum modo se perpetuou ao ponto de ter chegado até nós com seus ares de normalidade.
Mas digamos que o processo de extermínio das populações indígenas pelo mundo e, ao longo da história não foi um ‘privilégio’ apenas dos brasileiros, posto que constituiu infelizmente, prática-comum utilizada por diversas nações do globo em diferentes momentos da história humana.
No Brasil, portanto, não teríamos como dissociar a sua história daquilo que foi(e ainda o é) o expediente injusto da exploração e da ocupação às forças, do que ainda restam dos espaços naturais pertencentes aos chamados povos nativos da floresta.
Os índios aos poucos foram sendo expulsos do litoral, sobretudo os tupi-guaranis e para não sucumbirem à maldade dos ‘racionais’ tiveram forçosamente que adentrar o interior do Brasil, até chegar à Amazônia. Os que permaneceram ou foram mortos ou tiveram que se submeter aos ditames espúrios dos seus algozes. Tornaram-se (com raríssimas exceções) pobres miseráveis susceptíveis a toda sorte de males e até à escravidão imposta pelo mundo e pela vida e os costumes dos brancos.
Éramos até os primórdios do suposto “descobrimento”, uma nação completamente livre habitada por uma infinidade de etnias. Raças indígenas vivendo na mais profunda harmonia com a terra, os bichos, à natureza e o sagrado. Uma grande nação que beirava a caso dos cinco milhões de almas falando pouco mais mais de 170 línguas e mais uma série incontável de dialetos.
Antes do descobrimento 100 milhões de aborígenes habitavam o continente americano. Culturas e conhecimento tradicionais que, na sua grande maioria, já se perderam para sempre. Uma riqueza que o homem moderno movido por sua ganância e arrogância até hoje não pode aquilatar com completo. Um prejuízo histórico que só o futuro poderá dimensionar no seu verdadeiro grau.
Era o Brasil o que poderíamos chamar de paraíso perdido na imensidão das Américas.
Um lugar que mesmo após as sucessivas incursões deletérias dos brancos invasores (colonizador e cia.) sustentou os impérios falidos do velho continente. Assim como a opulência e as farras nababescas dos que desgraçadamente se imaginavam ter sangue azul e, que se situavam acima do bem do mal. Uma ilusão que não passara incólume pelo teste inabalável da história.
Por conta desta riqueza natural do país tupiniquim ‘pastoreada’ que foi por nossos irmãos indígenas é que a nação sobreviveu até os dias atuais. Chegando até nós... Só por isso suportou ao vilipêndio, à invasão, ao roubo, à espoliação, ao massacre, à pilhagem assim como a todas as mais abomináveis formas de crimes e expiações que se possa imaginar.
A força do índio brasileiro corre hoje ainda nas nossas veias. O nosso DNA é a mais forte evidência da nossa ligação indígena, além de africana e européia. O índio, portanto, queiramos ou não, é nosso irmão.
Neste dia urge que tenhamos esta compreensão vigorosa e efusiva, com a consciência afirmativa de que somos filhos de uma mistura de raças. Uma miscigenação da qual não é possível se eximir por qualquer razão da presença central do aborígine. Somos irmãos de sangue, luta história e sofrimento. E isso não é pouca coisa.
Neste 19 de abril, diria que a simples consciência deste fato, já seria muito mais da conta para uma sociedade hedonista, arrogante e preconceituoso, sobretudo no que tange as suas verdadeiras origens ancestrais.
Aceitar o índio como partícipe da nossa história biológica será um motivo para um ato de verdadeira celebração. Sinal de que a sociedade brasileira está evoluindo não apenas nas aparências...
Por fim, digamos que todos os dias mesmo antes de 1500 têm que ser dia do índio. Até porque todos os filhos do Brasil mantêm uma dívida de gratidão com os ‘bugres’ sul-americanos das terras de Vera Cruz.
Porque cara pálida! O índio é sim, o nosso irmão!
(*) Prof. José Cícero
Aurora-CE.
Fotos ilustrativas: Da Internet
Artigo escrito em 19/04/10
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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rio Salgado - Eterno milagre dos Caririenses...*

