sábado, 19 de março de 2011

JOSÉ BERNARDO DA SILVA - POETA E EDITOR DE CORDEL


JOSÉ BERNARDO DA SILVA: POETA, EDITOR E “EDUCADOR”
Em artigo publicado no JORNAL DA PARAÍBA, o poeta e jornalista Manoel Monteiro enaltece a figura de Manoel Camilo dos Santos, grande editor e poeta popular paraibano, pela sua inestimável contribuição ao povo nordestino como educador, um “mestre-escola incansável”, no dizer de Monteiro, já que a poesia popular tem, dentre outras qualidades, a de ensinar o povo a ler. E o poeta vai mais além: “Estamos cortando a fita do terceiro milênio com cerca de 40% de desletradados e, se esse número não é maior, graças se dê ao Professor Folheto.”
Se Manoel Camilo e tantos outros menestréis nordestinos tiveram essa qualidade admirável de semear as letras num país de analfabetos como o Nordeste, o que dizer então da grande figura que foi JOSÉ BERNARDO DA SILVA, o maior editor de Literatura de Cordel durante as décadas de 40, 50 e 60. Mesmo com o seu falecimento em 1971, a Lira Nordestina (nome que ganhou a sua casa editorial – a Tipografia São Francisco - por sugestão do poeta Patativa do Assaré) continuou esse trabalho até meados da década de 80.
Depois que este maravilhoso acervo foi vendido ao Governo do Estado, resta apenas uma tênue lembrança do que já foi a nossa Lira, graças a dedicação do já falecido Expedito Sebastião da Silva e do xilógrafo José Lourenço Gonzaga, que tem metade de sua existência dedicada a velha tipografia.Entretanto, os méritos de José Bernardo da Silva como difusor dessa grande manifestação cultural nordestina e seu trabalho como “educador” de massas através da cartilha mágica que são os folhetos, ainda não foram de fato reconhecidos em Juazeiro do Norte, terra o poeta exerceu toda a sua atividade nessa área. Agora em 2001, surge uma grande oportunidade para lhe prestar a gratidão devida, uma vez que este ano marcará o seu centenário de nascimento.
José Bernardo da Silva nasceu em Alagoas a 2 de novembro de 1901. Filho de pequeno sitiante, segundo apuraram os mais acreditados pesquisadores da Literatura de Cordel, emigrou com seu pai na seca de 1915 para Pernambuco, instalando-se inicialmente na cidade de Vitória do Santo Antão, onde trabalhava na lavoura. Em 1924, casa-se com Ana Vicência de Arruda e Silva.
Veio pela primeira vez ao Juazeiro do Norte em 1926, numa romaria, percorrendo todo o trajeto a pé em companhia da mulher e da filha mais velha. Chegando na Meca do Cariri, travou conhecimento com o grande Patriarca do Juazeiro e resolveu fixar-se na cidade, onde começou a trabalhar como vendedor ambulante de raízes e outros produtos medicinais usados pelo povo.
Notando o interesse dos romeiros pela poesia popular, começou a vender os primeiros folhetos, seus e de outros autores, no final daquela década.Padre Cícero era um grande incentivador dos poetas cordelistas, conforme atestava João de Cristo Rei e outros vates que tiveram a graça de conhecer “meu padrinho”. Em suas constantes viagens ao Recife, José Bernardo adquiria folhetos editados por João Martins de Athayde, de quem acabaria se tornando o maior revendedor (ou agente), como eram chamados os folheteiros. Até 1936, José Bernardo editava seus folhetos na gráfica do Bispo do Crato.
Naquele ano, a conselho do mesmo, adquiriu sua primeira máquina – uma rudimentar impressora de pedal – que foi paga parceladamente.Começa então sua atividade editorial, que alcançaria o apogeu em 1949, quando João Martins de Athayde encerrou as atividades de sua editora e vendeu todo o acervo da mesma a José Bernardo, inclusive a obra do grande poeta Leandro Gomes de Barros, cujos direitos autorais pertenciam a Athayde.
Nos anos 50, Juazeiro do Norte publicava os maiores clássicos do cordel: Pavão Mysterioso, Alonso e Marina, Juvenal e o Dragão, Cancão de Fogo, João Grilo, Donzela Teodora e outras estórias que faziam parte do acervo comprado legalmente por José Bernardo.
Segundo afirma o pesquisador Liêdo Maranhão, a atividade dos xilógrafos de Juazeiro, hoje reconhecida mundialmente, começou graças ao incentivo de José Bernardo, que encomendou os primeiros “tacos” ao Mestre Noza, Antônio Relojoeiro, Mestre Noza, Damásio Paulo, entre outros. Hoje, o mais famoso xilógrafo de Juazeiro do Norte é neto do poeta.
Trata-se da admirável figura de Stênio Diniz, um artista cuja obra já percorreu meio mundo e é admirada em museus e universidades da Europa.
É este José Bernardo da Silva, alagoano, romeiro de “meu padrim”, que Juazeiro do Norte deve homenagear em 2001, pelo seu imenso legado prestado a cultura popular nordestina. Só a sua atividade como “educador” já seria suficiente para o poeta obter o reconhecimento das autoridades do Cariri e por conseguinte de todo o Nordeste. Sim, pois não é pretensão afirmar que seus folhetos foram responsáveis diretos pela alfabetização de milhares de nordestinos.
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Por: Arievaldo Viana
Texto escrito em 2001, por ocasião do CENTENÁRIO de nascimento do poeta JOSÉ BERNARDO DA SILVA
Fonte:
www.flofao.com.br
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quarta-feira, 16 de março de 2011

Japão: depois da tragédia à Hecatombe. Será?

Depois da catástrofe, agora vem o pânico diante da terrível ameaça de um iminente desastre nuclear, cujas proporções ninguém ainda será capaz de precisar ao certo. Esta é a nova e insustentável imagem do Japão, após a tragédia provocada pela série de terremotos e a grande onda ocasionada pelo Tsunami que juntos arrasaram populações inteiras situadas na margem litorânea do pais do “Sol Nascente”.
Parece improvável (para não dizer impossível) se imaginar uma nação das mais ricas e prósperas do Globo tendo neste momento que passar por uma situação de completo desânimo e sofrimento, como ora atônitos presenciamos pela TV e pela Internet. Uma destruição somente experimentada em históricos estados de guerra e por outro lado, nos remete às horríveis ocorrências de Hiroshima e Nagasak, tristes episódios que puseram fim ao conflito bélico mundial de 1945. Talvez seja este o preço a que todos terão que pagar (de um jeito ou de outro) por conta do péssimo tratamento que há séculos vem sendo dispensado à natureza, movidos que somos, por uma visão predatória e utilitária em relação aos ecossistemas terrestres e os recursos naturais.
Engana-se, todavia, quem pensar que os recentes incidentes do Japão possam se constituir apenas como um fato isolado diante do contexto de profundas mudanças climáticas e de aquecimento global que se batem sobre a face da Terra.
O que está a ocorrer nas diversas partes do planeta, são sérios indicativos de que algo de muito perigoso, grave e preocupante ainda está por vir. Ao que tudo indica provocados pelo alto nível de poluição, atividades antrópicas e o desequilíbrio ambiental por que passa a Terra.
Diante de todo este caos, cabe uma reflexão por parte dos seres humanos. Especialmente as chamadas lideranças mundiais. Ou seja: Será que vale a pena insistirmos tanto namanutenção do atual modelo de desenvolvimento econômico baseado na destruição desenfreada do meio ambiente e dos recursos naturais?
Será que vale a pena pagarmos um preço tão alto pela cega insistência humana em se brincar de ser Deus. Ou ainda será que vale a pena continuarmos investindo na fissão nuclear e na instalação indiscriminada de usinas atômicas pelo mundo afora?
Caso prossigamos com esta insensatez; depois das tragédias do Japão e da Indonésia teremos forçosamente que presenciar à hecatombe final. Quando fatalmente haveremos de vivenciar o mesmo fim que tiveram um dia os dinossauros.
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José Cícero
Professor de Biologia
Secretário CulturaAurora-CE.
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domingo, 13 de março de 2011

A estratégia de Lampião na geografia da caatinga da Aurora

Abaixo, notável relato do professor e pesquisador José Cícero sobre a façanha realizada por Virgulino Ferreira em terras sul cearenses, mas precisamente em sua Aurora, após cerco e fuga da Fazenda Ipueiras de Zé Cardoso e Izaias Arruda, depois da malograda invasão a Mossoró. Da: Editoria do site Cariri Cangaço"No dia 7 de julho de 1927 por volta das 13h em meio a um intenso tiroteio contra as tropas do major Moisés de Figueredo e os jagunços do Cel. Izaías Arruda os cabras de Lampião saíram às pressas da fazenda Ipueiras de Aurora. Dias antes porém, no início do mês, adentraram o município de Aurora pela serra da Varzea Grande na extrema com Lavras da Mangabeira rompendo um novo cerco, depois do cansaço da Macambira anteriormente corrido no riacho do sangue. Que deste feita fora empreendido pelos lavrenses irmãos Augustos.
Lampião pernoitou às margens de um riacho(das murtas) na altura do sítio Ribeiro(próximo onde existe hoje o cemitério de Santa Vitória). Lá alimentou todo o seu bando. A comida lhe foi oferecida pelo proprietário da terra o Sr. Rangel. Pela madrugado rompeu mais um cerco, agora empiquetado pelas volantes paraibanas e do do rio grande do Norte.
Saíra milagrosamente mais uma vez ileso. Até hoje, a passagem do brando no meio das duas volante é um mistério. De lá seguiu para o sítio Malhada Funda, quando foi recebido pelo proprietário o Sr. Gregório Gonçalves em sua residência. Um casarão semi-abandonado mas ainda hoje de pé.
Ao redor da casa grande da fazenda o bando almoçou. Um garrote e dois bodes foram assados para os cangaceiros. De lá seguiram para a serra dos Cantins guiado pelo morador do lugar de nome David Silva. Até o dia 7 Lampião e seus comandados ficaram acoitados entre a serra do Coxá, Diamante, cantins ambas na direção e proximidades da célebtre fazenda Ipueiras - propriedade de Zé Cardoso e o Coronel Izaías Arruda, grande coiteiro do cangaceiro. Neste coite, recebeu por várias vezes algumas autoridades não apenas de Aurora.
A comunicação entre o esconderijo e a fazenda(quartel-mor) do cangaço era feita pelo vaqueiro de Izaías Miguel Saraiva que dias depois seria o encarregado de preparar o banquete envenenado. Na fazenda Ipueiras ocorreria dias depois o cerco e o tiroteio, após a recusa da comida com veneno.
O ziguezague que a partir dali realizou o rei do cangaço no território aurorense foi algo só digno de um profundo conhecedor da caatinga aurorense. Logo após a hsitórica traição e o chamado fogo da Ipueiras, Lampião com o que restou do seu bando seguiu para a serra do Góes já na divisa com Caririaçu indo pelas bandas do Pau Branco atravessando o Salgado na altura do sítio Barro Vermelho, passando pelo Jatobá, Brandão e pernoitando em Vazantes.
De lá se dirigiu para a serra dos Quintos e no dia 9 para a serra dos Góes, seguindo pelo riacho da boa vista até a ponta da serra pras bandas do Cajuí.
Adentrou assim o município de Milagres transpondo a linha de ferro na localidade de Morro Dourado ainda em terras de Aurora já nas proximidades de Ingazeiras. Uma volta que envolveu todo o perímetro do território aurorense. Esta estratégia deixou completamente perdidos os que o caçavam a ferro e fogo.
Dali conseguiu penetrar sem ser incomodado o estado da Paraíba pelas fímbrias da serra de Santa Inês. Sem sombra de dúvidas, um fino estrategista. Verdadeiro preá das matas.
Dera um banho de conhecimento geográfico nas diversas frentes policiais que tentaram cercá-lo no Cariri e alhures, sobretudo nas saídas para Paraíba e Pernambuco. Este tino de rasgar os sertões com exímia perícia era uma coisa admirável no ‘Che Guevara’ dos grotões. Indubitavelmente foi notável também neste aspecto.
Esta capacidade invejável de vencer os sertões inóspitos do Nordeste ajudara bastante nas incursões que fizera com sucesso durante todos os anos que pontificou com o rei do cangaço. Lugares que até então, nenhum cristão da capital havia posto os pés e nem sequer ouvido falar. Porém, por conta de Lampião, estava lá nos jornais da época, na pauta dos governos, na boca da sociedade elitista, malgrado toda a crítica contra ou a favor do Virgulino, os sertões passaram a fazer parte da agenda da capital.
Por tudo isso, o cangaço ajudou de alguma maneira, a denunciar o sofrimento dos sertanejos abandonados pela sorte e pelo poder diante de toda uma dura excludência. Numa época em que o mapa social do Brasil quase sempre não passava do Litoral. Eis aí o maior legado deixado por Lampião."
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José Cícero
Secretário de Cultura
e Pesquisador de Aurora.
Ps. Matéria publicada hoje em:
Da Redação:
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sexta-feira, 11 de março de 2011