Por José CíceroUm espetáculo a nos encher os olhos. É esta a sensação que se tem depois de um bom tempo de estiagem prolongada, ver de novo toda a extensão do rio Salgado com todo o seu seu esplendor de águas descendo e rompendo com violência da mãe natureza as ribanceiras do rio. Concretizando a contento a velha lei da gravidade. Enchendo de promessas e esperanças os sentimentos mais alvissareiros dos homens e mulheres ribeirinhos sul-caririenses.
O velho Salgado, malgrado o seu abandono e, feito na marra esgoto do Cariri, agora, como por milagre, num toque de mágica dos deuses da ecologia se enche de beleza, grandiosidade e alegria como que desejasse amenizar com as suas águas o sofrimento do mundo inteiro e, em particular as agruras das gentes sertanejas. Assim ele segue rasgando os sertões, as pedreiras, a caatinga e o areial sem fim, entre vales, planícies, chapadões e serras. Um encanto. Uma utopia na mais autêntica concretude das formas abençoando a vida e a lida dos povos dos sertões do Cariri cearense... O Salgado agora depois da 'frente fria' é só “boniteza” a iluminar o semblante, o coração e o sorriso dos agricultores a semear o chão.

Mesmo numa seca-verde que se prenuncia o Salgado renovado é uma dádiva dos céus. Uma promessa a alimentar as esperanças no eterno milagre da fartura e da bonança diante da multiplicação do pão a se repetir anualmente nos grotões dos esquecidos dos sertões adentro.
O Salgado cheio é um sonho correndo ao nosso encontro tantas vezes protelado, desfeito... O Salgado é um Kariri valente, quando se fortalece ao receber de bom-grado as sangrias dadivosas dos açudes, lagos e riachos. Salgado rio. Águas que nos alimenta, saciando a sede e banham nossa alma tão docemente. Como se fossem os carinhos da mulher amada...
A cheia do Salgado é um acontecimento dos mais esperados. Uma festa que não tem nome...Com seu barulho por entre as quebradeiras das matas, ante o fenomenal represamento no boqueirão de Lavras, a queda livre na cachoeira de Missão Velha, a subida dos peixes no Morro Dourado, no poço do meio. Sua nascente na Batateira do Crato, a passagem com pressa pelo Granjeiro abaixo, Salgadinho, Massalina das Ingazeiras e a chegada majestosa sob a 'ponte da espera' nas terra da Aurora nas proximidades das "beatas" como uma despedida na direção do Castanhão, o mar da vida - num abraço Atlântico.
Com aproximadamente 42 km do seu leito percorrendo o solo d'Aurora, há razões de sobra para afirmarmos que o rio do Cariri é, de fato, um manancial genuinamente aurorense. Além da sua grande extensão, nas terras de Aldemir é que o Salgado se faz grande, bonito e imponente, sobretudo nos seus mais diversos e expressivos encantos naturais. Aurora é, por tudo isso, um presente do Salgado, tanto quanto o Cariri inteiro.
Em dias de tristeza, contemplar o Salgado agora é por assim dizer, uma terapia recompondo nossa paz de espírito. Um verdadeiro refirgério espiritual. Aliviando o cansaço do peso do dia a dia. Tudo, com a mesma sensação gostosa de se estar no mundo. Sempre quando, psicologicamente voltamos por algum instante as nossas raízes ancestrais. O Salgado por tudo isso é uma obra esplêndida de Deus, invadindo sem pedir licença nossos olhos, corações e mentes com o sentimento da mais absoluta felicidade coletiva.
(*) Prof. José Cícero - Secretário de Cultura, Turismo e Desporto/Aurora-CE.

SERVIÇOS:
Pela primeira vez, este ano, a cachoeira de Missão Velha, por onde passa a água da microrregião do Cariri (Crato, Juazeiro, Barbalha, Caririaçu) para o Castanhão, está cheia. A cachoeira começou a receber água depois da chuva de 110 milímetros que deu em Barbalha. De acordo com os populares nunca a cachoeira esteve assim, tão cheia, no mês de abril. Normalmente, esse fato acontece nos meses de fevereiro e março. As águas que passam pela cachoeira são despejadas no Rio Salgado, que desemboca no Jaguaribe e este no Açude Castanhão.(blog do Tarso Araújo)
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Artigo: Super Proteção - Um Castigo*