CEARENSES APRESENTAM PROPOSTAS POLÊMICAS NA CÂMARA

Com uma atuação pró-ativa, os deputados cearenses iniciaram seus mandatos nesta legislatura tendo como principal objetivo mostrar serviço. Os deputados novatos são os mais ativos e, além de projetos inovadores e alguns até mesmo polêmicos, os cearenses apresentam propostas para a criação de novas frentes parlamentares e até mesmo novas formas de atuação da bancada junto ao governo federal. Uma das propostas mais polêmicas apresentadas até o momento por um dos novatos na Câmara é o projeto do deputado Genecias Noronha. Ele defende que os créditos obtidos com a venda das passagens aéreas, custeadas pelo Poder Público, o chamado programa de milhagem, sejam aproveitados pelo ente federativo pagador do bilhete e que os referidos créditos possam ser utilizados pelo governo exclusivamente em programas de inclusão social como nos custos de atividades esportivas.
Outro deputado que entrou na Câmara Federal já provocando polêmica foi Raimundo Macedo. Ele é autor de uma emenda apresentada em parceria com outros parlamentares e que visa impedir que o governo determine o valor do salário mínimo através de medida provisória.
Na justificativa da emenda de sua autoria, Raimundão justifica que ao fixar o valor do salário mínimo por medida provisória o governo está “usurpando” o direito do Legislativo de debater e decidir sobre a matéria.
Fonte:Assessoria de Imprensa do Dep. R. Macedo (88) 9644.3489 ou 8825.3001
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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Tiririca, o palhaço?

...e pensar que você ria da cara dele!!!!!!

O grande parlamentar brasileiro TIRIRICA foi diplomado em 17.12.2010..
Salário: R$ 26.700,00;
Ajuda Custo: R$ 35.053,00;
Auxilio Moradia: R$ 3.000,00;
Auxilio Gabinete: R$ 60.000,00;
Despesa Médica pessoal e familiar: ILIMITADA E INTERNACIONAL

(livre escolha de médicos e clínicas);
Telefone Celular: R$ ILIMITADO;
Ainda como bônus anual: R$ (+ 2 salários = 53.400,00);
Passagens e estadia: primeira classe ou executiva sempre;
Reuniões no exterior: dois congressos ou equivalente todo ano.
Custo médio mensal: R$ 250.000,00

Aposentadoria: total depois de oito anos e com pagamento integral;
Fonte de custeio: SEU BOLSO!!!!!!
Dá para chamar ele de palhaço?
Pense bem, quem é o palhaço...
Acho que não precisamos responder!!!
Fonte: Por Ricardo Adriano do Nascimento > www.sociedadeativa.net
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domingo, 20 de fevereiro de 2011

" ELES FAZEM A DIFERENÇA "


ARTIGO
Antonio Mourão Cavalcante
OPOVO – Opinião – 19.02.2011
" Criticar a conduta de parlamentares tem sido o exercício mais frequente da imprensa nacional. Motivos não faltam. Mas esta semana fiquei orgulhoso com a postura de dois parlamentares cearenses. Um no plano estadual, Heitor Férrer (PDT) e outro, no plano federal, Eudes Xavier (PT).Primeiro, Heitor Férrer. Com ele, o jogo não passa batido. É um fiscal atento. Agora, instigado pela imprensa, ele solicita explicações ao governador Cid Gomes sobre uma suposta viagem em jato privado. Do mesmo empresário que ajudou Cid financeiramente em suas campanhas e que tem negócios com o Estado.
Sem ser leviano, Heitor Férrer preferiu pedir explicações. O governador, em rompantes de imperador, disse que não tem satisfações a dar sobre sua vida privada… (Nem Berlusconi, na Itália). Mas será que, de férias, ele deixa de ser governador? Não deve explicações institucionais? Heitor, mesmo isolado – foram 40 votos contra um -, cumpre a tarefa de representante intransigente dos que, simplesmente, querem saber. A cara zangada do governador não deve intimidar o bravo parlamentar.
O segundo motivo de satisfação foi a posição assumida pelo deputado federal Eudes Ximenes. Votou a favor de um melhor salário mínimo para os trabalhadores. Não atendeu ao caviloso apelo dos que aderem com facilidade ou por “facilidades” ao Governo. Merece aplausos, nem tanto por “desobedecer” uma recomendação partidária, mas por mostrar coerência com a sua história. Apenas lembrando: Eudes foi presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e líder dos trabalhadores em portas de fábricas, greves e piquetes.
Com coragem, ele preferiu ficar quite com sua consciência e com seu passado de lutas. Será que os desejosos de puni-lo têm moral suficiente para fazê-lo? Cada vez mais, assistimos à traição de princípios. Ontem, verdadeiros líderes de massas que hoje se acovardam em conchavos imorais e subserviência hipócrita.
A postura desses dois parlamentares cearenses honra o povo e alimenta a esperança de que mesmo sendo tão poucos eles fazem a diferença! "
Antonio Mourão Cavalcante – Médico, antropólogo e professor universitário

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Uma máxima discussão para um Salário Mínimo...

Por José CíceroO governo da companheira Dilma ao que tudo indica, não está começando bem, pelos menos para os que dependem do Salário Mínimo para viver, nada menos do que 47,7 milhões de brasileiros. O que por sua vez, destoa e muito, daquilo que foi a estréia festiva do nosso “Lulinha paz e amor”- o presidente operário.
A começar pelos evidentes sinais de uma política de cortes e arrochos para áreas sensíveis da nossa economia. Até aí tudo bem, se mais uma vez não fossem os mais pobres e os trabalhadores que tivessem compulsoriamente que ‘pagar o pato’. Pois a grande elite financeira do país, a exemplo dos banqueiros e do empresariado em geral continuam com seus lucros assegurados. O anunciado mecanismo de elevação das taxas de juros terminará pesando, sobremaneira no bolso dos mais necessitados, além dos trabalhadores, aposentados e pensionistas.
A decisão da presidenta de paralisar todos os concursos públicos que estavam para ocorrer; previstos ainda na era Lula, também representa um forte indicativo de que a Sra. Dilma não começa bem. Para não falar na ameaça velada de um possível retorno do temível processo inflacionário.
Mas não nos enganemos com mais essa balela do velho economês querendo nos amedrontar com conversa de crise. Pois no fundo, ao invés de explicar, este discurso tem sim, o propósito de confundir a opinião pública brasileira, notadamente os menos informados. Um álibe no sentido de promover uma política de perdas aos olhos da massa trabalhadora, que na verdade é quem produz e sustenta os pilares da economia brasileira.
Nada contra qualquer política de austeridade no tocante à ‘gastança’ do dinheiro público. Mas sim contra os cortes de recursos destinados às áreas consideradas essenciais. Assim como do não investimento efetivo nos setores-chave da estrutura produtiva do país.
A criação de novos ministérios ou de secretarias com este perfil, a manutenção de contratos milionários, assim como a continuidade de obras consideradas ‘gastadeiras’ e até antiambientais como a de Belo Monte, além das benesses nada interessantes do BNDES para com os mais ricos, dentre outras ações governamentais. Tudo isso em seu conjunto mais geral, contraria qualquer necessidade de racionamento dos recursos federais.
Os municípios brasileiros, em especial os pequenos, também já tiveram um registro de perdas importantes quanto aos sucessivos rebaixamentos nos repasses do FPM determinados desde o governo Lula. O duro é saber que muitos destes municípios, na sua imensa maioria, ainda hoje sobrevivem quase que, exclusivamente, deste fundo constitucional. De sorte que ficaram quase inviabilizados de manter a máquina pública no seu rol dos serviços prestados à população.
Resta saber que tipo de relação a presidenta irá estabelecer a partir de agora com os alcaides municipais por este Brasil afora. Mas, uma coisa é certa. Caso tente fazer uso exclusivo da mesma tática lulista, na esperança de permanecer sulfando na onda da aceitação popular por meio, unicamente, da velha política compensatória. É possível que não obtenha tanto êxito. Isso porque, a economia frágil do nosso país talvez não suporte tanto. Sem esquecer a questão da previdência que há tempo, vem se transformando numa verdadeira bola de neve.
Nenhuma nação do mundo conseguiu avançar sem assegurar investimentos em setores estratégicos da sociedade e, tampouco sem a devida valorização daqueles que são os responsáveis pelo seu crescimento – os trabalhadores do campo e da cidade.
Ora, mas por que cargas d’águas eu estou discorrendo acerca disso?
Eu respondo: Primeiro porque não vi com bons olhos na noite-madrugada de ontem quando acompanhei via TV Câmara por mais de 7 horas as morosas e macarrônicas discussões para a aprovação dos destaques com vistas ao valor do novo salário mínimo. Míseros R$ 545,00 (quinhentos e quarenta e cinco reais). Um aumento(pasme) de exatos 0,37%. Isso corresponde a nada mais, nada menos do que 0,50 (cinqüenta centavos) por dia.(sic)
Os governistas rejeitaram as propostas de emenda de 600,00(seiscentos reais) e em seguida, de 560,00(quinhentos e sessenta reais) que, convenhamos, também não era lá essas coisas. Pois, segundo o levantamento do respeitadíssimo Dieese* o salário mínimo real, como apregoa a Constituição Brasileira hoje deveria ser de R$ 2.200,00(dois mil e duzentos reais). Portanto, uma miragem, levando-se em conta os atuais valores que são debatidos a ferro e fogo no Congresso Nacional.
Sem falar que, ainda em dezembro, com a ausência de qualquer debate mais acalorado, o Congresso reajustou ao apagar das luzes do governo Lula o ‘salário máximo’ dos seus parlamentares em 62%, assim como de ministros(149%) e da presidência da República(134%). Ambos recebem desde então, R$ 26.723,13, que por sinal se iguala ao mesmo valor do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
Também na noite de ontem, junto com o valor do mínimo salário mínimo, a Câmara aprovara o seguinte: de agora em diante, digo, para os próximos quatro anos, as discussões para os possíveis reajustes do salário mínimo não será mais prerrogativa do Congresso. A presidência é quem vai dá as cartas e, por meio de decreto.
E como no entendimento da oposição, esta decisão fere a carta magna é possível que o imbróglio termine indo parar mesmo no Supremo. O reajuste do SM segue agora para o Senado, onde novamente o governo deve consubstanciar mais uma vitória fácil, dado que dispõe de uma maioria ainda mais folgada. Apenas 29% da Câmara votou contra o salário de 545,00. Caso isso vire praxe. Não será difícil perceber que a vitória do governo nem sempre será a do trabalhador.
Por fim, o novo salário não agradara os trabalhadores da ativa e nem os aposentados e pensionistas, principalmente aqueles que recebem mais de um salário mínimo que já vêm(conforme alguns analistas) acumulando perdas significativas com o chamado fator previdenciário da ordem de 46% nos seus valores reais.
O certo é que, por enquanto, o Salário Mínimo nunca foi tão mínimo...
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José Cícero Escritor e poeta
Aurora-CE
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Levante Popular do Egito e o medo da democracia...