Por: Luiz Domingos de Luna, especial para o blog do JC:
Os adolescentes, ao tempo da ditadura militar, sonhavam com a liberdade como um instrumento de auto-afirmação na família, nas comunidades e na sociedade como um todo. Pois, apesar do regime de exceção, a alma do espírito democrático a rondar o inconsciente ou “consciente maturativo”. De que algo no espaço social, político precisava ser mudado.
Este eixo espiritual não foi destruído pela força de dominação do militares à época. A noção de mudança, sempre presente no tecido sociológico brasileiro, a inquietação grassava desde as camadas sociais mais baixas às mais altas – as Elites. O espírito mudancista sempre presente no meio social em todas as suas arestas, em proporções e intensidades constantes, como uma massa pensamental uniforme e invisível a incomodar sempre o regime de opressão. – Uma permanente inquietação.
A entrada no regime democrático um sonho realizado de um povo que não acostomou-se com a mordaça. A mancha negra do regime de exceção não pode e nem deve ser um trauma para superproteção de crianças, adolescentes, ou mesmo adultos, por algo que não pertence mais ao mundo deles, pois o relativismo político do Estado brasileiro foi incorporado ao Estado Democrático de Direito.
Ao se propalar a superproteção às novas gerações, que vivem a liberdade, ideal sonhado pela anterior; está se criando um grande paradoxo, pois a própria liberdade almejada pela geração anterior não pode ser utilizada como ferramenta para o bem comum, vez que os pais passam a controlar os passos de seus filhos de forma intensiva, coercitiva desde o nascimento, formando assim, não filhos reais, mais filhos ideais, modelos, referências, projetos, tudo, menos uma vida autônoma e soberana no espaço tempo.
A vida não pode ser um projeto (de vida) que não deu certo em um ideal sonhado por outrem, visto cada um, ser único e total. Educação, orientação, sim, porém superproteção nunca... pois a superproteção é apenas um castigo disfarçado.
(*) Professor e Pesquisador – Aurora – Ceará.
Foto ilustrativa da Internet