Por José Cícero
Com a queda do até então todo-poderoso presidente Hosni Mubarak do Egito, depois de trintas longos anos de ferrenho poder fica cada vez mais evidente que os povos do planeta não estão mais tão passivos e tolerantes diante de regimes ditos de exceção como era quase moda antigamente.
O que acontece no Egito, felizmente, não é um fato isolado. Razão de todo o medo dos Estados Unidos, Inglaterra dentre outros exploradores históricos das riquezas dos oprimidos. Por isso, se utilizam de um discurso falso quando falam de “preocupação com a instabilidade na região”. Ora, em se tratando do Oriente e Golfo Pérsico de que instabilidade eles estão falando? Por quanto, às favas todos eles e que administrem seus medos.
Posto que, no entorno do Egito há sinais de protestos populares em diversos outros países tanto orientais quanto africanos. Sendo que em pelos menos um deles, anteriormente, o levante já forçara o seu presidente a deixar o poder pelas portas do fundo depois de 23 anos, como foi o caso da Tunísia. E na cola: Marrocos, Argélia, Sudão, Líbia, Iêmen, Jordânia, Síria dentre outros...
Mas este episódio também evidencia um outro aspecto, ou seja, todo o cinismo da política imperialista e antipovo dos Estados Unidos. Assim como das demais nações que integram o chamado bloco do 1º mundo. Explico: Não fosse o efetivo apoio dos EUA, inclusive político, militar e financeiro; regimes como o de Mubarack jamais se sustentariam por tanto tempo. Pois, convenhamos, trinta anos é uma existência...
Portanto, sem nenhum exagero, podemos afirmar que as demais ditaduras do mundo em quase toda a totalidade, quer sejam do passado ou do presente contaram de alguma maneira com os beneplácitos da política norte-americana e dos seus aliados. Exceção apenas as de alguns países localizados nas regiões mais pobres do continente africano. Onde os ianques não conseguiram enxergar nenhum tipo de interesse econômico, estratégico ou expansionista.
Por conta disso muitos deles se encontram praticamente abandonados, arrasados que são, além das ditaduras sanguinolentas, também pela seca, pela fome, pela Aids e outras epidemias, como inclusive, pelas guerras tribais e fratricidas.
No Oriente Médio a coisa é completamente diferente. Lá os EUA precisam manter seus interesses estratégicos de pé, a qualquer preço. E isto não exclui todo o apoio possível e necessário a governos tipo Mubarack e outros ainda piores. Que tal lembramos de figuras como Saddan, Natanyaru, Papa Doc, Pinochet e Bin Laden e suas relações com a política do pentágono?
O petróleo do Oriente Médio ainda hoje continua sendo um baril de pólvora, cujo pavio encontra-se permanentemente aceso. E de algum modo, que quem está o tempo todo vigiando este estupim é de fato alguém sob o comando dos sucessivos governos norte-americanos. Eis a razão de os EUA renderem seu apoio às diversas ditaduras daquela região de conflito.
Contudo, o curioso é assistirmos pela TV o discurso “santo e bonzinho” de Barak Obama( não é trocadilho com o egípcio) em rede mundial ofertando solidariedade, quase como uma moção de apoio ao movimento de protesto da população egípcia. Depois dele vêm os outros, como que combinados para saírem bem na foto: Grã-Bretanha, Itália, União Européia, Alemanha e por aí vai.
Um momento de puro oportunismo dos verdadeiros financiadores das ditaduras mundiais pela história adentro. Muito especialmente, os Estado Unidos e a Inglaterra.
Cá comigo: Afinal de conta, neste momento cabe muito bem uma pergunta. Quando será que os americanos irão pôr um fim a ocupação do Iraque e deixar em paz o Afeganistão? Quando deixarão a base de Guatánamo no território cubano? Quando pararão de financiar e armar belicamente Israel que continua massacrando o povo palestino? Por que não decidem financiar a reconstrução do Haiti? E mais: quando será que a Inglaterra decidirá pela devolução das ilhas Malvinas à Argentina?
Enfim, são indagações simplórias, mas que colocam a nu a verdadeira face dos que querem a todo custo, ser a palmatória do mundo, sem no entanto, se darem ao exemplo.
Viva o povo egípcio, que mesmo isolado, não teve medo e foi a luta. E certamente por conta desta desta fato, a partir de agora uma nova história será reescrita pelas mãos corajosas de uma nação que se cansou do descaso, humilhação e roubalheira.
Afinal, quem tem medo de democracia?
Foto: http://imagem.band.com.br/
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Deputado Lula Morais alerta sobre cobrança indevida de energia elétrica

O deputado Lula Morais (PCdoB) cobrou, na sessão plenária desta quinta-feira (03/02), em seu primeiro pronunciamento na 28º Legislatura, que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) promova o ressarcimento aos consumidores pelos reajustes cobrados indevidamente pelas distribuidoras de energia elétrica entre 2002 e 2009. O valor alcança R$ 7 bilhões.
De acordo com Lula Morais, a metodologia tarifária incorreta foi aplicada de 2002 a 2009 e, conforme estimativas do Tribunal de Contas da União (TCU), causou, ao todo, um prejuízo de cerca de R$ 7 bilhões.
Em 2010, a Aneel negou o reembolso pela cobrança indevida, após reconhecer o erro de cálculo e pedir a correção das tarifas cobradas. “A agência reguladora se comporta mais como um escritório de representação das concessionárias do que de fato reguladora de contrato”, criticou. Lula Morais e o deputado federal Chico Lopes (PCdoB/CE) já haviam ajuizado na Justiça Federal uma ação popular contra a Aneel e concessionárias de energia elétrica de todo País para que houvesse a devolução.
Lula informou que a ação continua tramitando e que na próxima semana eles irão acompanhar o andamento do processo.
Segundo Lula, o reajuste concedido anualmente fazia com que as distribuidoras incorporassem ganhos que tinham com o crescimento de seu mercado, sem reparti-los com o consumidor, somando R$ 7 bilhões. Conforme o parlamentar, o reembolso deveria ser o dobro, ou seja, de R$ 14 bilhões, como prevê o Código de Defesa do Consumidor em casos de cobrança equivocada. “A Agência fugiu da responsabilidade de fazer a devolução do que foi tirado indevidamente do consumidor.
Toda cobrança indevida embutida em preço ou serviço tem que ser devolvida em dobro”, afirmou. Em aparte, o deputado Osmar Baquit (PSDB) relatou uma possível irregularidade cometida pela Coelce, que também deve ser verificada por Lula, e encaminhada a Comissão de Defesa do Consumidor da Casa.
Segundo o parlamentar tucano, a Coelce estaria cobrando adiantado de alguns consumidores. O próprio Baquit afirmou ter recebido uma conta de energia um mês antes da data de vencimento. Nova legislaturaLula Morais também parabenizou os novos parlamentares que chegaram ao Legislativo Estadual e os que foram reconduzidos a Assembleia. O deputado do PCdoB desejou ainda sucesso ao novo presidente da Casa, deputado Roberto Cláudio (PSB).
Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social da AL
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Salgado é uma artéria aberta...

Por José CíceroComo certa vez dissera Demócrito - o cearense -, com o seu Jaguaribe, também direi eu agora que o Salgado ‘é uma artéria aberta’.
Um símbolo indelével da natureza de Deus em todo o seu ofertório de bonança engrandecendo o Cariri e facilitando a vida árdua dos homens.

Como que a vida toda nadando em seu remanso...
O rio Salgado é uma vontade incontida de uma gente sertaneja forte e destemida que nunca se entrega aos percalços de uma lida sofrível e estafante.
Uma sentença de grandes promessas se consolidando na mesma dimensão da fartura que ele nos oferece graciosamente a cada dia.
Uma celebração de eterna beleza e encantamento como um colírio ecológico a clarear nossos olhos para o espetáculo da vida diante do idílio dos seus ecossistemas.

Fático bioma. Natural poema de um Homero caririense em sua odisséia ambiental.

Inigualável milagre diluviano da caatinga a se derramar como trombas d’águas engravidando o Jaguaribe na sua imensa ânsia de querer ser mar.
O rio Salgado é um caminho de riquezas por meio do qual o Cariri adolesceu e se fez grande diante do Ceará e do mundo inteiro.
O abraço fraternal de Deus unindo os homens de boa-vontade. Mistério de doces águas em abundância matando a sede dos que nunca desistiram de lutar.

Rio Salgado, louvação de tudo que é sagrado a se derramar em correntezas de dádivas e exuberância sobre a consciência dos que são tocados pela boniteza da sua incomensurável biodiversidade.

Rio Salgado uma artéria aberta...

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Prof. José Cícero
Secretário de Cultura
Aurora-CE.
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Fim das Livrarias...