terça-feira, 20 de abril de 2010

Graviola apresenta bons indicativos para a cura do Câncer, afirma pesquisador

Vejam só que interessante: Recebido de Dr. Rômulo d'Avila (médico).
Repassem aos seus contatos. Notícias assim não são divulgadas por causa da pressão dos grandes laboratórios farmacêuticos. Mas esse é o lado bom da Internet. "CANCER - A ERVA QUE CURA" - Foi pesquisado pela USP e é válida Dr. Panuzza confirmou.
SE VC CONHECE ALGUÉM QUE TEM CÂNCER, POR FAVOR ENCAMINHE ESSE E-MAIL. MAS MESMO QUE NÃO CONHEÇA ENCAMINHE A OUTRAS PESSOAS, PORQUE QUEM SABE, ESSAS POSSAM AJUDAR ALGUÉM QUE PRECISE. ALÉM DE CURAR O CÂNCER, ESSA FOLHA TEM OUTROS BENEFÍCIOS.
ABAIXO SEGUE COMENTÁRIO:
FOLHA DE GRAVIOLA: A folha de graviola cura câncer. Segundo Evandro Romualdo, um amigo lhe confidenciou a seguinte história: Que sua esposa após descobrir um câncer no seio que chegou a se espalhar pelo seu corpo,estava praticamente com os dias de sua vida contados. Foi então,que descobriu uma publicação sobre o CHÁ DE GRAVIOLA. A notícia estava em um site e o título do artigo é CANCER MAGIC BULLET DISCOVERED, but drug giants hushes it up!- 10,000 times stronger than chemotherapy with no adverse side effects... Na reportagem eles citam o quanto o extrato da GRAVIOLA é 10.000 vezes mais forte do que a quimioterapia por drogas, e sem efeitos colaterais. Citam também a árvore como sendo encontrada na floresta Amazônica. Enfim, a esposa dele também tomou o chá, e em dois meses não tinha mais nenhuma seqüela ou ferida. Hoje está viva e saudável! A Graviola ainda age na cura do Diabetes, Stress, depressão e muito mais...
AQUI FICA A DICA PARA QUEM PRECISAR, SE PUDER DIVULGUE, QUEM SABE ASSIM CONSEGUIMOS AJUDAR MAIS PESSOAS COM ESSA NOVA DESCOBERTA. AGORA SAIBA A OUTRA VERSÃO SOBRE ESTE FATO QUE PODE OU NÃO SER VERDADE: Chá de graviola combate o câncer? A graviola ou Anona muricata, L é uma dicotiledônea da família Anonaceae. É conhecida em espanhol como aguanábano, em inglês como soursop e é corossolier em francês. Agora, ao que interessa começando com uma notícia pouco animadora: "Se um dia você ouvir falar que foi encontrada a cura do câncer, não leve a sério.
O que chamamos de câncer é, na verdade, um conjunto de mais de cem patologias que, em comum, têm apenas a célula maligna." É o que diz o médico Dráuzio Varela no artigo A cura do câncer publicado na Folha de São Paulo do dia 26 de junho de 2004 (Caderno Ilustrada, página E12).
A mensagem, que circula desde março de 2003 começa com uma pessoa se dizendo conselheiro da CIESP-Zona Norte e logo surgem as perguntas: o quê? de onde? CIESP é a sigla de Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, mas essa resposta traz outra pergunta: que autoridade tem um 'conselheiro' da CIESP para garantir os propalados efeitos milagrosos da graviola ou da jurubeba? Essa eminente autoridade não se identifica nem assina a mensagem.
É como se bastasse um suposto cargo de uma entidade paulista, cargo esse ocupado por uma pessoa não identificada, para assegurar os efeitos milagrosos da hortelã da folha miúda. Ou da graviola. Tanto faz. Como se não bastasse o anonimato do contador da história, ele também não menciona o nome do nosso diretor nem tampouco o nome da mulher dele (do diretor) que viveu essa inédita experiência. Também não existe nenhuma informação confiável a partir da qual se possa conferir a existência das pessoas (quase :-) mencionadas.
Esse é o típico boato: não sei quem falou que não sei quem, mulher de não sei quem, viveu, em um lugar indeterminado e não sabido, uma experiência inédita: não sei se pesquisando na Internet, mas a noticia estava num site ou revista alemã/ americana (?) e intitulava-se CANCER "MAGIC BULLET" DISCOVERED (chi, agora me lembro: era em inglês :}... Que história mais mal contada... Antes de continuar: pode até ser que a graviola sirva de remédio para alguma coisa, mas bastaria esse conjunto de indeterminações para comprometer a validade da informação fornecida.
O fato é que, à primeira vista, a mensagem parece um spam de propaganda de produtos derivados da graviola, mas nenhum dos links nela contidos remete a saites de venda de medicamentos, chás, mezinhas ou coisas equivalentes. Um dos links remete para o ACAM - American College for Advancement in Medicine. O ACAM afirma em uma de suas páginas: ACAM DOES NOT PROVIDE MEDICAL ADVICE TO THE PUBLIC Ou seja, a entidade não provê aconselhamento para o público e destina-se, exclusivamente, à classe médica. E nada menciona sobre soursop. E os outros links? www.aaem.com - International College of Intergrative medicine: nenhuma referência a soursop ou graviola. www.icimed.com - International College of Intergrative medicine: nenhuma referência a soursop ou graviola. www.meridianvalleylab.com - Meridian Valley Laboratory (última atualização em 26 de abril de 2000): nenhuma referência a soursop ou graviola. www.tahoma-clinic.com - Tahoma Clinic and Dispensary: nenhuma referência a soursop ou graviola. Ao pesquisar no Google a expressão cancer graviola OR soursop OR corossolier (opção 'todos os idiomas'), retornam mais de 1.400 resultados.
Dos 40 primeiros, 2 páginas não puderam ser localizadas e 37 links remetem a saites que vendem extrato de graviola, cápsulas de graviola ou coisa semelhante. Há páginas mencionando a graviola como árvore originada das profundezas das florestas tropicais da Amazônia. A Amazônia também é 'explorada' nesse sentido... Em muitas das páginas, a graviola é indicada para hipertensão, disenteria, artrite, gripe, malária, nevralgias, reumatismo, febre, náuseas, úlcera. E câncer. Uma delas pertence a empresa de serviços de limpeza e logo vem a pergunta: qual a autoridade ou competência de uma empresa de serviços de limpeza para apregoar virtudes de medicamentos? No artigo Graviola - A cura da hora o Instituto Day Care informa: ... não há formulação oficial aprovada pelo Ministério da Saúde, indicação formal reconhecida pela medicina oficial nem consenso entre especialistas de que o uso da graviola ou de qualquer um de seus derivados, até o momento, seja benéfico para pacientes com câncer.
Afinal de contas, chá de graviola cura ou não cura o câncer? Para saber a resposta correta, converse com o seu médico. Veja o que ele diz sobre isso e também sobre outras lendas semelhantes que circulam pela Internet. O seu médico vai dar a orientação adequada. Enquanto isso, não acredite em curas milagrosas ou algo que se apresente como '10.000 vezes mais forte' do que tratamento convencional. E qual a origem da mensagem? Logo acima dissemos que, à primeira vista, parecia spam. À segunda vista, também. Não há dúvida de que se trata de spam elaborado por algum fabricante ou revendedor de cápsulas ou extrato de graviola milagrosos. Por alguma razão não esclarecida, o spammer pretende continuar no anonimato e a distribuição, pela Internet, dessa propaganda enganosa fica por conta de internautas de boa índole que reenviam o que lhe mandam (já vi algo parecido em algum lugar :) Versão surgida em fevereiro de 2005 menciona a USP que teria realizado pesquisas na área.
É possível que algumas instituições pesquisem o uso da graviola, da babosa, do capim santo, do malvaristo e de mais centenas de ervas. Uma coisa é realizar pesquisas e outra coisa, muito diferente, é afirmar quais as ervas que curam doenças. A mensagem de fevereiro de 2005 também diz que Segundo Evandro Romualdo, um amigo lhe confidenciou a seguinte história: Quer dizer, se o amigo do sr. Romualdo (quem??!!) diz que isso é verdade, então acredite, não importa quem seja o sr. Romualdo. Puro boato. De qualquer forma, deve-se levar em conta o efeito placebo.
Os leitores comentam. Em sua página, a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária apresenta o seguinte Alerta aos consumidores para a venda de medicamentos pela internet. A Anvisa oferece dicas para consumidores que compram medicamentos pela internet: * Tenha cuidado com sites que promovem curas milagrosas para doenças graves ou medicamentos que prometam cura para várias doenças; * Evite sites que incluem casos não comprovados cientificamente e que prometam resultados fantásticos para um determinado medicamento; * Não compre medicamentos em sites estrangeiros, pois estes geralmente realizam a importação de drogas de forma ilegal. Além de ser arriscado para o comprador, pois a probabilidade de ser enganado é ainda maior, não há nada que a legislação brasileira possa fazer, nesse caso, para proteger o consumidor; * Não compre pela internet medicamentos de venda sob prescrição, pois esses estarão sendo comercializados ilegalmente se não exigirem a receita médica.
Fonte secundária:blogdoivaldoshow.blogspot.com
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Prefeitura Implantará nos próximos dias Academia na Praça Pe. Cícero

Prefeito Adailton Macêdo implantará academia comunitária de Ginástica e educação física em praça pública da cidade
Segundo informação oriunda da Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto(Seculte) dentro dos próximos dias estará sendo instalada no espaço da praça Padre Cícero ao lado da antiga estação ferroviária a 1ª Academia Comunitária da cidade. A academia recém adquirida pelo prefeito Adailton Macêdo constará de vários instrumentos de educação física que deverão ser fixados na praça da estação como é popularmente conhecido o espaço. Os referidos instrumentos já se encontram no depósito da prefeitura prestes a serem fixados no espaço da praça.
A academia comunitária constitui mais uma novidade conseguida pela gestão municipal o que será fundamental para o melhoramento da saúde da população. “estamos aguardando com muita expectativa mais esta conquista da administração 'o povo construindo o novo'”, enfatizou a coordenação da seculte-Aurora. “Visto que a academia na praça possibilitará à população um acesso mais fácil a prática saudável do exercício físico, que hoje é fundamental diante de todas injunções da vida moderna”. O município também garantirá profissionais da área para prestar os serviços necessários aos que utilizarem os instrumentos”, concluiu.
Melhor qualidade de vida e uma série de incentivo à prática esportiva, são apenas alguns do vários benefícios que ‘a academia na praça’ possibilitará à população aurorense, sobretudo às pessoas da terceira idade. Nosso maior bem é a saúde por isso a academia de ginástica voltada para à população se reveste do mais alto valor social, disse.
Da Redação do Blog da Aurora e da Seculte-Aurora.
Foto ilustrativa da Internet.
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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Caminhos, caminhão: Misto da feira...*

Por José Cícero

De terra era a estrada
Que dava para à ribeira.
O caminhão à manivela.
O misto da feira
Subia gemendo e devagar
O topo da serra.
Crato, Aurora e Missão Velha.
Ônibus dos feirantes
Trem dos retirantes
Esquecidos pelos sertões adentro.
Misto da feira,
Entupetado de mercadoria, gente e bicho.
Antigo Misto, velho caminhão.
cheiro forte de homem e gasolina.
Rota batida, sol à pino
Café da linha
Que se estendia
Das feiras do Crato,
E de Juazeiro até Cajazeiras.

A distância era tremenda.
Léguas tiranas,
Poeira densa de encher a alma
Dos viajantes.
Saudosas paradas.
Merenda: Café com broa
Distribuídas ao longo da estrada.
Jippe roncando, carro de boi invejando.
Rural e DKV atolados
na areia quente da seca.
Velha jardineira de primeira classe
Rasgando o solo dos sertões
Em dias de feira.
Cidadezinhas à espera
Velhos chapeados a postos
Provinciano dia-a-dia
Daquela boa gente sertaneja.