Por José CíceroQuerem acabar de vez
com as livrarias.
Na intenção de calar para sempre
a voz do mundo
e o sentimento das nossas mãos.
E o papel do pão-nosso
De cada dia,
Como fica?
Alfafa, mingau de milho
Mandioca
Cachaça como conserva
dos nossos miolos.
Samba do crioulo doido
pensamento do não-lugar.
Big Brother.
Forró descartável.
Voto descompromissado
virando moda.
Erva daninha
Tiririca.
Morte da poética.
Ouro de tolo...
Cavalos mijando às pampas
Sobre os livros
de todas as estantes do planeta.
Que democracia tonta
esta do conhecimento
dito pós-moderno?
E os intelectuais apenas choram
num misto de indiferença,
cinismo e medo.
Enquanto os capitalistas
Analfabetos e ignorantes,
ávidos por dinheiro
riem de todo o caos
e de si mesmos.
_______
José Cícero
Escritor e Poeta
Sec. de Cultura de Aurora-CE.
In Fractais Imensos(inédito-2011)

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domingo, 30 de janeiro de 2011

Iguais e Pequenos

Por José CíceroNinguém é grande o suficiente
para compreender na sua plenitude
o sublime mistério da vida e da morte.
Todos aqueles que acaso grandes se sentem
precisam se ajoelhar humildemente.
A fim de ser compreendidos
pelos que não têm vergonha
de se sentirem pequenos.

Ninguém é grande o suficiente
ao ponto de não aquiescer
ante a vida em todo o seu milagre.
Maravilha de um renascimento
que ora se repete;
Como superação espiritual
da própria morte.

Ninguém é grande o suficiente.
Em essência somos todos iguais e fortes.
Meros passageiros de uma viagem.
No mundo estamos todos de passagem.
Ganhamos a vida de presente ,
dádiva que auferimos gratuitamente...
Instante de oportunidade
que temos ao aprimoramento.
A morte é coisa que não existe.
Porquanto, ser ela o despertar.
Para o viver eternamente.

Somos todos pequenos.
Ninguém é grande o suficiente.
O certo é que devemos
estar sempre prontos
o tempo todo,
para uma viagem
que amanhã faremos...
_________
(*) José Cícero
Sec. de Cultura
Aurora-CE
In Minhas Metáforas Preferidas(inédito-10)
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Subjetivo Encontro

Por José Cícero
Vida: Subjetivo encontro que mantenho todos os dias com as forças cósmicas do universo inteiro e com o meu Eu profundo. No mais recôndito do meu ser – pensamento cotidiano que construo paulatinamente como vôo de pássaro altaneiro, solitário a montar seu ninho com gravetos e entre os espinhos.
Vivo assim resignado com o meu destino em carne e osso, tal qual escravo sofrendo os açoites dos seus próprios sentimentos íntimos.
Sou assim: Náufrago absorto submerso em oceanos de contentamentos e desassossegos.
Navio pirata e transatlânticos singrando os espelhos d’água feitos rastros
deixados pelas caravelas de aborígenes loucos tentando descobrindo o novo mundo.
Mares imensos. Consciência que preservo entre sonhos.
Essência vital a quem me entrego sem escrúpulo e medo. Orbe que me mantêm guardado a sete chaves. Juiz insolente e venal em que ancorou a nau catarineta de todos os meus segredos incontidos.
Terra firme em que vivo e piso dando sustentáculo a humana raça dos instintos.
Positivismo ingrato. Iluminismo instantâneo no qual me eternizo todo por completo.
Absolutismo escroto no qual todos os gestos dos covardes e dos injustos se aglutinam a todo instante.
Baco-festim. Bacanal dos insensatos deuses do Olimpo.
Vão momento em que me abstraio e me fragmento ao máximo em fractais imensos.
Puro sentimento cosmogônico em seus mistérios. Desdobramentos suprafíscos.
Ilações incompreensíveis dos seres microscópicos em seus derivativos mais insanos.
Vida: Viagem perpétua que faço espiritualmente.
Astral alumbramento de quem vive o supra-sumo de todos os acontecimentos mais sublimes.
Superlativos fenômenos de todos os seres universais, extraterrenos, redivivos.
Pluralismo inconteste e absoluto que me persegue e que me mantêm guardado dentro do tempo.
Remotos e atemporais esquecimentos: baús de ossos que conservo como um tesouro raro
no âmbar dos meus anos findos.
Infinitude de nós mesmos, seres incompletos e inconclusos perdidos como sementes de anjos decaídos dispersas nos umbrais do cosmo.
Eterno instante. Lusco-fusco das honras minguadas que vivo em seus desperdícios.
Claro-escuro dos olhos de lince e outros pensamentos
jogados no lixo das nossas consciências
e tudo o mais que me angustio e sofro
para o todo e sempre.
__________________
* José Cícero
Secretário de Cultura/Aurora-CE.
In Abstrações do Acaso/09
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