De terra era a estrada
Rastros da borracha na areia
Pedras soltas, cascalhos do chão.
Chão batido, poeira, bodegas...
Caatinga pra todo lado
Solidão dos caminhos
Quebrada pelo misto da feira
Motor endiabrado,
Levando na bulé e na carroceria
Gente e bicho,
Bugigangas e outras mercadorias
À feira do Crato,
Aurora, Icó, Brejo e Porteiras.
Velho Misto da feira
Caminhante do oco do mundo
Aproximando a lonjura do Cariri
Àté à feira de Fortaleza.

José Cícero
In Fractais Imensos
(2010 inédito)
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www.seculteaurora.blogspot.com
www.aurora.ce.gov.br
www.blogdaaurorajc.blogspot.com


terça-feira, 30 de março de 2010

Um poema metafísico*

Por José Cícero*
Ontem à meia noite e meia fiz o meu poema mais bonito. Uma verdadeira ode ao silêncio quando me senti perdido em meio a solidão de mim mesmo e de tudo o mais que existe. Como alguém tremendo de frio abraçado aos seus tormentos sorvendo os efeitos do seu próprio medo.
Meu poema mais bonito continha todo o lirismo possível que a poética do mundo poderia conceber.
Um poema arbusto, rasteiro com gosto de terra e cheiro de verdade. Um poema surreal como um peditório consagrado à perfeição dos gestos e dos sentimentos mais altaneiros da fauna humana como um mero atributo dos bichos brutos. Um poema de louvor e estranhamento como uma carta ousada adolescente escrita às escondidas sob a sombra dos antigos arvoredos.
À meia noite e meia de ontem embevecido pela solidão do mundo conclui o meu poema mais bonito, prenhe de encanto e de desvelo. Debaixo de um céu de chumbo queimando meu crânio e os meus neurônios entre seus mistérios e seus segredos.
Um poema novo e diferente reacendendo em todos, o fogo da confiança nas coisas possíveis.
Um poema sensível cheio de verdades. Uma oração inteiramente dedicada às utopias e aos sonhos dos que, tocados pela fortaleza dos deuses, ainda não perderam por completo as esperanças no amanhã e a vontade de viver, assim como a coragem de acreditar na possibilidade de um futuro de felicidade.
Um poema sensível, quase inocente como uma canção de ninar a embalar as criancinhas ainda agora, por entre nós, pensando pelos homens adultos entretidos, contando seus metais ao redor do fogareiro demoníaco.
E, quando enfim me dei conta, vi que meu poema estava repleto de grandes olhos. Era como um ser estranho, um alienígena, olhando para mim como um promotor que interroga de modo irascível um criminoso.
Aquele olhar era penetrante ao ponto de eu também me ver ali, por meio daquela ótica ensandecida. Era enfim, a minha luneta mágica através da qual eu procurarava psicologicamente enxergar pelo seu lado oposto, tudo que até então eu ainda não tinha conhecimento.
Vi-me por dentro. Estava em frangalhos. Enxerguei pela ótica bizarra daquele poema toda a dimensão dos meus erros cometidos por todos estes anos. Estava ali, diante de mim mesmo, como quem realiza um acerto de contas com seu Eu profundo. Na tentativa desesperada de consertar a tempo, meus equívocos e meus defeitos. Tanto por fora quanto por dentro, eu era um estrago no sentido mais lato do termo.
Por meio do meu poema mais bonito pude finalmente enxergar a nudez absoluta do meu ser, ante a mais cruel de todas as misérias que já se abatera por sobre o mundo.
Aquele poema de alguma maneira conseguiu tocar a minha alma como espinhos furando sem dó nem piedade a minha carne. Quem sabe para que eu pudesse me dá conta que ainda estava vivo.
Ou ainda para que eu pudesse enfim, despertar para o novo mundo que se avizinhava bem a minha frente, em meio as divagações daqueles versos esquistos. Um despertar para os meus sacrilégios recorrentemente dissolvidos nos meus gestos cotidianos.
Através do meu poema, percebi que a beleza, assim como a miséria do mundo tinham muito a ver comigo. Também era da minha conta, vez que compunha o meu universo entrínseco. E eu chorei copiosamente como um menino em abandono chorando sua sorte, sua desventura e seus desejos não realizados. Senti como ninguém jamais poderia toda a solidão que existe neste mundo...
O excesso de verdade contido no meu poema era como faca peixeira nas mãos de exímios açougueiros retalhando a minha carne fraca em desvario intenso.
E eu sofri em demasia naquela noite, até o nascer do dia, como quem sofre eternamente as dores mais fortes do mundo inteiro.
Quando enfim, o sol surgiu no azimute mundano; o meu poema mais bonito encheu a minha vida de esperanças e de outras utopias impossíveis.
Com o meu poema novo morri e ressuscitei tantas vezes precisei e, sempre quando carreguei nos meus próprios ombros o fardo pesado do tempo ido jogado sobre a minha vida inteira por todos os gigantes do mundo.
O meu poema mais bonito em definitivo, é agora o meu espelho. A minha outra face. A verdade que carrego pela vida afora e que escolhi para mim mesmo.
(*) José Cícero
Prof. Poeta e Escritor
Secretário Mun. de Cultura
Aurora - CE.
In Fragtais Imensos(Inédito/2010)
Foto: da Internet
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segunda-feira, 29 de março de 2010

Armando Nogueira: A poesia imorredoura do Futebol e da Notícia

Por José Cícero
Existem pessoas que mesmo não sendo nada da gente quando morrem produzem em nosso íntimo a mais das absolutas sensações de perda. Um sentimento de vazio extremo. Uma profunda saudade a nos invadir, como avalanche, a nossa própria alma como se estivéssemos em sobressalto constante.
Pelos menos é assim que acontece comigo.
Quem sabe o afloramento natural das nossas raízes ancestrais psicocógicas, sei lá... Como resquícios remanescentes das nossas mais latentes e intrínsecas ligações holísticas, espirituais, supra físicas como o cosmos, o universo em toda sua plenitude.... Comigo pelos menos é assim que ocorre.
Foi assim, por exemplo, quando fiquei sabendo pela TV do desencarne do renomado jornalista e comentárista esportivo Armando Nogueira.
Assim como tem acontecido com várias outras figuras, não apenas do Brasil que com seu talento quer seja intelectual, humanístico ou do beletrismo artístico de algum modo especial contribuem para o progresso humano e, por conseqüência para o melhoramento afirmativo do mundo.
São nestes momentos de perdas profundas, que a reflexão sobre a nossa existência e o mistério da morte reacendem em nós pobres mortais a necessidade de um melhor direcionamento das nossas ações em favor da vida e do próximo. Ocasião que os sentimentos de fraternidade e de solidariedade tocam fundo a nossa alma, coração e mente.
Ante a presença implacável da morte enxergamos nossa pequenez em sua dimensão mais forte e verdadeira. Porque é com a morte, como em vídeo-tape, que tentamos rever e reavaliar nossos momentos, nossas ações e hesitações, durante a nossa efêmera passagem pelo palco sombrio da vida; assim como toda a transitoriedade do nosso verdadeiro sentimento de se estar no mundo.
Porque é assim que verdadeiramente acontecer comigo. Isto é fato. E fato sendo reflito com a ligeira sensação de que estou igualmente à beira do meu momento findo. Porque todos os dias para nós, devem ser o último...
A notícia do falecimento de Armando Nogueira me tocara com aquela sensação estranha e lúgubre só experimentada pelos que de fato, perderam algo importante. Contudo, figuras como a de Armando Nogueira, não deveriam morrem nunca. Isso porque, de algum modo contribuíram efetivamente para o aprimoramento necessário do gênero humano.
Quem sabe por isso Guimarães Rosas sempre dissera que os grandes homens nunca morrem de verdade, eles apenas se encantam. Tomara que o mestre Armando não tenha morrido, mas apenas se encantado. Porque do meu lado, posso dizer que sempre me encantei assaz deslumbrado diante dos seus escritos poéticos e suas crônicas futebolísticas das mais inteligentes.
Muitas foram as vezes que me deliciei na minha adolescência quando o lia ou quando o via na TV. Tive o raro prazer de vê-lo ainda na Manchete, assim como suas tiradas na Placar.
Armando Nogueira foi um dos maiores redatores que este país já produziu. Talvez o último. Filho da distante Xapuri-AC, que ficou famosa através da luta e morte de Chico Mendes. Armando veio para o Rio ainda em tenra idade para ganhar a vida. E a ganhou na medida em que se transformou no maior e mais conceituado jornalista esportivo do Brasil. Com atuação na revista Cruzeiro, Manchete, Bandeirantes e na TV Globo, onde foi inclusive um dos mentores do jornal nacional. Como enviado, cobriu várias Copas do Mundo assim como as Olímpiadas. Foi um daqueles comentaristas em extinção, cujos comentários nos enchiam de prazer e conhecimento.
Há anos que não o vi mais na telinha ou no impresso. Quem sabe pela opção idiota que a mídia atual tem feito em favor dos rostinhos jovens e engraçados em detrimento do talento, da ética e da inteligência de tantos, que como Armando, foram pioneiros ajudando, inclusive, a moldar os alicerces fundamentais do jornalismo brasileiros.
Vítima de câncer no cérebro, Armando Nogueira faleceu nesta segunda-feira(29) no Rio de Janeiro aos 83 anos.
Com o desaparecimento de Armando, o jornalismo esportivo autêntico, assim como a notícia diferenciada e a crônica poética do cotidiano saem de cena, dando lugar ao shownalismo marrom, negro, feio e fedorento.
Uma pena, que os nossos filhos nunca poderão conhecer a lavra e o talento de Armando Nogueira. Simplesmente porque ele será para sempre insubstituível. Mesmo assim fiquemos torcendo para que Armando não tenha morrido, porém apenas se encantado, oxalá em mais uma daqueles suas belas e encantadoras crônicas do nosso futebol arte. Porque Armando foi e para o todo e sempre o será aquilo que podemos classificar como: Um Gol de Placa.
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ARTIGO: Ibiapina: O Homem*