AURORA: Uma reflexão possível e necessária acerca da gestão municipal

Por José Cícero

Uma obra simplesmente como qualquer outra? Não. Uma obra efetivamente para ficar na história de Aurora. Não de somenos, diria que toda obra grande e valorosa deveria necessariamente ter esta sensação dimensional.
Pelo menos é assim com que a maioria da população tem avaliado o trabalho que vem sendo desenvolvido em todos os quadrantes municipais. E muito especialmente na sede de Aurora. Obras relevantes como a pavimentação asfáltica que ora vem sendo executada nas ruas do bairro Araçá e, que inclusive, já foram igualmente empreendidas nas ruas do centro da cidade.
Como constatação, é possível afirmar ainda que o grande número de pessoas que acompanham pari passu todos os serviços de asfaltamento, dá bem o nível de aceitação popular desta iniciativa. Mas a gama de realizações encabeçadas pela atual gestão não para por ai. Obras da mais expressiva envergadura tanto na quantidade, quanto no valor do seu alcance social.
Algumas desempenharão um papel fundamental na consolidação de um município realmente próspero e atuante na prestação de um serviço social e de qualidade para a sua gente.
Obras como a da Escola Técnica, a agência do INSS, a escola agrícola, a Creche do Araçá, os novos postos de saúde na sede, distritos e zona rural, aquisição de novos ônibus para o transporte escolar e dos universitários, bem como as construções de vários açudes e passagens molhadas. Sem esquecer os significativos incentivos destinados ao esporte amador, a cultura, o atendimento do público da terceira idade.
Além do melhoramento da jardinagem de praças e avenidas, a criação do Demutran e dos agentes de trânsito, as parcerias para a instituição do Pró-cidadania, a instalação de semáforos com vistas ao necesário disciplinamento do trânsito, os investimentos na segurança pública com a instalação de câmaras de monitoramento 24h, doação de cestas básicas as famílias carentes, construção de calçamentos, limpeza pública, investimentos em saudade, educação, ação social e agricultura, dentre outras realizações.
Outra obra de grandiosidade indiscutível diz respeito a realização do Concurso Público. Uma iniciativa marcante e corajosa que entrará definitivamente para a história de Aurora, notadamente pela extensão do seu alcance social e, principalmente pela maneira proba e imparcial com que ocorrera.
Todo este esforço empreendido pela gestão municipal vem promovendo uma verdadeira transformação no perfil urbanístico, social e cultural do município aurorense. Inegáveis mudanças que a todos convencem em especial, pela força dos efeitos, assim como pelos resultados positivos que vem imprimindo a modernidade da cidade e do município como um todo.
Como já é possível perceber, há de fato, um compromisso do prefeito Adailton Macedo e toda sua equipe de trabalho com a construção de um futuro melhor para todos os seus munícipes. Uma disposição efetiva para a construção de uma Aurora melhor ante a formação de um ambiente democrático de progresso social, cidadania popular, felicidade coletiva, saúde e paz.
Tudo isso no seu conjunto mais geral, após completar dois anos de operosa administração já coloca a atual gestão com uma das melhores do Cariri cearense.
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domingo, 23 de janeiro de 2011

Fractais Sertanejos – Um filme vencedor que conta a incrível história de um artista aurorense

Por José Cícero

Desde o final de 2009 quando foi concluído que o Curta ‘Fractais Sertanejos’ de produção autoral cearense vem despontando em diversos festivais não apenas nacionais.
De autoria do cineasta fortalezense, Heraldo Cavalcanti ‘Fractais Sertanejos’ constitui uma bela narrativa da interessante história do artista/escultor aurorense João Batista dos Santos – o Janjão, pedreiro de profissão que segundo a película, após despertar de um sono anestésico pós-operatório num leito de um hospital decide se tornar escultor. E o faz com incrível maestria. Esculpi pela primeira vez um conjunto de obras por ele denominadas de “Tudo e Nada”. Peças maravilhosas que remetem a fractais; matéria complexa só estudada pela física e na chamada matemática do caos.
Algo que a cada dia ganha força, notoriedade e importância nos atuais meios acadêmicos do Brasil e do mundo após a popularidade daquilo que se denominou de nanotecnologia. Além da formidável história do seu personagem, o filme também chama a atenção de todos por este aspecto transcendente, poético e metafórico. Há também que se destacar na película cearense um certo grau de emoção e sentimentalismo, coisas bastante comuns na alma humana e sertaneja, sobretudo quando se enfoca a questão da arte e da cultura.
Trata-se de uma produção cearense concretizada com verbas do edital Ceará de cinema e vídeo que logo na estréia recebe o prêmio de melhor documentário no festival de São Simão de São Paulo, abiscoitando o troféu Marcelo Grassman sendo por isso mesmo aclamado pela crítica especializada e pelo público.
Pontuou ainda entre as dez primeiras produções do gênero durante o 20º Festival Internacional de Curta-metragem, evento ocorrido na capital paulista em 2010.
“O filme fala sobre João Batista dos Santos, o Janjão, escultor nascido em Aurora(CE), sertão do Cariri , pedreiro da construção civil, que ao receber anestesia geral tem uma experiência de regressão e acorda no hospital com o desejo de se tornar artista”, disse o cineasta.
Janjão é filho do Sr. Luiz de Glória, tradicional figura ainda hoje residente a rua Santa Maria na cidade de Aurora, ambiente onde o artista nasceu e viveu toda a sua infância, antes de viajar para tentar a vida na capital paulista.
Atualmente Janjão está radicado no município de Juazeiro do Norte onde exerce a profissão de escultor no centro de artesanato Mestre Noza no centro comercial da cidade ciceropolitana.
Já expôs seu trabalho por diversas partes do país recebendo vários prêmios e menção honrosa. Recentemente obteve o 1º lugar no concurso “presépio natalino” promovido pelo CEART-CE. Além de escultor e pedreiro, Janjão também é um poeta de boa vocação literária.
Alguns dos prêmios já conquistados pelo filme:
20º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo:
-10 Melhores pelo público-Prêmio Ctav-Troféu Luiz Orlando da Silva-
1º Curta Carajás: Menção Honrosa8º Santa Maria Vídeo e Cinema:
-Menção Honrosa11ª Mostra Londrina de Cinema:
-Troféu Udihara de Melhor Filme segundo o Júri Popular16° Vitória Cine Vídeo:
-Melhor Filme Documentário-Prêmio Jangada (OCIC-Signis Brasil)
1º Festival de Curtas-Metragens de São Simão:
-Troféu Marcelo Grassmann – Melhor Documentário Película.
-Troféu Marcelo Grassmann – Prêmio especial do Júri popular
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FICHA TÉCNICA:
Roteiro: Heraldo Cavalcanti
Direção de Produção: Moisés Magalhães
Direção de Fotografia: Alex Meira
Direção de arte: Heraldo Cavalcanti
Montagem/Edição: Heraldo Cavalcanti e Magno Guimarães
Som : Yures Viana
Empresa Produtora: Anitra Cinema e Vídeo
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Fotos acima de Janjão.
N.R. :
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