Padre José Antonio de Maria Ibiapina, assim assinava aquele que o povo chamava de mestre Ibiapina, o maior missionário do Nordeste. Cujo centenário se celebrou em 1983. Hoje em dia ele está quase totalmente esquecido, mesmo no Nordeste, salvo em algumas comunidades rurais muito tradicionais em que se mantêm algumas devoções recomendadas por ele ou nas imediações de Santa Fé, perto de Arara, na Paraíba, onde foi sepultado. Cada ano em Santa Fé no dia 19 de fevereiro uma piedosa romaria reúne os últimos os últimos devotos do Padre Mestre.
Nada mais injusto do que o esquecimento em que caiu o grande missionário do sertão do Nordeste. Se tivesse tido continuadores, a face da igreja no Nordeste e no Brasil teria podido ser diferente. Mas a circunstância histórica não lhe foi favorável. Depois do Vaticano I, no Brasil a igreja entrou nos rumos da romanização e do ultramontanismo. Os bispos pediram a ajuda de religiosos europeus formados na mais estrita observância do Ultramontanismo.
A Herança pastoral autóctona foi abandonada. Em torno à figura do maior e dos mais originais dos missionários do Nordeste, criou-se um silêncio de quase reprovação.Ibiapina nasceu em 1806 numa fazenda perto de Sobral, no Ceará. O Seu pai era escrivão o público. Seu pai teve parte ativa na revolução de 1824, conhecida como confederação do Equador, e foi fuzilado. O Seu irmão mais velho. Pela mesma razão. Foi preso na ilha de Fernando de Noronha onde morreu misteriosamente. Estudou dois anos no seminário de Olinda de 1823 a 1825. Mas não se entrosou e saiu. Entrou na faculdade de direito recém fundada e formou-se aos 26 anos, assumindo imediatamente a cadeira de direito natural na escola de direito.
No ano seguinte, aos 27 anos, ele é juiz de direito e chefe da polícia em Quixeramobim. Aos 28 é eleito deputado federal na constituinte de 1834. (...) Em 1855, dois anos depois da ordenação, deixa o Recife definitivamente para buscar a sua vocação no sertão. Deixa a igreja instalada da capital pernambucana que a ninguém para buscar o povo de Deus perdido nesse interior interessa. Então começa a sua vida missionária. Os últimos 28 anos de sua vida vão fazer uma extraordinária carreira de missionário.
De 1860 a 1876 foram os anos da vida itinerante. A partir de 1876, Ibiapina, paralisado, instala-se em Santa Fé, continuando a dirigir asa suas fundações à distância. Aí morre em 1883.
_________________
Prof. Luiz Domingos de Luna -
É mestre de Ordem, Ordem Santa Cruz, - Penitentes - Forania do Aurora no Estado do Ceará, aos 28 dias do mês de março, 2009.
Bibliografia:Ibiapina José Antonio de Maria, 1805 – 1883
Instruções espirituais do Padre Ibiapina/ José Comblin {organizador} – São Paulo: Ed. Paulinas, 1984.
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